Marcio Kogan: “Eu sou movido a amor”

Nome à frente do escritório Studio Mk27, Marcio Kogan completa 50 anos de carreira acumulando projetos de arquitetura e design ao redor do mundo.


Marcio Kogan
Marcio Kogan, arquiteto, cineasta e nome à frente do Studio Mk27. Foto: Victor Affaro.



Após 50 anos de formado e pelo menos 48 desses à frente do Studio Mk27, o arquiteto paulistano Marcio Kogan busca, em seus projetos, algo maior que dinheiro. Seja para erguer um edifício ou assinar a arquitetura de um apartamento, ele quer que a experiência seja prazerosa, com equipe alto-astral e com clientes que valorizem esse trabalho. 

“Eu gosto de ter bons clientes, que dão extremo valor para o projeto, que o ajudam a ser melhor. Para mim não importa o que seja. Eu quero fazer um bom trabalho de qualquer coisa”, diz. “Às vezes, eu prefiro fazer uma casa de 120 m² para alguém que eu adore, que vai ser incrível, do que um prédio na 5ª Avenida. Já falei isso no programa do Jô Soares, e ele não acreditou. Muitos anos atrás. Mas é verdade. Eu sou movido a amor.”

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Acompanhado de parte de sua equipe, Kogan falou à ELLE Decoration Brasil por ocasião da inauguração da loja da marca de móveis italianos Minotti, em São Paulo, no início de outubro. No país, a grife é operada pela Casual Móveis e exibe endereço na Rua Colômbia, nos Jardins, com mobiliário assinado por GamFratesi e o próprio Studio Mk27.

Com Kogan, a parceria com a Minotti começou há quase dez anos. “Eles queriam uma coleção outdoor, coisa que nunca tínhamos desenhado”, relembra. “Não tínhamos essa experiência de desenhar móveis, a não ser para os nossos trabalhos.”

Os primeiros momentos foram de adaptação. O escritório paulistano levava seus projetos minimalistas para a etiqueta, mas ainda causava estranhamento, quase um choque de cultura. “E eles traziam, por outro lado, uma sofisticada qualidade do produto”, conta. Por fim, nasceu a linha outdoor Quadrado, um sucesso de vendas, inspirada no estrado de madeira usado na indústria náutica para facilitar o escoamento da água. “Começamos a trabalhar e a fazer todo ano uma coleção”, diz.

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Hoje, o Studio Mk27 acumula colaborações com as brasileiras 55design, Etel, Lumini e Docol e as internacionais Agape, Galo e Viabizzuno, entre outras. “Não tinha uma demanda por isso. Hoje em dia a gente tem desenhado para muita gente”, conta Kogan, que abriu também um setor de design de produto coordenado por Mariana Ruzante.

“É um raciocínio interessante dentro do escritório: o de pensar no desenho da peça para uma coisa que não tem um cliente final, um espaço específico. Vai servir para uma casa no Brasil, na Ásia, na Europa, pequena, grande”, diz a arquiteta Mariana Simas, do Studio Mk27.

Marcio Kogan

Em ambiente da Minotti, destaca-se o sofá Bézier, assinado por Marcio Kogan e Studio Mk27. Foto: Divulgação



Mais recentemente, lançaram a linha Bézier, outro best seller, que nasceu como um desafio proposto pela Minotti de criar móveis de linhas orgânicas – algo distante da arquitetura de ângulos retos de Kogan. “Se eles não tivessem duvidado, a gente nunca teria feito”, diz. “Tudo que tínhamos feito eram linhas retas, e então tivemos esse desafio do sofá curvo”, complementa o arquiteto Pedro Ribeiro, também integrante do estúdio.

O resultado foi um sofá modular, de formas onduladas, embalado em bouclé, que pode ter suas partes conectadas de forma fluida, com continuidade. A coleção tem ainda mesas de centro, que conversam com o sofá e se encaixam.

Marcio Kogan

Poltrona Elas, também do Studio Mk27 para Minotti. Foto: Paola Pansini

Quando questionado sobre um projeto ainda não realizado, Kogan diz não ter nada especial em mente. Ele gosta dos processos. “Fellini já falava isso, que ele não entendia como pagavam a ele para fazer o que ele adorava”, cita.

Falando em cinema, outra prática à qual Kogan se dedica, ele diz que tem feito curtas-metragens com inteligência artificial e deve finalizar o próximo daqui a dois meses. “Agora estou produzindo com o Carlos, lá do escritório, um curta de 12 minutos sobre o ano de 2099. Uma ficção científica sobre como vai ser o mundo nesse momento, uma visão nossa”.

“Como é que vai ser?”, pergunto.

“Como você deve imaginar, bem ruim”, diz. “Não dá para fazer, eu não consigo imaginar nada que não seja distópico. Imagina fazer um filme sobre 2099 com arco-íris, pôneis flutuando.”

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