De Goeye, 2026
Comemorando uma década, De Goeye desfila coleção inspirada em uma mulher viajante, com referências multiculturais e foco nas texturas.
Com dez anos de história, a De Goeye realizou o seu segundo desfile na quinta-feira (29.10) – o primeiro aconteceu em outubro de 2024. O hiato entre as apresentações reflete o modelo de negócios da etiqueta. A cofundadora e diretora criativa da grife, Fernanda De Goeye, não segue o calendário tradicional de verão e inverno. Sua marca opera por meio de entradas reduzidas e mensais, chamadas de fases (hoje na edição 18), que formam um portfólio contínuo nas araras.
![]() De Goeye, 2026. Foto: Zé Takahashi |
![]() De Goeye, 2026. Foto: Zé Takahashi |

De Goeye, 2026. Foto: Zé Takahashi

De Goeye, 2026. Foto: Zé Takahashi

De Goeye, 2026. Foto: Zé Takahashi
Leia mais: SPFW N61: Apartamento 03
A opção de Fernanda por respeitar o próprio tempo criativo tem a ver com uma carreira na moda que supera três décadas. Entre os 17 e 22 anos, ela comandou as apostas mais jovens da Daslu na linha Daslu Basic. Após se formar no Fashion Institute of Technology (FIT), em Nova York, abriu a Raia de Goeye com a estilista Paula Raia em 2000, uma parceria que durou até 2010. Em 2016, retornou ao mercado para fundar a De Goeye ao lado da irmã e sócia, Renata De Goeye. A volta rolou em alguns termos: fornecer produtos de alta qualidade, feitos de tecidos naturais e nobres (como seda e linho italianos e franceses) que podem levar meses para ficarem prontos.
Avessa a temáticas, Fernanda abre uma exceção para o show comemorativo: “Idealizamos uma mulher viajante”, diz ela no backstage. “E viagens nos lembram o pôr do sol”, completa Renata. Por isso, a cartela de cores remete a paisagens e percorre tons de branco, areia, laranja, vinho e preto. As padronagens pintadas à mão nas botas de cano alto evocam desenhos africanos, enquanto as calças-balão e camisas alongadas buscam inspiração no Oriente. Esse interesse multicultural vem da infância das duas, que viveram em cidades como Minneapolis, Londres e Lagos.
![]() De Goeye, 2026. Foto: Zé Takahashi |
![]() De Goeye, 2026. Foto: Zé Takahashi |

De Goeye, 2026. Foto: Zé Takahashi

De Goeye, 2026. Foto: Zé Takahashi

De Goeye, 2026. Foto: Zé Takahashi
Leia mais: SPFW N61: Foz
Há visuais fortes na coleção que reproduzem armaduras de guerreira e são estruturados por coletes e ombros marcantes. Eles ganham um contraponto nos vestidos de caimentos fluidos e de tecidos recortados em tiras que privilegiam o movimento do corpo. As texturas são um destaque: franjas feitas de georgette, camadas de tule aplicadas em ondas, bordados manuais e jacquards de seda que lembram a pele da zebra. Nos vestidos de festa, produzidos sob medida, paetês furta-cor parecem pingos de chuva.
Segundo Fernanda e Renata, o primeiro desfile as encorajou a investir ainda mais na roupa superespecial. “Ele nos ajudou a entender que existe público para o artesanal, feito em pequena escala e com produção verticalizada. (Expandir) não tem a ver com produzir mais ou aumentar o volume, mas explorar uma proposta exclusiva”, diz Renata.
Ainda assim, a versatilidade de uso importa para ambas. “Acredito em um armário funcional, no qual a roupa não precisa ser usada apenas em uma ocasião específica. Uma peça pode ir a um casamento e, depois, combinada a um blazer para um jantar”, explica Fernanda. O styling de Renata Correa ajuda a visualizar diferentes propostas, combinando acessórios de marchetaria feitos em colaboração com o artesão Távora e brincos e broches de metais desenvolvidos junto à Opvs.
Leia também: SPFW N61: Dendezeiro
Para ler reportagens e séries especiais, assine a ELLE View, a área exclusiva da ELLE para assinantes.







