Bom dia, estamos de volta. Tirei duas semanas de férias logo após a São Paulo Fashion Week, daí a ausência. De lá para cá, teve eleição, protestos na França, saques a lojas de luxo em cidades europeias, balanços financeiros e mais dança das cadeiras de diretores criativos. Não à toa, ouvi de muita gente que os desfiles foram pouco expressivos. É verdade e compreensível – só se falava em outra coisa. O problema, porém, ultrapassa a competição por atenção.
Apesar dos discursos engajados e bem-intencionados, em alguns casos urgentes até, a maioria das marcas está isolada em universos particulares, esquecidas ou incapazes de despertar desejo e estabelecer conexões além da simples admiração. Importa mais a viagem do estilista, a história, a imersão temática, o mise-en-scène, o trabalho manual, um tecido, uma parceria do que o design, o que as pessoas – e os próprios consumidores – querem vestir. O fato de tudo estar caríssimo e de as possibilidades de uso estarem reduzidas também não ajuda.
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