Em História da beleza, Umberto Eco propõe um exercício de imaginação: o que aconteceria se um marciano do próximo milênio se deparasse com um quadro de Picasso e uma descrição literária da beleza feminina daquele período? Enquanto Picasso pintava Les Demoiselles d’Avignon (1907), com mulheres de rostos fragmentados e corpos construídos por formas angulosas, Edith Wharton descrevia em A casa da alegria (1905) uma jovem ruiva de rosto oval, pele clara e beleza delicada.
A provocação do filósofo italiano é justamente para mostrar como diferentes modelos de beleza podem coexistir em uma mesma época, inclusive quando expressam ideais opostos – a depender daquilo que pintores, escultores e escritores escolhem celebrar.
Ao longo dos séculos, o chamado corpo ideal assumiu muitas formas – nem sempre as que hoje poderíamos imaginar.
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