Beleza

Lições de autoamor por Jameela Jamil

A atriz, produtora, apresentadora de televisão e ativista social uniu forças com a The Body Shop para fazer todo mundo se amar um pouquinho mais.

Foto: Divulgação / The Body Shop
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Não é todo dia que uma marca de beleza toca em assuntos como autoamor e autoestima sem indexar a esse debate o lançamento de um produto. A estadunidense The Body Shop, sem falar de suas máscaras faciais ou cremes corporais, decidiu fazer um levantamento com pessoas do mundo inteiro para saber: e aí, como é que você está se amando? Os resultados são fortes. Para começo de conversa, de modo geral, os homens se amam mais do que as mulheres. Quando você faz parte de alguma minoria social, então, essa disparidade piora. Depois, para a nossa esperança, quanto mais velhos ficamos, melhor conseguimos nos amar de verdade. E mais, acredite: as redes sociais atrapalham (e muito!) esse processo de descobrimento e desconstrução pessoal. Para tentar melhorar os gráficos, a marca convocou ninguém menos que a atriz, produtora, apresentadora de televisão (já assistiu Legendary, da HBO? Se não, anda logo!) e ativista social Jameela Jamil com quem conversamos sobre alguns dos tópicos levantados na pesquisa.

Jameela é a mulher à frente do @i_weigh, uma plataforma contra o bullying, contra a vergonha e a favor de sermos, cada um de nós, a melhor versão de nós mesmos. Abaixo, algumas das lições de autoamor que ela carrega consigo.

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Saiba impor limites

Vou te contar uma coisa que minha terapeuta me disse e que mudou a minha vida: "Um tapetinho de porta já está no chão quando as pessoas limpam os sapatos nele." Parece que ela está culpando a vítima, mas não é isso. A ideia é que nós temos autonomia na maneira como nos apresentamos às pessoas. Quais são os limites que eu permito que elas cruzem ou não? Acho muito importante lembrar disso, e me sinto muito empoderada nesse sentido, porque eu comecei a abrir a boca nos momentos em que, ao sofrer abusos, ficava calada. Lembro-me sempre de deixar essas barreiras de pé quando elas são necessárias verbalmente e imediatamente. Outra coisa que vale lembrar é "não" é uma frase completa. Não precisa explicar seu "não". Ele basta.

"É preciso entender o seu corpo como um incrível produto de engenharia. É uma máquina que está o tempo todo trabalhando a seu favor. É o seu melhor amigo", Jameela Jamil

O unfollow é de graça

Eu acredito que as redes sociais, na verdade, têm sido uma ferramenta muito importante para mudança social. Por exemplo, não teríamos visto acontecer tanto progresso no movimento Black Lives Matter, Trans Lives Matter, Me Too e tantos outros se não fosse por elas. Nada disso teria se espalhado tão rápido pelo mundo. Ajuda as pessoas a não se sentirem tão esquecidas e isoladas em suas próprias dores. Só acho importante lembrar que a gente consegue, sim, fazer uma curadoria do que consumimos nas redes. Deveríamos, inclusive, nos esforçar mais para nos proteger nesses ambientes. Tem pessoas que você segue que, provavelmente, estão aí disparando seus gatilhos... Você não precisa seguir essas pessoas. Você pode mutá-las, bloqueá-las, deletá-las. Aliás, faça isso online e offline! (risos) Sou grande apoiadora da ideia de deixar que alguns vão embora de nossas vidas. Já tem muita coisa ruim no mundo. Já tem muita negatividade por aí. Não preciso de mais uma pessoa me enchendo o saco. E, vale destacar, digo isso com muita segurança: a minha saúde mental está no topo das minhas prioridades. Quanto mais eu consigo me amar, mais eu consigo amar as pessoas.

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jameela-jamil "Quanto mais eu consigo me amar, mais eu consigo amar os outros", Jameela Jamil.Foto: Divulgação / Jameela Jamil


Crítica é diferente de cancelamento

Acho que o cancelamento é uma ferramenta social importante, mas há uma diferença muito grande entre pessoas que precisam ser realmente canceladas (ou seja, sem trabalhos, sem espaço, sem visibilidade, sem dinheiro) e pessoas que precisam tomar um puxão de orelha. Acho que muita gente precisa ser criticada, com certeza. Mas, não sei até que ponto precisamos pedir que essas pessoas sejam demitidas de seus trabalhos e erradicadas para sempre. No limite, o que isso faz é propagar uma mensagem de que não adianta tentar ser melhor: você vai ser cancelada de qualquer jeito. Nesse cenário? Por que me esforçar? Assim, acredito que precisamos usar o cancelamento de uma maneira mais cuidadosa. Tem que vir para as pessoas que são realmente perigosas, para quem já fez muito mal, para quem não cansa de fazer mal para os outros. No mais, é importante exercitar a crítica, criar compromissos de melhora, e manter uma porta aberta para que quem realmente esteja determinado a se transformar seja capaz de fazer isso. É sobre construir esperança.

O seu corpo é a sua casa

É um processo que nunca acaba. Você precisa afirmar para si mesma o tempo todo que você se respeita. Que você respeita esse corpo que leva você para uma passarela, que te leva para o seu trabalho, para a balada, para o sexo, para tudo. É entender o seu corpo como um incrível produto de engenharia. É uma máquina que está o tempo todo trabalhando a seu favor. É o seu melhor amigo. Talvez o primeiro passo seja essa compreensão profunda de que o seu corpo é a casa da sua mente e do seu espírito. É a partir disso que a gente vai conseguir construir uma boa relação com o nosso corpo. Eu espero que nos próximos anos a gente passe a entender que não podemos mais imaginar que o corpo é algo que podemos esquecer ou abandonar. É preciso aprender com ele, cuidar dele, e cobrar representatividade da mídia, das redes, em todos os ambientes. Todo mundo merece se sentir belo. O apagamento de corpos dissidentes ainda é um problema e a razão pela qual eu comecei a trabalhar com Legendary foi exatamente por isso. Temos que levar esses corpos para a televisão. As pessoas precisam se enxergar. E a gente merece tudo isso.

Xô, adolescência

Amo envelhecer. Quanto mais longe eu estou da minha adolescência, mais feliz fico. Eu gosto das rugas, das estrias, não vejo problema algum nisso. Durante a minha vida, passei muito tempo doente. Por isso, para mim, envelhecer é um privilégio. Estou amando essa experiência. Acho que você ganha mais perspectiva e os seus valores mudam porque outras coisas se tornam mais importantes. Você começa a criar modelos de vida melhores, ídolos melhores... Quem está do seu lado o faz porque te ama, não pela maneira como você se veste ou pelo que você aparenta ser pela sociedade.

Apesar de ter dado seus primeiros passos rumo à diversidade, o conceito de beleza ainda é dominado por padrões hegemônicos e opressivos. Como chegamos a eles e por que esses ideais de beleza continuam tendo papel importante na emancipação das pessoas? Na busca por essas respostas, você também vai encontrar muitos motivos para quebrar paradigmas.



Jessamyn Stanley ensina yoga pela internet e prova, aula após aula, que a prática tem menos a ver com ficar "relax" do que com um duro, porém necessário, encontro consigo mesma.


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