Um guia completo sobre remoção de tatuagens

Conversamos com especialistas para responder as perguntas mais frequentes sobre o procedimento.


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Se você tem uma tatuagem feita na adolescência, o nome de um ex-namorado marcado em alguma parte do seu corpo ou um desenho que simplesmente não ficou legal, é bem provável que já tenha considerado buscar uma maneira de eliminar a tinta da pele. Ainda que existam muitas motivações para a remoção de uma tattoo, existem também diversas razões – algumas fundamentadas em mitos – que fazem com que muitos desistam de ir em frente com o processo. Aqui, mergulhamos a fundo no assunto e te contamos tudo o que você precisa saber para decidir se vale ou não a pena encarar o procedimento.

O que tem de mais moderno

Apesar de haver algumas maneiras de remover uma tatuagem, como cirurgia plástica e dermoabrasão, a mais utilizada, tanto por eficácia quanto segurança, é o laser. “Assim como a própria execução da tatuagem, as técnicas de remoção evoluíram muito. O laser passa por processos contínuos de aperfeiçoamento, tornando-se cada vez mais seguro e preciso. Podemos afirmar que, em muito pouco tempo, saímos da ‘idade da pedra’ para a modernidade”, afirma Marcus Vinícius Jardini Barbosa, cirurgião plástico e professor do curso de medicina da UNIFRAN.

De acordo com a dermatologista Camilla Oliari, eles funcionam assim: “Todos os lasers agem de maneira seletiva. Para remoção de tatuagens, são usados os que são seletivos para pigmentos. Eles os quebram e os degradam em pequenas partículas que, consequentemente, conseguem ser absorvidas pelo nosso organismo”.

Camilla explica que, antigamente, os lasers disponíveis tinham pulsos mais longos e quebravam os pigmentos em partículas que ainda eram grandes demais para serem completamente eliminadas. “O laser de picossegundos é o que temos de mais moderno nos dias de hoje, porque ele é capaz de pulverizar o pigmento em fragmentos muito menores”, explica. Entre os mais modernos, está o Quanta System, da MedSystems, que possui rubi em sua composição e é capaz de remover até as tatuagens mais difíceis.

Outra novidade é a possibilidade de associar diferentes ponteiras do laser para fazer uma única remoção. “Para tattoos mais difíceis de serem removidas, além de usar um protocolo específico para a quebra de pigmentos, podemos utilizar outros lasers que vão facilitar o processo da absorção da tinta”, adiciona Camilla.

E dói?

Sim, é um procedimento dolorido, mas não tanto quanto antigamente. “Como os lasers modernos são mais direcionados e têm essa ação de pulverizar o pigmento, a gente não precisa entregar uma energia tão alta – algo que acontecia nas versões mais antigas. Consequentemente, a dor diminui, assim como os riscos de formar cicatrizes”, conta Camilla. A dermatologista explica ainda que, para diminuir o desconforto, geralmente são utilizados anestésicos tópicos ou injetáveis.

Vale ressaltar que o nível de dor, além de ser muito pessoal, também vai depender do tamanho da tatuagem, da espessura dos traços e do local onde ela está – aquelas feitas no rosto ou em cima de ossos, como cotovelo, joelho e costelas, por exemplo, costumam ser mais doloridas. Após cada sessão, é comum que o local fique quente, avermelhado e inchado durante alguns dias.

O grand finale

Este é um procedimento que leva algumas sessões (pelo menos seis), feitas com intervalos de 45 a 60 dias. Por isso, o processo é longo e exige muita paciência – algumas tatuagens podem demorar mais de um ano para desaparecerem, dependendo do tipo, da cor e do tamanho.

O resultado também não é 100% previsível e alguns desenhos não podem ser removidos completamente, deixando algum tipo de resíduo na pele. “A tatuagem profissional fica na derme, camada intermediária localizada abaixo da epiderme e acima da hipoderme, por isso elas são chamadas de ‘definitivas’ e são difíceis de serem totalmente removidas”, conta Camilla.

De acordo com os experts, a cor é um fator determinante. “A remoção de tatuagens monocromáticas pretas são as que ainda apresentam os melhores resultados. Para cada cor, existe um comprimento de laser específico ideal para ser utilizado, portanto, quanto mais colorida, mais complexa será sua remoção”, explica Marcus. De acordo com Camilla, ainda é muito difícil remover tintas brancas e amarelas. Outras variáveis podem afetar o resultado final: “Tatuagens antigas, que já estão mais desbotadas, são mais fáceis do que as mais recentes. Desenhos menores e com traços mais finos também”, completa Marcus.

Além disso, é importante ressaltar que, ainda que as tecnologias disponíveis hoje em dia sejam supermodernas e muito mais seguras, o processo pode deixar marcas na pele. “O laser promove uma queimadura controlada. Assim, pessoas com tonalidades de pele mais escuras ou com tendência a problemas de cicatriz, como quelóides ou hipertrofia, podem apresentar alterações na área da remoção”, alerta Marcus. Por isso, é essencial que o procedimento seja feito com um médico especializado, que vai fazer uma análise cuidadosa, tanto da pele quanto da tatuagem, e fazer o uso adequado dos lasers.

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