Beleza

Tássio Santos ensina maquiagem para cegos em novo podcast

O fundador do canal Herdeira da Beleza no YouTube criou o projeto Sentidos da Beleza que está disponível em todas as plataformas de streaming a partir do dia 20.11.

Foto: Divulgação
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A fundamental escritora norte-americana Toni Morrison, certa vez, disse o seguinte: "Se há um livro que você quer ler e ainda não foi escrito, então, você é que deve escrevê-lo". Desde 2015, o canal Herdeira da Beleza no YouTube, criado pelo jornalista e maquiador Tássio Santos, de Santo Estevão na Bahia, tem trazido importantes questionamentos para a comunidade de beleza brasileira que, antes disso, pouco ouvia as demandas do povo preto na maquiagem. "Eu não me sentia representado em lugar nenhum, então decidi fazer o meu", conta em entrevista à ELLE Brasil. "O Herdeira, na verdade, começou lá em 2012, como uma página no Facebook para anunciar as maquiagens que eu vendia e o meu serviço como maquiador", relembra. No entanto, conforme o tempo foi passando, Tássio percebeu que toda vez que falava sobre maquiagem para a pele negra, os números disparavam. "Ou seja, eu estava atingindo um nicho muito carente e comecei a focar nele." Hoje, o Herdeira é quase um conglomerado de informação: é plataforma de cursos, blog, canal no YouTube e está por todas as redes sociais. Entre seus maiores hits está a série de vídeos intitulada "O tom mais escuro", em que Tássio testa, em sua carismática colega Joice, o tom mais escuro das bases disponíveis no mercado brasileiro e global de beleza

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tassio-santos-sentidos-da-beleza-herdeira O podcast "Sentidos da Beleza" contará com entrevistas e tutoriais especiais para pessoas cegas ou com baixa visão.Foto: Divulgação


Apesar de ser fã da icônica maquiadora e empresária britânica Pat McGrath, as referências do youtuber, em sua maioria, não vêm do circuito da beleza. Ele fala de autoras como Grada Kilomba, bell hooks e Chimamanda Ngozi Adichie antes de citar as fortes mulheres de sua família como inspiração e força-motriz de seu trabalho. "Eu acredito piamente que a maquiagem pode ser uma fortíssima ferramenta antirracista. Acho que ela pode ajudar muito a recuperar essa autoestima que o racismo insiste em tirar de nós." Tanto que, de quando ele começou a publicar seus vídeos até hoje, uma mudança radical na mentalidade do consumidor preto de beleza aconteceu. "Atualmente, as pessoas não se conformam mais com só três ou quatro tons de base que, supostamente, vão atender a toda essa diversidade da pele negra no Brasil. Ninguém aceita mais uma base que acinzenta. Com o tempo, o mercado passou a ouvir e a entender as nossas especificidades. Ainda estamos muito longe do ideal. O tempo da gente não é o tempo do mundo. Mas, estamos trabalhando para um futuro diferente."

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"Eu queria que esse fosse um espaço em que todos nós pudéssemos nos sentir acolhidas, acolhidos e acolhides. Tem uma potência fortalecedora na beleza que todo mundo deveria ter direito a vivenciar", Tássio Santos

Quando ainda estava na faculdade de Jornalismo, no entanto, nascia um sonho que, até então, não tinha tido a oportunidade de realizar. "Um dia a professora de radiojornalismo sugeriu que eu fizesse um tutorial para a rádio." E, naquele momento, a semente do que se transformou no projeto Sentidos da Beleza, foi plantada. "Há alguns anos, eu tentei montar uma oficina de maquiagem para pessoas cegas ou com baixa visão e acabou que não consegui materializá-lo." Em 2020, em parceria com o banco Bradesco, então, a oficina se transformou em um podcast que, a partir do dia 20 deste mês, estará disponível em todas as plataformas de streaming. O intuito é incluir a população cega e com baixa visão nesse ambiente que, por vezes, é renegado a elas. Com entrevistas e tutoriais especiais, o programa é para todos. O convite feito por Tássio para quem não lida com limitações da visão é o da empatia. De acordo com ele, é importante refletir sobre o tema e entender como cada um de nós pode ajudar na luta pela inclusão. "É uma plataforma nova para mim, mas acho que a gente tirou de letra. Estou muito feliz com o resultado", comemora antes de revelar estar ansioso para descobrir como será a recepção do podcast pelo seu público.

"Meu sonho é que a comunidade de beleza brasileira trabalhe, exista e funcione com o respeito sempre em mente. Como pessoa negra, infelizmente, preciso dizer que como as coisas ainda operam hoje, muitas vezes, elas ainda trazem muitos danos para nós. Eu queria que esse fosse um espaço em que todos nós pudéssemos nos sentir acolhidas, acolhidos e acolhides. Tem uma potência fortalecedora na beleza que todo mundo deveria ter direito a vivenciar", defende. No que depender dele, esse futuro não demora a chegar.

Marcas de beleza capitaneadas por mulheres negras combatem o racismo estrutural e institucional no país e lutam para fazer seus produtos chegarem às consumidoras.



Produtos com nomes como "clareador" ou "branqueador" começam a sair do mapa em alguns países, mas a pergunta continua: por que quem tem a pele escura ainda precisa lidar com microagressões coloristas no universo do skincare?

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