Da orquestra ao confessionário, os detalhes de Lux, o show de Rosalía
Cantora desembarca no Rio para duas apresentações da turnê de seu novo disco.
Quando foi lançado, em novembro do ano passado, Lux, de Rosalía, foi considerado por boa parte da crítica um dos grandes discos de 2025. O álbum traz um ousado mergulho da catalã no universo da ópera e da música clássica, com ares teatrais e dramáticos. Tudo indicava que, quando levasse o trabalho para os palcos mundo afora, não seria apenas um simples show de seu novo trabalho. Nesta segunda (10.08) e terça-feira (11.08), os brasileiros terão a chance de tirar essa prova.
Rosalía traz para as duas apresentações na Farmasi Arena, no Rio de Janeiro, a mesma estrutura com a qual excursionou pela Europa, onde estreou a turnê em março, na França, e pela América do Norte, transportando para o palco a atmosfera de grandiosidade do disco. Por onde já passou, causou o mesmo frenesi.
Confira a seguir cinco destaques da turnê:
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O figurino pensado para cada continente
Ao lado do seu stylist, Jose Carayol, Rosalía vem adaptando o figurino dos shows ao mudar de continente, sempre mantendo a inspiração celestial em um mix com a estética “balletcore”. Na Europa, subiu ao palco com looks customizados de Stefani Gallici para Ann Demeulemeester. Quando a tour chegou aos EUA, brilharam quatro figurinos criados especialmente para as apresentações por Jonathan Anderson, da Dior. Na América do Sul, a cantora vem se apresentando com um mix dos figurinos das etapas anteriores da turnê.
Quatro atos e obras de arte
Enquanto o álbum é dividido em quatro movimentos, como uma jornada, indo do mundano ao divino, nos shows as divisões estão conectadas a obras de arte clássicas. No primeiro ato, Rosalía surge vestida de bailarina dentro de uma caixa de música gigante, inspirando-se no pintor francês Edgar Degas e suas obras A aula de balé e A pequena bailarina de catorze anos. No segundo, embarca no clima gótico para cantar faixas como “Berghain”, parceria com Björk e Yves Tumor, em uma referência a El Aquelarre, de Francisco de Goya. No terceiro, recria a pose de Monalisa, de Leonardo da Vinci, no momento mais pop do show, antes de “La perla”. No quarto, conta com o auxílio do grego Dimitris Papaioannou como diretor de cena. Na coreografia, feita apenas com as mãos dos dançarinos usando luvas brancas, os movimentos invocam obras como a estátua Venus de Milo. No quinto e último ato, Rosalía surge vestindo asas para cantar “Magnolias”, fazendo uma alusão a Ícaro, que, na mitologia grega, voou perto demais do Sol.
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Foto: Beth Saravo
Uma ópera pop com orquestra
O show conta com dois palcos, um principal e um segundo em formato de cruz, que se conecta com o público e onde a cantora faz performances em alguns momentos do show. A britânica Heritage Orchestra, com 22 músicos, fica posicionada ao fundo, em alguns momentos atrás de uma cortina branca, comandada por Yudania Goméz Heredia. A cubana recebeu o convite de Rosalía depois de a cantora ver um vídeo seu analisando a estrutura musical de “Berghain”. Entre os dançarinos que atuam em coreografias que vão do flamenco ao techno estão membros do conhecido coletivo francês (LA) HORDE.
O confessionário
Na introdução de “La perla” é montada uma estrutura semelhante a um confessionário onde a cantora tem recebido celebridades diferentes a cada show, como Karol G (Inglewood, Califórnia), Cara Delevingne (Londres) e Chappell Roan (Oakland, Califórnia), para confissões reais. A ver quem será a personalidade escolhida para o Rio de Janeiro…

Foto: Gareth Cattermole/Getty Images for Live Nation)
De Motomami a Lux
Se em seu visual o novo show se distancia da atmosfera urbana de Motomami (2022), há espaço no set list para o disco que catapultou a catalã na cena pop mundial. Seis faixas têm feito parte do repertório: “Saoko”, “La fama”, “CUUUUuuuuuute”, “La combi Versace”, “Bizcochito” e “Despechá”. Mas Lux, é, claro, domina no repertório, com 15 canções. Rosalía faz ainda uma versão do clássico “Can’t take my eyes off you”, de Frankie Valli, e “La noche de anoche”, parceria sua com Bad Bunny, do disco El último tour del mundo (2020), do cantor porto-riquenho. Uma terceira faixa surpresa tem entrado no set list, a depender do local do show. Já dá para especular se vem aí um hit brasileiro.
Nasce uma bailarina
Enquanto no álbum os 13 idiomas que aparecem nas faixas são fruto de mais de um ano de estudo da cantora, Rosalía se aprofundou para a turnê no balé clássico, que surge como um dos pontos altos da apresentação, logo em seu início. Sem contato anterior com a dança, a cantora treinou intensamente durante um mês e meio com a bielorrussa Tatsiana Yerakhavets, ex-primeira bailarina do Teatro Bolshoi de Belarus e fundadora de uma academia de balé em Barcelona. Fazendo bonito na ponta dos pés, Rosalía tem ganhado elogios de grandes nomes do universo do balé clássico.
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