“Morra, amor” traz Jennifer Lawrence em uma de suas melhores performances

Longa com Robert Pattinson, que discute a maternidade de forma corajosa, acaba de chegar à MUBI.


Morra, amor



CONTEÚDO APRESENTADO POR MUBI

Em uma área rural dos Estados Unidos, um casal cria seu filho recém-nascido. Mas, aos poucos, o comportamento da mãe passa a destoar desse cenário idílico. Enquanto o pai passa dias longe a trabalho, ela, isolada, parece perder sua identidade em meio à vida doméstica. Ele também não corresponde mais às investidas sexuais dela, que não esconde sua insatisfação e suas atitudes erráticas.

Apresentado no Festival de Cannes 2025, onde competiu pela Palma de Ouro, Morra, amor aborda um tema pouco discutido na sociedade e no cinema: o período pós-parto. Estrelado por Jennifer Lawrence e Robert Pattinson, com direção de Lynne Ramsay, o longa acaba de chegar à MUBI.

Corajoso e inquietante, o filme leva o espectador a experimentar a mesma espiral de loucura que a personagem Grace atravessa, numa alegoria que ilustra a experiência de muitas mulheres após a maternidade.

A seguir, conheça mais sobre o filme em quatro takes:

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Tudo começou com Martin Scorsese

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Martin Scorsese e Jennifer Lawrence, a dupla por trás de Morra, Amor Foto: Divulgação

Em 2020, o diretor de Taxi driver ligou para Jennifer Lawrence contando que havia lido Morra, amor em seu clube do livro (sim, ele tem um, privado) e que ela deveria interpretar a protagonista do romance nas telas. A atriz leu a obra em uma sentada só, pouco depois de ter dado à luz seu primeiro filho. “Foi avassalador”, disse, ao The New York Times.

Scorsese não conseguiria dirigir o filme, mas incentivou a atriz a seguir adiante – e quem ignoraria uma recomendação do cineasta? Jennifer, que tem sua própria produtora, abraçou a ideia. E os dois tiraram a ideia do papel como produtores executivos do longa. A parceria deu tão certo que ela será dirigida por Scorsese em um projeto futuro.

O livro

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Jennifer Lawrence e Robert Pattinson em cena de Morra, Amor Foto: Divulgação



No romance de estreia da argentina Ariana Harwicz, publicado em 2012 e sete anos depois no Brasil,
a história se passa no interior da França – no filme, ela é transposta para o estado de Montana, nos EUA.

Em 2018, a tradução inglesa do livro foi indicada ao International Booker Prize. A história foi adaptada para o teatro na Argentina e em Israel. Morra, amor é a primeira parte de uma trilogia “involuntária” de Ariana, na qual as tramas mergulham na relação entre mães e filhos. A obra foi seguida por La débil mental (2014) e Precoz (2016).

A autora estudou roteiro e teatro na Argentina, antes de se mudar para a França, onde se formou em artes cênicas e fez mestrado em literatura comparada.

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O retorno de Lynne Ramsay

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A diretora e a atriz nos bastidores das filmagens Foto: Divulgação

Depois de refletir sobre a adaptação, Jennifer concluiu que o roteiro não deveria ser literal  ou linear, mas poético, já que boa parte da história se passa na cabeça da protagonista. Para ela, Lynne Ramsay seria a única pessoa capaz de dirigir o longa. porque ela é uma poeta.

A diretora escocesa é conhecida principalmente pela adaptação para as telas de Precisamos falar sobre o Kevin (2011, disponível na MUBI), romance de Lionel Shriver, sobre uma mulher que precisa lidar com as consequências de um massacre escolar cometido por seu próprio filho. O filme, que concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes, traz uma das grandes performances de Tilda Swinton.

A produção mais recente de Lynne, vencedora de dois prêmios Baftas, era Você nunca esteve realmente aqui (2017), que também competiu pela Palma de Ouro. O filme deu à escocesa o prêmio de melhor roteiro em Cannes e a Joaquin Phoenix, que interpreta o protagonista, o de melhor ator.

Além de assinar a direção de
Morra, amor, a escocesa é uma das roteiristas da adaptação que ilustra de forma sensorial a experiência que Grace enfrenta.

A ótima performance Jennifer Lawrence

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A atriz no filme Foto: Divulgação

A interpretação de Grace por Jennifer – indicada pela primeira vez ao Oscar aos 20 anos, por Inverno da alma (2011) e vencedora da estatueta por O lado bom da vida (2013), ambos disponíveis na MUBI –, impressiona. A atriz foi indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz por Morra, amor. Para a crítica, é um dos seus papéis mais marcantes. Jennifer encara a nudez, a loucura e a visceralidade da personagem com naturalidade.

Coincidentemente, tanto ela quanto Pattinson são pais de filhos pequenos, e ela estava no segundo trimestre da gravidez de seu segundo filho durante as filmagens do longa. Morra, amor foi o primeiro filme em que ela atuou após se tornar mãe. Para criar a conexão do casal na trama, tão apaixonado quanto complexo, eles fizeram aulas de dança antes das filmagens.

O elenco ainda traz Sissy Spacek (
Carrie, a estranha, disponível na MUBI), como sogra de Grace, que enfrenta o luto do marido, Harry, interpretado por Nick Nolte (O príncipe das marés).

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