Razão e sensibilidade em nova roupagem

ELLE conversou com o elenco da adaptação do livro de Jane Austen, protagonizada por Daisy Edgar-Jones.


Daisy Edgar-Jones em Razão e sensibilidade
Daisy Edgar-Jones no filme que chega aos cinemas. Foto: Alex Bailey / © 2026 Focus Features LLC



Primeiro romance de Jane Austen (1775-1817), Razão e sensibilidade é considerado fundador da comédia romântica, com seus mal-entendidos e ideias que viraram comuns no gênero, como os personagens que de inimigos passam a amantes. 

A história, publicada em 1811, sem o nome da autora, porque na época mulheres não costumavam assinar livros, ganhou várias adaptações. A mais famosa é o filme de 1995 dirigido por Ang Lee e protagonizado por Kate Winslet e Emma Thompson, que ganhou o Oscar de roteiro adaptado, a única estatueta entre as sete a que o filme concorria.

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Nesta quinta-feira (29.10), chega aos cinemas brasileiros a mais nova versão, dirigida por Georgia Oakley, com Daisy Edgar-Jones (de Normal people e Fresh) no papel de Elinor, e Esmé Creed-Miles (da série Hanna) como Marianne. 

As duas e a irmã mais nova, Margaret (Bodhi Rae Breathnach), são obrigadas a se mudar de sua casa junto com a mãe, a Sra. Dashwood (Caitríona Balfe), depois de ela ficar viúva. Elinor e Marianne têm uma ligação profunda e precisam navegar juntas pelas questões do coração, expectativas da sociedade e sobrevivência.

Jane Austen ainda tem mais uma adapatação a caminho: em formato de série, Orgulho e preconceito, com Emma Corrin e Olivia Colman, estreia em 3 de dezembro na plataforma.

ELLE participou de uma entrevista com o elenco de Razão e sensibilidade. Confira os principais trechos a seguir:

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Bodhi Rae Breathnach (Margaret), Daisy Edgar-Jones (Elinor) e George MacKay (Edward) em Razão e sensibilidade. Foto: Alex Bailey / © 2026 Focus Features LLC

Uma nova versão

Daisy Edgar-Jones: “Elinor Dashwood é uma personagem literária que eu amava desde pequena. E sentia que a compreendia de verdade. Mas, quando li o roteiro de Diana (Reid) e vi a visão que Georgia (diretora) tinha para a obra, achei tudo muito empolgante. Parecia algo novo, justamente pela forma única como elas abordaram esse material. Para mim, foi maravilhoso que Diana tenha permitido que, em certos momentos, uma ponta de ferocidade transparecesse na minha Elinor. Porque, embora ela ocupe o lugar da razão, é uma pessoa repleta de paixão e sensibilidade, que se tornou muito habilidosa em controlar esses sentimentos e contê-los. Ter esses momentos para extravasar é algo que me entusiasma muito. O grande trunfo de Austen é o fato de ela escrever sobre a experiência humana. Assim, mesmo que essas personagens tenham sido criadas há 200 anos, todos nós conhecemos uma Marianne ou uma Elinor”.

Esmé Creed-Miles: “Ao criar algo, você coloca um pouco de si mesma naquilo. Temos muito respeito e admiração por todas as versões anteriores desta história e consciência de que somos únicos, com nossas próprias experiências de vida. Por isso, o simples ato de criar algo já resulta em algo novo, desde que você permaneça fiel aos seus próprios instintos”.

Frank Dillane: “Austen é atemporal. E os temas sobre os quais ela escreve transcendem gerações”.

“O grande trunfo de Austen é o fato de ela escrever sobre a experiência humana” Daisy Edgar-Jones

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O romance antes do Tinder

Daisy Edgar-Jones: “Gosto da ideia de escrever cartas (como no filme). Isso intensifica ao máximo o anseio, porque você precisa esperar bastante tempo por uma resposta (risos)”.

Caitríona Balfe: “Gosto de escrever cartas, você leva mais tempo para falar sobre a sua vida. Mensagens de texto são uma troca ágil. E também dos bailes, das danças coletivas (da época) e da ideia de conhecer gente na vida real”.   

A química das irmãs

Daisy Edgar-Jones: “Foi algo muito instintivo. Esmé e eu trabalhamos juntas quando eu tinha 19 anos e ela, 17 (no filme Pond life, de 2018). Nutrimos um grande carinho uma pela outra. Houve um momento realmente marcante durante o teste entre nós. Tivemos que interpretar uma cena bem longa, em que Elinor e Marianne estão, de certa forma, mais distantes uma da outra. Estava nervosa, porque era a primeira vez que interpretava aquelas cenas em voz alta. Você tem uma ideia do que quer fazer, mas é só quando está, de fato, na mesma sala com a outra atriz que realmente entende. Lembro-me de fazer aquela cena com a Esmé e pensar: ‘Ah, encontrei a Elinor’. Foi por meio dessa troca com ela. Como a Esmé traz uma profundidade mágica e intensa ao seu trabalho, me senti completamente imersa nas personagens enquanto as interpretávamos juntas. E há todos aqueles momentos em que trançamos o cabelo uma da outra, com um contato físico muito bonito. Afinal, grande parte da irmandade consiste em uma história compartilhada. E já tínhamos isso”.

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A diretora Georgia Oakley com Daisy Edgar-Jones e George MacKay nos bastidores do filme. Foto: Alex Bailey / © 2026 Focus Features LLC

A construção de Sra. Dashwood, a mãe das protagonistas 

Caitríona Balfe: “Lembro que havia uma menção sobre o otimismo dela, pelas minhas conversas com a Georgia e pelo roteiro da Diana. Isso é algo que queria captar. O que mais me encantou é que ela é bem diferente de muitas das matriarcas presentes nas obras de Austen. Não é calculista, não fica manipulando as situações. Tem uma fé inabalável de que suas filhas encontrarão o próprio caminho, o que, para mim, é uma forma muito bonita de demonstrar amor. Ela permite que as garotas sejam quem realmente são. Tentei torná-la uma mãe muito amorosa e, acima de tudo, alguém que valoriza profundamente as filhas”.

No ritmo da dança

Daisy Edgar-Jones: “Aprendi a coreografia em dois dias (para os bailes da história). Eu estava bem doente e todos aqueles giros foram um desafio e tanto. O que adorei nas danças é que elas são bem marcantes e contam uma história”.

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Esmé Creed-Miles (Marianne) e Daisy Edgar-Jones (Elinor) no longa. Foto: Alex Bailey / © 2026 Focus Features LLC

Os figurinos

Caitríona Balfe: “Grace Snell (figurinista) fez um trabalho incrível. Ela queria que fosse realista. As roupas foram tingidas com corantes naturais. E às vezes as roupas são compartilhadas entre as meninas, como qualquer irmã faria. A Sra. Dashwood está de luto, e as roupas contam a história de que ponto ela está. Conforme o filme avança, outras cores vão chegando, para que ela não fique constantemente de preto da cabeça aos pés. E o mesmo com as meninas. Isso conta a trajetória emocional delas”. 

Daisy Edgar-Jones: “Tudo foi feito com muita intenção. Considerando que se trata de uma obra que já foi adaptada diversas vezes, o desafio é como torná-la de alguma forma nova e fazer com que pareça diferente. Acredito que o objetivo era dissolver as barreiras que, às vezes, sentimos em obras de época. Os personagens falam de uma maneira muito poética e usam roupas que não vestiríamos hoje. Houve um vestido que foi ajustado para um corte mais moderno, justamente para evidenciar que aquelas mulheres haviam perdido sua fortuna. Elas precisam ser econômicas com suas roupas. A casa das Dashwood não tem nenhum homem. É muito interessante explorar esse período e refletir sobre como teria sido a vida íntima dessas mulheres. Nos retratos da época, vemos uma versão da realidade um tanto mais produzida. É algo bem parecido com o que acontece hoje no Instagram. Mas, quando as mulheres estavam entre si, é provável que estivessem um pouco mais à vontade”.

Caitríona Balfe: “Elas são uma família sem funcionários. Esse é um fator muito importante. A ideia de que todas acordariam de manhã e passariam uma hora arrumando o cabelo umas das outras é algo simplesmente ridículo”. 

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