LFW: Mulberry, verão 2027

Três anos após fechar sua marca homônima, Christopher Kane retorna às passarelas da semana de moda de Londres como diretor criativo da Mulberry.


Mulberry por Christopher Kane, verão 2027.
Mulberry por Christopher Kane, verão 2027. Foto: Getty Images



Uns 20 ou 15 anos atrás, Mulberry e Christopher Kane eram dois nomes importantes da semana de moda de Londres, e também bastante diferentes. A primeira é uma marca britânica fundada em 1971, conhecida pelo estilo meio preppy, meio yuppie e, sobretudo, pelos acessórios de couro. As bolsas eram hit nas duas primeiras décadas dos anos 2000. O segundo, um estilista escocês, que lançou uma etiqueta homônima em 2006 e se tornou uma grande revelação, graças à sua capacidade de subverter e sensualizar os temas mais banais, improváveis e não atraentes. Isso e outras maravilhas técnicas.

Como tantas outras empresas independentes, a de Christopher não resistiu aos baques financeiros da pandemia. Em 2023, ele e Tammy Kane, sua irmã e parceira desde o início, encerraram as atividades da grife. Em 2010, a Mulberry tentou se reposicionar no mercado, aumentando os valores dos produtos. Foi um tiro no pé. Um dos seus principais diferenciais era a oferta de itens com boa qualidade a um preço acessível. As vendas despencaram. 

A recuperação foi complicada e levou tempo. Teve o Brexit, alta rotatividade na liderança, covid, tentativa de compra e corte de um quarto dos cargos corporativos. Agora com um novo CEO, a situação dá sinais de melhora. O investimento em identidade britânica e em trabalho manual contribuiu para um crescimento de 23% no primeiro trimestre deste ano fiscal. Faltava só verniz criativo e autoridade de moda.

Mulberry por Christopher Kane, verão 2027.

Mulberry por Christopher Kane, verão 2027. Foto: Getty Images

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Mulberry por Christopher Kane, verão 2027. Foto: Getty Images

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Mulberry por Christopher Kane, verão 2027. Foto: Getty Images

Mulberry por Christopher Kane, verão 2027.

Mulberry por Christopher Kane, verão 2027. Foto: Getty Images

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Em março, a Mulberry anunciou Christopher Kane como diretor criativo. Sua primeira coleção foi apresentada neste domingo (20.09). O couro, material importante na história da grife e recorrente na trajetória do designer, é a base de tudo. O visual é limpo, com linhas geométricas e uma cartela de cores contida, quase toda neutra, exceto por uma jaqueta laranja.

Em entrevista ao site The Business of Fashion, o estilista disse não ter encontrado muitos registros de roupas nos arquivos Mulberry. Para isso, recorreu à própria memória. Lembrou das camisas de futebol e suéteres estampados que seus irmãos – e um tanto de gente – usavam durante sua infância e adolescência. Geralmente, combinando essas peças com jeans e camisa xadrez, tipo alguns looks (os melhores) desfilados nesta estreia em dose dupla.

Sobre os acessórios, havia documentação de sobra. É compreensível: são eles – sempre foram – o carro-chefe em termos comerciais. As formas retangulares e recortadas que se sobrepõem em vestidos, blusas e saias, de couro e de um tecido brilhante e translúcido, são inspiradas nas abas e em outros elementos de bolsas famosas da marca – em especial a Bayswater e a Piccadilly.

Mulberry por Christopher Kane, verão 2027.

Mulberry por Christopher Kane, verão 2027. Foto: Getty Images

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Mulberry por Christopher Kane, verão 2027. Foto: Getty Images

Mulberry por Christopher Kane, verão 2027.

Mulberry por Christopher Kane, verão 2027. Foto: Getty Images

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Mulberry por Christopher Kane, verão 2027. Foto: Getty Images

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Christopher ainda introduziu dois modelos de bolsa de sua autoria: a The Rocker e a Chop. Esta última tem o desenho da parte afiada de um machado. Alguns sapatos também apresentam saltos no formato da ferramenta. É que mulberry é a amoreira em inglês, e a poda (ou corte) da árvore estimula a produção de frutos maiores. Isso não se faz com machados, mas, na cabeça do estilista, tal prática é semelhante ao processo de edição de uma coleção e de construção de uma marca. 

É preciso dar tempo para ver como essa árvore vai crescer, se dará bons frutos. Faz apenas seis meses que esse cultivo começou. Por ora, o resultado é incerto, em cima do muro. O manuseio do couro faz sentido, porém é demasiadamente técnico, conceitual. Para mim, parece até antigo. Afaga a saudade das criações emblemáticas de Christopher Kane, é verdade. Mas não as conecta com os rumos da moda de agora. 

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