Paris Fashion Week: Dior, inverno 2025

Com referências a "Orlando", de Virginia Woolf, e às camisas do estilista Gianfranco Ferré, a diretora de criação Maria Grazia Chiuri viaja na história em nova coleção da Dior.


Paris Fashion Week: Dior inverno 2025.
Dior, inverno 2025. Foto: Getty Images



O que todo mundo queria saber é se o desfile de inverno 2025 da Dior seria o último de Maria Grazia Chiuri na direção criativa da marca. Há indícios? Há. Pela primeira vez, não teve colaboração ou parceria nenhuma com uma artista na decoração da sala de desfile. Mas ninguém sabe ao certo. Nada oficialmente comunicado. Então, vamos deixar a boataria para depois e nos concentrar nos fatos.

Fatos, aliás, históricos. É que, nesta temporada, a estilista decidiu explorar as mudanças da moda ao longo dos tempos. As referências são quase todas das eras medievais, elisabetanas, victorianas. E com um recorte especial para as roupas da alta-sociedade ou da nobreza europeia.

Tem vestido de renda com modelagem tipo armadura, várias releituras de crosets, casacas e fraques ao longo de quase todo o desfile, saias armadas (uma versão mais leve, jovem e pop daquelas vistas na alta-costura)e um tanto de camisas com babados nas mangas e nas golas.

Paris Fashion Week: Dior inverno 2025.

Dior, inverno 2025. Foto: Getty Images

Paris Fashion Week: Dior inverno 2025.

Dior, inverno 2025. Foto: Getty Images

Paris Fashion Week: Dior inverno 2025.

Dior, inverno 2025. Foto: Getty Images

Paris Fashion Week: Dior inverno 2025.

Dior, inverno 2025. Foto: Getty Images

Leia mais: Tudo sobre a semana de moda de Paris de inverno 2025

Falando nelas, nas camisas e nas golas, temos informações importantes: algumas dessas estruturas tipo rufos são destacáveis e foram inspiradas no romance Orlando, de Virginia Woolf. A transição do protagonista, aliás, serve de pano de fundo para as muitas referências à moda masculina de períodos distintos da história.

O foco nas camisas também tem uma conexão especial com o passado da maison Dior. Elas são uma das peças favoritas do estilista italiano Gianfranco Ferré, conhecido como arquiteto da moda. Ele ocupou a direção criativa da marca entre 1989 e 1996, depois de Marc Bohan e antes de John Galliano. Não por acaso, o estilo da Dior naquela época recuperou ares de uma moda aristocrática de tempos anteriores.

Outro aceno à herança da casa é a reedição da camiseta J’Adore Dior, lançada por John Galliano nos anos 2000. Agora, ela vem um pouco mais comprida, decorada com rendas ou pelúcias em preto e branco. 

Paris Fashion Week: Dior inverno 2025.

Dior, inverno 2025. Foto: Getty Images

Paris Fashion Week: Dior inverno 2025.

Dior, inverno 2025. Foto: Getty Images

Paris Fashion Week: Dior inverno 2025.

Dior, inverno 2025. Foto: Getty Images

Paris Fashion Week: Dior inverno 2025.

Dior, inverno 2025. Foto: Getty Images

Leia mais: Dior Men, inverno 2025

É uma coleção bastante bela. Provavelmente uma das com mais sustância e maior consistência de Maria Grazia nas últimas estações. Só não é exatamente nova ou relevante. Claro, a moda – e muito consumidor – ama um revisionismo histórico, uma boa nostalgia. 

Acontece que o mercado está há um bom tempo se alimentando só disso e, pelo que tudo indica, não é uma refeição muito nutritiva. Reforça a memória, mas não dá força suficiente para seguir em frente. 

E aí, voltamos aos boatos. Diz à boca miúda que o grupo LVMH deve fazer mudanças no comando da Dior, marca queridinha do chefão Bernard Arnault. Kim Jones, ex-diretor criativo da linha masculina, já saiu. Seu substituto em potencial seria Jonathan Anderson, atualmente na direção da Loewe. Segundo gente que trabalha na etiqueta, ele já está batendo cartão no ateliê e formando equipe – e deve assumir também o feminino. O desfile de cruise em Roma, previsto para maio, é capaz de ser o último de Maria Grazia. Será?

Para ler conteúdos exclusivos e multimídia, assine a ELLE View, nossa revista digital mensal para assinantes