Penha Maia, 2026
Penha Maia apresenta coleção inspirada na arquitetura paulistana, em desfile no Viaduto Santa Ifigênia, no centro de São Paulo.
Paraibana radicada em São Paulo há mais de duas décadas, a estilista Penha Maia cria vestidos de noivas na Pó de Arroz há 16 anos. Desde 2020, ela comanda também uma marca homônima, famosa pelas volumetrias e estética surrealista.

Penha Maia, 2026. Foto: Zé Takahashi

Penha Maia, 2026. Foto: Zé Takahashi

Penha Maia, 2026. Foto: Zé Takahashi

Penha Maia, 2026. Foto: Zé Takahashi
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O primeiro desfile da etiqueta mais recente foi em julho de 2024, na Biblioteca Mário de Andrade, homenageando a Pauliceia Desvairada (1922). Dois anos depois, a designer volta às passarelas inspirada pela capital paulista – desta vez, por sua arquitetura. No domingo (26.07), o Viaduto Santa Ifigênia serviu de palco para a apresentação de Brutalismo: Corpo Humano.
Entre os 46 looks, há modelagens geométricas no formato de casas e prédios. O styling incorpora equipamentos de proteção usados em obras para remeter à ideia de construção. Na coleção existem alusões a uniformes industriais e uma predileção pelo tom cinza, somado a amarelos e vermelhos vivos, idênticos aos da sinalização de trânsito. Indo além dos tecidos tradicionais, algumas peças são feitas de materiais inusitados, como espuma, arame, isopor, duto de ar-condicionado e plástico-bolha.

Penha Maia, 2026. Foto: Zé Takahashi

Penha Maia, 2026. Foto: Zé Takahashi

Penha Maia, 2026. Foto: Zé Takahashi

Penha Maia, 2026. Foto: Zé Takahashi

Penha Maia, 2026. Foto: Zé Takahashi

Penha Maia, 2026. Foto: Zé Takahashi
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As silhuetas com contornos de retângulos, triângulos e circunferências fazem alusão ao Balé Triádico da Bauhaus. Penha afirma, porém, que todos os itens são reproduzíveis, com exceção das criações feitas de upcycling. Apesar das propostas conceituais, vários artigos são fáceis de usar na rua, como a regata de malha com barra e alças distorcidas por hastes metálicas e os vestidos de renda. Pela primeira vez, a grife revela trajes masculinos de alfaiataria, como paletós.
A arquiteta Lina Bo Bardi, responsável por edificações emblemáticas do município, é referenciada. Dois visuais brincam com as cores e o formato do Museu de Arte de São Paulo, o MASP, enquanto reproduções de telas que integram o acervo da instituição aparecem nas costas de um blazer e no busto de um slip dress – são as obras Lunia Czechowska (1918), de Amedeo Modigliani, e Rosa e azul: As meninas Cahen d’Anvers (1881), de Pierre-Auguste Renoir.

Penha Maia, 2026. Foto: Zé Takahashi

Penha Maia, 2026. Foto: Zé Takahashi

Penha Maia, 2026. Foto: Zé Takahashi

Penha Maia, 2026. Foto: Zé Takahashi

Penha Maia, 2026. Foto: Zé Takahashi
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“Pensei no corpo pedindo passagem no meio de tanta verticalização de concreto”, afirmou Penha, antes do show. Por isso, sobram detalhes que remetem à intimidade. É o caso das calcinhas com frufrus, das estampas floridas semelhantes às de papel de parede, das peças acolchoadas, das transparências e dos sobretudos cortados pela metade, na vertical, para revelarem o vestuário de baixo. Essa é a ala final, mais romântica, desenvolvida em uma paleta de cores esmaecidas e que melhor traduz a sensibilidade da criadora.
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