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Lifestyle

Você já viu esta casa?

Escavada em uma montanha e rodeada por um jardim espetacular, a Casa Orgânica, na cidade do México, virou hit nas redes sociais e set recorrente em produções de moda. Conheça a história desse refúgio sem igual, que conquistou os fashionistas.

Foto: Divulgação
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Uma casa escondida nas curvas de uma colina, nos arredores da cidade do México, está se tornando um destino fashion dos mais hypados. Projetada pelo arquiteto mexicano Javier Senosiain e erguida no distrito de Naucalpan De Juárez, em 1984, a construção chama a atenção pelas formas sinuosas, com cômodos que entram montanha adentro, lembrando cavernas escavadas na terra. Por isso, o nome Casa Orgânica desse espaço, que tem fascinado editores de moda e celebridades ao redor do planeta. Nos últimos tempos, o lugar se tornou um hit nas postagens do Instagram (dê uma olhada nas contas de Carolina Ponce, da AgênciaEdita, de Nelson Camargo, da Farm, e da fashion designer Helô Rocha) e passou a ser disputado como locação para editoriais de publicações badaladas.

Rodeada por um imenso jardim, a casa de 178 m2 foi moldada com cimento sobre uma estrutura de metal curvilínea. São dois blocos ovais, unidos por uma passagem subterrânea (imagine dois amendoins com casca interligados). Na primeira parte, sala de estar, sala de jantar, cozinha e área de convivência formam a área solar; na segunda, mais na penumbra, os quartos. E ao contrário do que se pode imaginar, tudo é arejado e bem iluminado. Conforme se caminha dentro dela, tem-se a sensação de penetrar na encosta da montanha. A inspiração para o projeto veio da ligação com o primitivo. "Imaginei o homem como um animal, voltando às suas origens, em conexão com a natureza, em contato com a mãe Terra. Pensei nos abrigos, onde os bichos adaptam seus corpos a cada canto", explica Senosiain, lembrando que o também arquiteto mexicano Luis Barragán, ganhador do Prêmio Pritzker em 1980, costumava dizer que os animais procuram a escuridão. Daí a relação interessante de se entrar na casa avançando em direção ao centro da terra.

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Vista de cima, a casa parece um grande jardim.Foto: Divulgação

Atualmente, o lugar funciona apenas para exposição e sessões de foto, mas Senosiain morou ali feliz da vida com a família durante 25 anos. "Foi uma experiência muito agradável", lembra. Para ele, o que cativa o público é a harmonia com a natureza, a fluidez, a sensação de estar abrigado e o silêncio preservado pelo verde que cobre o telhado, funcionando ao mesmo tempo como isolante térmico e acústico. Uma combinação mágica! "Sem contar que, há 37 anos, quando a casa ficou pronta, não havia o nível de consciência ecológica que temos agora. Os jovens e mesmo as crianças de hoje são muito mais preocupados com a questão ambiental do que naquela época". Está explicado por que a casa voltou a ser motivo de encantamento em pleno 2021.

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Além da questão ambiental, outra referência forte no projeto foi o trabalho do catalão Antonio Gaudí. "A forma como usava as curvas, a continuidade do traço, a tentativa de integrar função e espaço e estrutura e forma, bem como abraçar as artes plásticas, a cor e a escultura no âmbito da arquitetura são elementos de sua obra que estão muito presentes aqui", entrega Senosiain.

É casa ou escultura? O catalão Antonio Gaudí foi uma das referências do arquiteto Javier Senosiain.Foto: Divulgação

Mas há ainda mais para explorar. Por dentro, a casa tem um certo perfume alternativo dos anos 1970 e guarda uma aura lúdica, que acaba seduzindo todo visitante que coloca os pés ali. É possível, por exemplo, caminhar pelo terreno sem se dar conta de que, de repente, você está em cima de uma das salas. Já os corredores internos são baixos, estreitos e escuros. "Eles existem para que a gente viva uma aventura neles, e não para suprir uma simples necessidade de ir e vir", avisa Senosiain, entusiasmado. Até a casinha do cachorro, que pode ser avistada da sala, é um buraco embutido no gramado. Tudo é integrado e funciona de forma orgânica. Apenas as proporções mudam por meio de transições suaves.

Na parte alta do terreno, foi erguido um anexo na década de 1990, para acomodar melhor a família que crescia. Batizada de El Tiburón (o Tubarão) por causa do formato, a construção de concreto inclui uma barbatana e um escorregador, que a contorna pela lateral. Garantia de diversão para a molecada. Da bocarra envidraçada ou do terraço logo abaixo dela, tem-se uma visão panorâmica do Parque dos Remédios lá embaixo. Aliás, a vista, de tirar o fôlego para qualquer lugar que o olhar alcance, é uma das coisas mais bacanas. Não é à toa que os turistas gastam horas perambulando por essa imensidão.

El Tiburón: ampliação da casa tem formato de tubarão com boca envidraçada e escorregador lateral.Foto: Divulgação

Mais do que um lugar para morar, a Casa Orgânica propõe outra mentalidade de vida. A sensação de conforto não vem do luxo ou do excesso. Aqui, há poucas portas, nada de cortinas e nenhuma gaveta para acumular objetos, apenas nichos esculpidos nas paredes (quer prova maior de desapego?). Apenas o essencial para se manter vivo. Enquanto lá fora, grama, arbustos e árvores se encarregam de produzir o oxigênio e filtrar o carbono, criando um microclima perfeito. Tudo pensado há mais de três décadas, mas em total sintonia com a busca pelo morar mais simples, saudável e autêntico dos dias atuais.

Tour pela Casa Orgânica

Foto: Divulgação

A conexão com a natureza e o primitivo guiou o arquiteto mexicano Javier Senosiain na criação da Casa Orgânica.

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