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Coordenar estilos é próprio dos casais famosos. Colidindo com o auge da cultura dos paparazzis nos 2000, estrelas apaixonadas, de Britney Spears e Justin Timberlake a Beyoncé e Jay-Z, surgiram publicamente combinando seus visuais. Duas décadas depois, Machine Gun Kelly e Megan Fox impulsionam essa lógica, mas com um romantismo algo sombrio que é a cara do nosso tempo –especialmente hoje, claro, que é sexta-feira 13!

Trajados com peças complementares pretas, a dupla foi fotografada com as unhas dos mindinhos perfuradas e unidas por uma corrente de prata. O acessório era uma referência a um antigo mito chinês, cuja história afirma que almas gêmeas são unidas por um comprimento invisível de um cordão vermelho, enrolado em torno dos dedos pela divindade casamenteira lunar.

Em 1980, o joalheiro alemão Otto Kunzli já havia lançado tal sentimento em aço inoxidável. Apresentando dois anéis unidos por uma haste, o “ring for two people”. A peça representava uma interpretação contemporânea, complexa e, talvez, pessimista do conto, abordando tanto proximidade quanto aprisionamento.


Historicamente, há todo um espectro de acessórios que simboliza o amor, a simbiose e a devoção. Machine Gun Kelly e Megan Fox se acorrentam para o mundo ver, quase como faziam os casais no século 18, quando usavam medalhões preenchidos por cabelos do amante. É difícil definir com precisão o que separa a joia de conexão da joia de posse, mas essa linha parece tênue e, às vezes, chega atá a lugares sombrios.

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Pense, por exemplo, nos tablóides de décadas passadas revelando que Angelina Jolie e Billy Bob Thornton usavam frascos de sangue um do outro. Em 2008, a atriz afirmou, em entrevista ao Entertainment Weekly, que eles fizeram cortes nos dedos e os pressionaram para extrair o líquido. “Achamos romântico”, disse a atriz.

Talvez, em um aceno inconsciente ao caso, Lil Nas X, em parceria com o coletivo MSCHF, lançou em 2021 os Satan Shoes (ou, sapatos de satanás), que consistia em par de tênis ao qual foi adicionado uma gota de sangue humano na confecção.

Desde então, os acessórios nunca pareceram tão demoníacos ou, no mínimo, fetichizados. Alfinetes, chifres e até referências a ossos se tornaram elementos importantes para as marcas. Enquanto a designer belga Stéphanie D’heygere viralizou no Instagram ao transformar qualquer objeto, incluindo algemas, em joias, a Givenchy, em sua coleção de inverno 2022, empenhou-se em manipular ferragens construindo uma imagem melancólica.

Bolsa de vidro com chifres viraliza na internet.Bolsa de vidro do inverno 2022 da Coperni, que viralizou nas redes sociais.Divulgação

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Nenhum item, porém, foi tão comentado quanto a versão de vidro do sucesso Swipe Bag da Coperni. Em parceria com a Heven, marca nova-iorquina fundada por Breanna Box e Peter Dupont, a bolsa ganhou chifres de diabo e, em uma questão de dias, estava por todos os lugares.

No desfile da marca, foi Gigi Hadid quem empunhou a peça, depois, no Grammy, Doja Cat apareceu com ela ao receber um prêmio, e, por último, em um evento do The Kardashians, Kylie Jenner fez do acessório o protagonista do seu visual.

Quase desafiando a existência da bolsa, a fragilidade do vidro que a forra colide com a melancolia diabólica dos chifres. Essa dualidade não é novidade na moda, Alexander McQueen que o diga. Serial killers do século 19, asilos psiquiátricos vitorianos e os contos de fadas góticos dos irmãos Grimm foram algumas das referências exploradas pelo estilista britânico em sua carreira meteórica.

Mas, agora, é a tensão entre o horror e o belo, a fuga de um e a busca pelo outro, que dá vida nova aos acessórios. É um sentimento controlado, no entanto, como se houvesse um desejo de gritar, mas também o receio de quem alguém poderia ouvir o grito ao virarmos a esquina.

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Haja vista o estado febril dos pesadelos sociopolíticos e traumas generalizados da atualidade, não é mesmo de se estranhar que a moda diabólica tenha emergido novamente. E, parafraseando Zé do Caixão, à meia-noite ela pode até levar nossas almas.

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