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Alexia Hentsch é um nome conhecido entre fashionistas amantes do Carnaval carioca. É que a designer é a responsável por alguns dos bodies e acessórios de cabeças mais cobiçados de bailes, como o Sarongue e o da Arara. Em paralelo, todo ano ela desenvolve uma coleção puramente artística, que serve como uma espécie de vitrine para suas produções, digamos, mais comerciais. No ano passado, por exemplo, ela lançou a coleção La Vie En Rose, toda em tons de rosa. Tinha vestido de bexigas em forma de corações, lagostas e golfinho e até um body coberto por orquídeas naturais. Como se sabe, em 2021 não teve folia, mas isso não foi um impedimento criativo para Hentsch.

Com nome de Domesticamp, a nova coleção é um reflexo do período em que a designer e figurinista passou dentro de casa, em isolamento por conta da pandemia da Covid-19. "Sem fazer grandes coisas, simplesmente comecei a cortar toalhas de mesa para produzir algumas roupas e, assim, nasceu o projeto", diz ela. "Se você tiver um olhar mais atento, vai perceber que todos esses objetos são, na verdade, muito bonitos."

Itens que encontrou em sua própria morada foram complementados com outros garimpados na feira de rua que acontece todo domingo, no bairro paulistano de Santa Cecília. "Eram vassouras, toalhas de mesa, tapetes de banho, sacolas de mercado, cortinas de chuveiro, colheres de plástico", explica ela sobre alguns dos objetos que compõem a coleção de 12 looks. "Tem ainda uma certa nostalgia, afinal são coisas que lembram as casas das nossas avós." É um movimento, aliás, bem recorrente na moda. Não são poucas as marcas e coleções que transformaram o cotidiano doméstico em roupas e acessórios.

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A história poderia ter ficado só na brincadeira, não fossem as referências de moda que revisitam modelagens de looks Paco Rabanne e Yves Saint Laurent dos anos 1960 e 1970. "Explorei as criações dessas épocas, mas desenvolvendo vestidos de plástico, saias e camisas de rolos de Perfex e panos de cozinha." Os acessórios de cabeça, um de seus pontos fortes, também ganharam novas interpretações, ainda que mais contidas. "Geralmente, eles crescem com muito exagero e, nesta coleção, tive que adaptá-los para entrarem num look específico, diferente da loucura foliã."

Não que não haja uma boa dose de excesso e festividade. O próprio nome Domesticamp já indica isso. "Sei que o momento não é de festa, mas quis fazer isso com um pouco de alegria, trazendo otimismo para esse ano que foi meio merda", comenta Hentsch. "Meu trabalho é muito dinâmico, saio catando coisas, viajando, observando e, de repente, não tinha mais nada disso. Foi a maneira que encontrei de fazer algo positivo e focar minha criatividade em casa."

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A nova maneira de observar a própria intimidade e a noção de domesticidade também influenciou a escolha da locação do shooting e filme da coleção: a Casa de Vidro, de Lina Bo Bardi. O trabalho da arquiteta tem relação íntima com a representação e lugar da mulher na sociedade. Entre algumas de suas ideias e propostas estava a não dependência e aprisionamento delas no ambiente doméstico. "Achei um tanto irônico que, nesse momento de pandemia, 70 anos depois, tivemos que voltar para casa, então quis brincar um pouco com essa ideia, fotografando mulheres de todos os tipos nesse espaço e com essas roupas."

Como nos projetos anteriores, os looks Domesticamp não serão comercializados, mas ficarão no acervo da designer para possíveis colaborações com projetos musicais, editoriais, cinema ou teatro. Ela também realiza encomendas pontuais, mediante disponibilidade, e segue com outros trabalhos comerciais, como as coleções em parceria com a multimarcas Pinga e as vendas em seu e-commerce.

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