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Neste mês, a Tommy Hilfiger se juntou a diversos artistas, músicos e ativistas do Sul e Norte Global para fotografar, a partir de perspectivas locais, como essas pessoas usam a música para catalisar mudanças sociais. Ao todo, são 27 convidados entre indivíduos e coletivos, como Zoey Lily (Reino Unido), Dee Koala (África do Sul) e Akini Jing (China). No Brasil, quem estreou foi a Batekoo, um coletivo focado no entretenimento, cultura e informação para a juventude negra e LGBTQIA+.


Com isso, a Tommy objetiva abraçar a diversidade e promover novas narrativas nas imagens de moda. "Durante anos, comunidades negras, indígenas e grupos sub-representados não tiveram oportunidades ou acessos iguais; a moda é autoexpressão e todos, independentemente de raça, idade, sexualidade ou habilidade, devem ser capazes de desfrutar disso. Reestruturar a indústria para fazer melhor não será fácil, mas tem que ser feito", afirma Tommy Hilfiger, fundador da marca, em entrevista à ELLE. A etiqueta faz parte da PVH Corp. desde 2010 e tem capilaridade mundial, com pontos de distribuição em mais de 90 países e vendas que ultrapassaram 9 bilhões de dólares só em 2019.

Como outras formas de acelerar a diversidade na moda, Hilfiger destaca o programa Peoples Place's Program, lançado em julho de 2020, que soma US$ 5 milhões em investimentos. Trata-se de uma plataforma para fomentar o trabalho de pessoas negras e indígenas, focado em parcerias, representatividade, suporte à carreira e acesso ao mercado. "Estamos empenhados em fazer a nossa parte para tornar a indústria da moda mais acessível e promover diversos talentos", comenta o fundador sobre o programa.

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Juju ZL posa com p\u00e9 cadeira para campanha da Tommy Hilfiger. Juju ZL, integrante da Batekoo, para a Campanha "A Música Nos Leva Além" com peças da coleção Tommy Jeans 2021.Foto Cortesia | Tommy Hilfiger

Juju ZL posa com p\u00e9 cadeira para campanha da Tommy Hilfiger.

Para a Batekoo, estrear uma campanha de uma grife global tem muito significado. "Cresci vendo [a marca] em todas as pessoas onde moro, mas nunca entendi como algo para mim, tinha uma conexão muito distante. Então [estrear a campanha] foi como pegar no colo, abraçar e falar que isso é nosso. Não é um nome qualquer", compartilha Juju ZL, integrante da Batekoo. "É muito importante, pois estamos validando que não é anormal ter um corpo como o meu. Não que nosso discurso sem as marcas não seja importante, mas é importante ver os nomes que admiramos fazendo isso", conclui.

Dançando com a moda

"A música é muito usada como voz e protesto", diz Mauricio Sacramento, integrante da Batekoo. De fato, ela funciona como um catalisador de mudanças e consegue expor nossos espíritos do tempo - assim como a moda. Por isso, o caso de amor entre as duas. Essas relações têm o centro nas periferias urbanas: podemos citar o samba, o funk, o jazz e o hip-hop que marcam seus tempos, cada um à sua maneira, e têm o vestuário como grande aliado.

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Na Tommy, a música sempre fez parte da história da grife. Desde o início de sua carreira, Hilfiger foi inspirado por ela. Diversos artistas, principalmente da cena do hip-hop estadunidense, ajudaram a difundi-la. Mas foi só em 1994, quando Snoop Dogg apareceu em seu show no Saturday Night Live com uma camiseta com listras vermelhas, brancas e azuis escrito "Tommy", que a marca decolou. Dois anos mais tarde, em 1996, surgiu a Tommy Jeans, que incorporou ainda mais artistas da cena, não sem passar por momentos conturbados mediante uma acusação de racismo - porém isso pouco abalou a etiqueta em seu sucesso.

Snoop Dogg usando camiseta da Tommy, durante show na Staurday Night Live. Snoop Dogg usando camiseta da Tommy, durante seu show na Saturday Night Live, em 1994.Foto: Reprodução ICON

"Acho que a moda está totalmente vinculada à música e ambas estão vinculadas à cultura e à vivência", continua Sacramento. A Batekoo, atualmente, engloba uma escola e uma produtora musical, mas surgiu como uma festa, em Salvador, no ano de 2014. "A moda está inserida nessa coisa de criar sua versão de si mesmo, a forma como você quer ser visto, independente de onde você está ou como você é. A Batekoo é muito visual, é algo muito potente na festa."

Porém, se antes era possível observar de perto como as pessoas se montavam para compor as pistas de dança da Batekoo, hoje, com as restrições impostas pela Covid-19, ficou mais difícil. Mesmo assim, no online, o visual não deixou de estar presente. "Quando a gente fez a festa no Zoom, percebemos que a galera estava arrumada em casa", ressalta Sacramento. Mesmo sentindo uma troca diferente, ele acredita que a energia com as pessoas foi a mesma. Quase tudo da plataforma teve que ser adaptado para o digital e mesmo com as dificuldades da pandemia a equipe viu o ano de 2020 com um saldo positivo e tem projetos novos no forno.

A diversidade na moda é realmente diversa?

Apesar dos esforços de muitas empresas - de grandes à pequenas - incluírem uma diversidade de corpos, etnias e narrativas, isso ainda aparece de forma insuficiente na moda. Olhando para as passarelas, na temporada de inverno 2020 da Semana de Moda de Nova York, a porcentagem de mulheres não-brancas desfilando era de 43%, e a porcentagem de modelos "plus-size" caiu de 86 para 46 (Fashion Spot). Na São Paulo Fashion Week os números são ainda mais baixos: em 2018, aproximadamente 28% do casting era composto por pessoas negras. Já na esfera da indústria produtiva, as mulheres somam 75%. Porém, em cargos de liderança de grandes marcas, elas são apenas 15%. O número cai para 7% quando falamos de mulheres negras.

Maur\u00edcio Sacramento posa para campanha da Tommy Hilfiger. Maurício Sacramento, da Batekoo, em foto para Tommy Jeans.Foto Cortesia: Tommy Hilfiger

Maurício diz que "o mercado precisa olhar com mais responsabilidade e cuidado para comunidade e pessoas que estão consumindo o que ele produz". Ele acredita que "são conquistas que temos conseguido aos poucos, mas também com certo atraso." Como um caminho para as empresas olharem para isso com genuidade, Juju acredita que a diversidade deve ser inserida quando há um desejo real e verdadeiro de tê-la – e não por obrigação ou estratégia de marketing. "Estamos falando sobre pessoas. É sobre marcas, dinheiro, indústria… Mas quem movimenta tudo isso são as pessoas, então é importante humanizar esse processo."

Para além do que os olhos podem ver, é necessário pensar em quem produz o que chega ao nosso olhar. "Quando falamos de diversidade na moda, precisamos sair só dessa ideia de quem está estampando as campanhas e começar a pensar quem está nos sets, escrevendo, dirigindo, maquiando", questiona a produtora nacional da plataforma, Marcela Ramos (Mafalda). Ela destaca que "essa é uma das principais pautas da Batekoo: ser um projeto para pessoas pretas produzido por pessoas pretas."

A cultura ballroom nasceu entre trans, travestis, drags e pessoas queers negras e latinas nos EUA, mas ganhou voz, corpo e ritmo próprio com os membros das comunidades locais.


Conversamos com artistas do gênero em diferentes momentos de suas carreiras para entender a complexa e instigante estética do trap brasileiro.


A gente sabe que a resposta não existe, mas quer entender porque são os empresários negros, principalmente, que precisam lidar com essa pergunta.

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