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Se hoje a sustentabilidade e a moda ética são assuntos amplamente discutidos em publicações de moda, muito devemos a jornalistas como a britânica Clare Press. Primeira editora de sustentabilidade em um grande veículo de moda, esse cargo foi sugerido e alcançado por ela mesma, que, como diversas pessoas da indústria, não conseguiu continuar exercendo sua profissão da mesma forma após o desabamento do Rana Plaza, em 2013. "Os números são horríveis, mas eu sempre lembro de um especificamente: 2500 crianças viraram órfãs como resultado daquele dia porque perderam suas mães, que eram, em sua maioria, jovens mulheres trabalhadoras da indústria da moda", relembra Clare. "Sendo também uma jovem mulher naquela época, eu percebi que havia uma conexão óbvia com o meu trabalho e aquele lado horrível da moda. Então, eu decidi mudar o que eu fazia e passei a usar a minha plataforma para falar sobre isso".

Depois dessa decisão, Clare, que atualmente mora na Austrália, publicou seu primeiro livro, Wardrobe Crisis - How We Went From Sunday Best to Fast Fashion, em 2016, e lançou um podcast de mesmo nome um ano depois, que já conta com cerca de 100 episódios com dezenas de entrevistas com importantes nomes do setor.

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A mudança da grande mídia para investir em um projeto independente foi natural para ela, que estava em busca de mais liberdade em suas pautas. A escolha pelo podcast se deu pela vontade de estar mais próxima de sua audiência, algo que ela acredita que os veículos tradicionais ainda falham em alcançar, mas que é um caminho a ser trilhado. "Eu recebo mensagens de pessoas que me ouvem e sentem que são meus amigos e eu também sinto isso porque nós temos um diálogo, o que eu costumava achar difícil conseguir na mídia tradicional. O papel de todo storyteller, seja em uma revista, seja em filmes ou livros, é se conectar, você precisa encontrar a sua audiência onde ela está. E eu acho que há uma grande oportunidade nisso".

Apesar do cenário atual, com avanços que, muitas vezes, parecem estar regredindo, Clare acredita que as mudanças estão acontecendo de forma rápida e que não podemos nos deixar abater pela sensação de que os contextos são impossíveis de serem transformados. "As pessoas podem dizer 'bom, isso nunca vai mudar, os líderes políticos não querem mudar, os bilionários da moda não querem mudar', ou podemos olhar e perceber que nós mudamos a cultura todos os dias. Nós evoluimos. Estamos mudando a cultura quando falamos de sustentabilidade e estamos fazendo isso o tempo todo. Eu vejo uma enorme diferença na quantidade de pessoas que estão se envolvendo hoje. Há poucos anos, não estaríamos tendo essa conversa, mas agora está quase virando algo normal. E, é bom lembrar, a próxima geração será completamente diferente, ela já está sendo diferente"

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Você pode conferir mais sobre a trajetória e pensamentos de Clare sobre o atual estado da moda, os recentes acontecimentos causados pelo Covid-19 e sua opinião sobre mídias de moda no painel "Where to now for fashion", parte da programação da segunda edição do Rio Ethical Fashion, que começa nesta sexta-feira (30.10). O ingresso dá direito a 30 dias de acesso às 19 mesas online. Além de Clare, o line-up do fórum internacional de moda e sustentabilidade conta com nomes como Orsola de Castro, fundadora do Fashion Revolution, Simone Cipriani, fundador da Ethical Fashion Initiative e Livia Firth, co-fundadora da Eco-Age, além de diversos representantes nacionais, como Flavia Aranha, Lilian Pacce, André Carvalhal, Carol Barreto, Dayana Molina e a nossa colunista Marina Colerato.

REF – Rio Ethical Fashion
De 30 de outubro a 30 de novembro
www.rioethicalfashion.com
Informações e ingressos à venda pelo site




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