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Para apresentar o seu verão 2022, o primeiro desfile físico desde a pandemia, a Coach fez uma fusão literal da tela para a passarela. Tanto os espectadores de casa quanto os convidados presentes de corpo e alma no Píer 75, do Hudson River Park, em Nova York, assistiram a um canal de TV, de programação ativa. Era a Coach TV.

O ator e comediante Rickey Thompson virou VJ e repórter falando que no futuro todo mundo vai ter quinze minutos de fama. Depois, apareceu a drag queen Uttica interpretando o pintor Bob Ross (o mesmo personagem que fez para o Snatch Game, de Rupaul's Drag Race). Corta, então, para alguns jovens usando Coach em frente a um Chroma Key, bem comercial da MTV dos anos 1990.

Em seguida, ninguém mais ninguém menos do que Chaka Khan na telinha como conselheira amorosa, recebendo telefonemas de anônimos. Outra zapeada nos canais da Coach TV e surge Caldwell Tidicue (mais famoso como Bob, The Drag Queen) no comando de um show de auditório. Mais tarde, Jon Batiste dá uma aulinha de piano e Megan Thee Stallion vira a garota propaganda de um programa de vendas ao vivo, à la Polishop.


São mais ou menos 10 minutos de programação nostálgica até que um filme fashion começa a rodar no telão. Trata-se de uma gangue de garotas descoladas andando pelas ruas de Nova York, enquanto skatistas manobram ao seu redor. Tudo filmado com efeito/filtro de videocassete.

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O vídeo encerra e essas mesmas garotas surgem no píer ao vivo e a cores. A surpresinha pode até ter soado banal, mas registrou bem como os filmes fashion, apesar da dificuldade de desenvolvimento, auxiliaram muitas casas a desenvolver narrativas visuais para além da passarela.

Essa crew é formada por Patricinhas de Beverly Hills contemporâneas. Elas também são um pouco Gossip Girl 2.0 ou as personagens da série Generation, da HBO. Sem dúvida, Gen Z.

O visual desses novinhos é montado com vestidos-parka ou conjuntos usados com parka e sutiã por baixo. As estampas são xadrezes e pied-de-poule, mas todos os visuais parecem ter uma queda pelos anos 2000. Ou também pelo grunge de Marc Jacobs dos anos 1990. Parece que há uma unidade que atravessa as décadas e marca o poder, a liberdade, a arrogância e a coragem da juventude.

Neste caso, ela é bem skatista, com bermudas largas e soltas, que deixam a cueca samba-canção à mostra. É bom deixar claro que isso aparece neles e nelas. E, no caso, nem dá para saber se é ele ou ela ou nenhum dos dois. Nem importa. A geração atual é muito poucas em relação a como a moda tenta restringir isso. Ela mesma dá conta de usar a roupa como quer. Por isso, a camiseta largona, do tipo merch, usada com um kilt de feltro, que é um dos looks mais legais apresentados, é super agênero.

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Fotos: Divulgação

Há anos, a Coach, essa grife oitentona, vem se desdobrando de muitas formas para conversar com os mais jovens. O mérito é de Stuart Vevers, diretor criativo da marca, que tenta de alguma maneira mostrar para essas novas gerações o que essa casa que trabalha com couro no desenvolvimento de bolsas e acessórios tem de interessante para falar com eles.

E, como no caso da Coach, o que importa são os acessórios, fica aqui a real surpresa. Esses garotos e garotas superdescolados aparecem não com uma pochete na cintura e muito menos com uma bolsa do tipo tiracolo, bem esportiva street, no torso -- como reinou o item nas últimas temporadas. No caso, eles surgem com um modelo do tipo tote bag. E segurando pela mão, uma vez que a peça tem uma alça bastante curta. É inusitado, para dizer no mínimo. A primeira vista, dá até para soltar um "careta", a não ser pelas opções em tons Wes Anderson ou vibrantes.

"Trata-se de uma celebração ao otimismo colorido de Bonnie Cashin", explicou o estilista à imprensa. Cashin foi a primeira designer contratada pela Coach, além de estilista bastante conhecida na história dos Estados Uniudos pela sua contribuição pioneira no desenvolvimento do sportswear. Foi ela quem introduziu o modelo sacola, que é a tote bag, na marca. Aconteceu por volta da década de 1960. E, voltando no tempo, esse formato para a época é bastante vanguardista, com certeza.

Por isso, essa olhada para o passado é também uma lembrança de que, naqueles tempos, havia igualmente desejo de futuro (alguém engatilhado?). E isso se extende para a roupa, que em determinados momentos ganha toques setentistas, seja pelo coletinho jeans, seja pela calça de boca larga ou pelos patchworks. E, se olhar bem, a gente anda um pouco hippie agora. Não à toa. Mirar naquela juventude e na maneira como eles desejavam mudar o mundo pode servir de combustível para construirmos o amanhã.

Fotos: Divulgação

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