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Em seu último desfile antes da pandemia, a marca Collina Strada ofereceu sacolas recicláveis a seus convidados e pediu que as preenchessem com frutas e vegetais orgânicos, de um pequeno produtor local. Foi quase como a antítese do supermercado montado pela Chanel alguns anos antes, na apresentação de inverno 2014. É que Hillary Taymour, fundadora da marca, tem uma visão um pouco diferente sobre consumo.

Ela nem gosta muito de desfiles. Em uma entrevista à revista The Face, disse que os acha "incrivelmente enfadonhos". No entanto, a estilista parece ter se apropriado do formato, repensando-o em seus próprios termos. Vide a coleção de inverno 2020, a última em formato presencial e com ampla repercussão – as duas seguintes foram apresentadas digitalmente e sem muito buzz. É que existe uma matemática complexa por trás dos shows da Collina Strada. E isso ficou evidente com o verão 2022, marcando o retorno da grife à passarela.

No terraço da Brooklyn Grange, um centro líder de agricultura orgânica, se viu uma proposta semelhante ao desfile pré-pandemia, como se a etiqueta desejasse retomar a sua história de onde parou. Hillary fundiu referências literais de jardinagem e horticultura ao pragmatismo do mundo real. As calças ganham tangas embutidas, as camisas sociais aparecem em estampas vibrantes e os espartilhos são esculpidos em formas de animais.

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A imagem é extremamente lúdica, mas nela pode ser captada também uma espécie de boemia urbana. Tem a ver com o clima pós-vacina e também com a presença de Charlie Engman como codiretor artístico. O criativo passou a colaborar com a estilista na coleção de resort 2020 e, desde então, assumiu um papel central na etiqueta.

Embora de bem-feitas, as roupas carregam elementos de imperfeição. E a ideia é justamente essa. Ninguém precisa de mais projeções e pressão em nome de um perfeccionismo utópico. A marca, aliás, é bem sincera quanto às suas limitações. Esta coleção, por exemplo, foi costurada no próprio estúdio próprio e desenvolvida, em sua maioria, a partir de materiais descartados ou reciclados.Há também fibras naturais e materiais virgens de baixo impacto.

Hillary é a primeira a admitir que a Collina Strada ainda não é 100% sustentável. A operação em pequena escala a permite expandir sua iniciativa nesse sentido, mas ela reconhece que as questões que espera resolver são sistêmicas. Por isso, a designer é uma entusiasta das parcerias com empresas maiores. Essa é a oportunidade de apresentar soluções ecológicas e ter um impacto profundo na indústria. A colaboração da vez foi com a Levi's. A etiqueta estadunidense foi a responsável pelas calças cravejadas com estrelas vistas na passarela.

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Para a Collina Strada, sustentabilidade não é apenas sobre peças beges ou minimalistas. E a excentricidade do verão 2022 é uma das muitas provas disso. Enquanto promovia um senso sincero de inclusão com um casting formado por criativos, ativistas e artistas, Hillary evocou a energia festiva e um visual gloriosamente peculiar. Havia senso de humor e otimismo ilimitado, sugerindo que o futuro pode ser tão vibrante quanto suas roupas. Pelo menos, alguém está se divertindo com a moda.

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