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CONTEÚDO APRESENTADO POR SOU DE ALGODÃO

Quem cai de paraquedas no perfil da Retropy no Instagram ou até mesmo no site da marca tem a impressão de que se trata de uma operação com uma grande estrutura por trás. Campanhas com conceito e imagens de qualidade, loja e e-commerce próprios, comunicação com bom engajamento nas redes sociais não diferem muito do que se vê em algumas das maiores grifes nacionais. Porém, apesar do bom crescimento nos últimos anos, a etiqueta segue em esquema independente, com equipe enxuta e sucesso vindo de muita dedicação, paixão e verdade.

Hoje, a Retropy é conhecida como uma moda colorida, despretensiosa e essencialmente carioca, apesar de ser comandada por um arquiteto mato-grossense, Rafael de Oliveira, e uma agrônoma peruana, Chola Tello. "Conheci o Rio em 2010 e, desde então, meu objetivo foi morar aqui", fala Rafael. Ele explica que a Retropy nasceu dessa paixão de ambos pela cidade e estilo de vida local.

"O Rio tem essa imagem descomplicada, mas meticulosamente construída, e na moda é a mesma coisa", continua ele. "Muito da construção da marca é indissociável disso. O shape das roupas não colada, a silhueta não dura, os materiais leves e arejados, nem tanto por uma questão climática ou térmica e mais por questão de identidade mesmo."

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Inicialmente, a oferta era só de camisas, mas logo a gama de produtos cresceu e, agora, engloba um guarda-roupa completo. A matéria-prima também evoluiu e se diversificou. "Começamos fazendo só camisa de viscose. Mas de dois anos para cá, mudamos a proporção drásticamente. Hoje, o material não corresponde nem a 20% de tudo que usamos." Ele foi substituído por linho e algodão em suas mais variadas formas, sarjado, em gaze, tricoline e até um tipo de tafetá.

Para entender essa trajetória, precisamos voltar um pouco no tempo. Mais especificamente para 2013, quando Rafael se mudou para o Rio de Janeiro e conheceu Chola. Se deram bem logo de cara, viraram amigos e foram morar juntos. Ela sempre quis costurar e, certo dia, comprou uma máquina de costura. Detalhe: nunca havia se aventurado na técnica. O roommate observava tudo de longe, mas com muito interesse e logo começou a dividir o aparelho com a amiga.

Começaram fazendo camisas para uso próprio bem estampadas. Não demorou muito para amigos se interessarem. "Sempre nos perguntavam de onde eram aquelas peças, quem havia feito e aí vieram as primeiras encomendas", fala Rafael.

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Rafael de Oliveira e Chola Tetto

Chegou num ponto que os pedidos eram tantos e tão frequentes, que a dupla decidiu criar uma coleção de 11 peças e divulgou tudo no Facebook. Era junho de 2014, e nascia assim a Retropy. E aqui é importante atentar a um ponto crucial nessa história: a comunicação. Primeiro, num quase boca-a-boca, depois, discretamente nas redes sociais, mas sempre de maneira sincera, direta e bem transparente.

"Foi tudo muito rápido", comenta Rafael. "Nunca tivemos contato com produção ou criação de moda antes disso. O que sabemos aprendemos na base de tentativa e erro. Nossa evolução se deu muito pela demanda. Foi o que nos forçou a aprender a confeccionar outras peças. As pessoas chegavam para comprar uma camisa e perguntavam se não tinha uma bermuda. E aí, a gente corria para ver tutorial no Youtube, pedia ajuda para as costureiras e, aos poucos, começamos a fazer short, regata, calça."

Por volta de 2015, a Retropy passou a participar da feira de rua e antiguidades da Praça 15, no centro do Rio de Janeiro. Ficaram lá por mais de um ano e, paralelamente, o número de seguidores e engajamento no Instagram cresceu vertiginosamente. "Foi quando entendemos que tínhamos ali uma marca sólida."

Em 2018, veio outro sinal de que o business estava no caminho certo. A Void, multimarcas gaúcha popular no Rio de Janeiro, fez um pedido para comercializar as peças criadas pela dupla. "Da noite para o dia, nossas roupas estavam sendo vendidas em mais de seis lojas", diz Rafael. A experiência, contudo, foi a única da Retropy no atacado.

Não que não tenha sido boa, só não fazia sentido para os planos da empresa. "É muito interessante, mas ao mesmo tempo muito limitante", explica o designer e arquiteto. "Com a nossa estrutura, não sobrava tempo para mais nada. Gastávamos todas nossas forças e recursos para atender o pedido e não conseguimos nos dedicar a outras partes importantes do negócio, como a criação e comunicação."

Segundo Rafael, o pulo do gato da Retropy foi estabelecer, desde cedo, uma relação direta e honesta com seus consumidores. "Não ter formação nem conhecimento sobre o funcionamento do mercado proporcionou uma comunicação muito fluida e verdadeira", fala ele. "Não estávamos engessados como outras marcas, tínhamos muito liberdade, seja para falar de produto, de posicionamento político, do que fosse. Isso gerou grande proximidade com as pessoas."

Isso ficou evidente durante a pandemia. No dia 13 de março de 2020, dois dias antes da quarentena ser decretada no estado fluminense, Rafael e Chola inauguraram a primeira loja da marca, no bairro do Botafogo. "Foi muito pesado, fizemos um investimento muito grande para reformar o espaço, que era um açougue", diz ele. "Foi uma aposta, teríamos que aumentar as vendas em 30% nos meses seguintes e, de repente, vimos elas caindo nessa mesma porcentagem."

A dupla ficou sem saber o que fazer. Não bastasse o medo do vírus, tinha o do endividamento e, possivelmente, a falência. De início, recorreram aos amigos e colegas de profissão. Hoje, eles dizem ter sido crucial essa rede de apoio e troca. "Foi essencial para entender o que estava acontecendo e que qualquer ação seria algo muito imediato. Foi quase um mantra de 'aguenta, tenha paciência'".

A Retropy ficou em stand by, sem muita comunicação e quase nada de vendas por quase um mês. "Não queríamos liquidar, não parecia sensato nem sensível pedirem para as pessoas consumirem naquele momento", relembra Rafael. "Não dava para fingir que nada aconteceu."

Aos poucos, com a evolução da pandemia e das medidas de combate ao vírus, as atividades foram retomadas. Diferentemente de muita marca, a primeira ação da etiqueta não envolveu influenciadores, mas os consumidores mais antigos e fiéis. "Mandamos presentes para alguns deles e, depois, fizemos uma feirinha com produtos para as pessoas cuidarem da imunidade e da saúde. Eram mais sobre proximidade do que venda essencialmente."

Não que elas não tenham acontecido. Segundo Rafael, depois dos 3 primeiros meses de pandemia, os números voltaram ao patamar médio mensal. "Nem temos o que reclamar", desabafa. Sobre os motivos da recuperação, Rafael tem uma teoria bem plausível: "Verdade vende. De modo geral, as pessoas sabem quando, por que e com quem elas estão falando. Os clientes sabem quais são as finalidades das marcas". De novo, aquela história de transparência e honestidade na comunicação e em todo o resto.

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