PUBLICIDADE

Há grandes chances de você reconhecer o look acima de algum post em seu Instagram, entre o fim de 2020 e início de 2021. O modelo (ou uma variação dele) foi escolhido por Sabrina Sato, Bruna Marquezine e Marina Ruy Barbosa para passar as festas de fim de ano. Antes disso, peças similares já foram vestidas por nomes como Zendaya, Solange, Dua Lipa e Emily Ratajkowski em tapetes vermelhos e festas pré-Covid 19. Em comum, estão os cortes assimétricos, a estética minimalista, a sensualidade e o nome de quem os criou: Christopher Esber.

O estilista australiano comemorou dez anos de marca em 2020. "Evidentemente, não foi nada como previsto", diz Christopher, em entrevista à ELLE Brasil. "Entre todo o caos e a tristeza, fomos forçados a desacelerar e reavaliar nossas prioridades." Logo de cara, falou-se muito sobre uma moda mais consciente, com timing diferenciado e menos apegada às efemeridades do tempo. Valores pelos quais o designer se guia desde 2010, quando lançou sua etiqueta homônima.




O boom com as celebridades aconteceu no fim de 2019, com uma DM no Instagram. Era do stylist Law Roach, sobre a possibilidade de conseguir alguns looks para Zendaya vestir no tapete vermelho do People's Choice Awards, em novembro daquele ano. Ela gostou tanto – e a internet também – que, em janeiro de 2020, a estrela usou outro modelo do estilista para o AAA Art Awards. Daí vieram todos os nomes já mencionados no começo desta matéria.

PUBLICIDADE

A atriz Zendaya com vestido de Christopher Esber. Zendaya com look de Christopher Esber no People's Choice Awards.Foto: Getty Images

Não que a divulgação não foi bem-vinda, mas Christopher já vinha numa trajetória de ascensão bem positiva por conta própria – ainda que nem sempre fácil. Nos primeiros anos, suas coleções foram descritas como complicadas demais, intelectualizadas ao extremo. É que o estilista gosta de escolher bem os materiais com que trabalha. Gosta mais ainda de estudar como eles se estruturam e se relacionam com as formas do corpo feminino. E isso complicava o resultado final.

Antes de se formar na faculdade e lançar seu próprio negócio, Christopher passou um ano estudando e praticando alfaiataria. "Essas técnicas têm uma grande dose de disciplina e exigem um entendimento profundo sobre proporção. Construir e desconstruir elementos de uma silhueta se tornou a essência da grife. Até hoje, ainda procuro novas maneiras de desconstruir um blazer ou atualizar como ele cai no corpo. É sobre entender a estrutura por trás de cada elemento para que ele possa ser transformado, libertado", explica o estilista.

PUBLICIDADE


Aos poucos, seus estudos sobre a relação entre corpo, tecido e construção ganharam maior suavidade. A sensualidade tomou conta do que antes era dominado por conceitos quase matemáticos. "A mistura de masculino e feminino, o jogo com proporções, tudo isso me fascina. Ao soltar as estruturas, temos algo etéreo que vem dessa imagem de inacabado, que contrasta com as linhas e cortes precisos", diz o estilista.

"Sempre me interessei pela maneira como as mulheres se vestem", comenta. E principalmente a mulher australiana: "Elas têm um equilíbrio entre elegância e casualidade que influencia muito meu processo criativo, principalmente na aparência inacabada de uma roupa ou look total", explica ele, sobre como o clima de seu país de origem influencia seu trabalho e a vida de suas clientes.

Sem perder a identidade, Christopher refinou sua estética e encontrou aquele tão desejado equilíbrio entre desejos criativos e demanda de mercado. Com formas simples, uma alfaiataria precisa, ainda que fluida e desconstruída, se tornou uma das marcas mais desejadas da Austrália. Seus desfiles na semana de moda local são dos mais disputados e, desde 2017, se apresenta também na New York Fashion Week, com críticas e aceitação de mercado cada vez mais positivas. "Temos a sorte de estar à venda nas lojas dos nossos sonhos ao redor do mundo. E estamos prestes a lançar uma linha de swimwear e sapatos", finaliza.


Em sua coluna, o editor de moda e fã confesso de Kim Kardashian, Lucas Boccalão, analisa como o relacionamento com Kanye West influenciou o estilo da celebridade e o que pode mudar daqui para frente.


Poucas pessoas viveram tantos lados diferentes da exposição que as redes sociais podem trazer. Há dez anos convivendo intensamente com elas, Manu Gavassi aprendeu a se proteger sem deixar de compartilhar as inúmeras possibilidades que existem dentro de seu trabalho – e dela mesma.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos
ASSINE A ELLE