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Há quem critique Diego Gama por ele nunca ter feito um desfile comercial, cheio de tendências da vez. Seus desfiles afetuosos sempre contam histórias por meio da roupa, mas também pela performance na passarela. Essas críticas não o abalam, já que seu trabalho é focado em uma pesquisa extensa de materiais, técnicas e superfícies inusitadas.

É aí que mora seu tesão pela moda. Por isso, apresentar na Casa de Criadores seu figurino para a peça de teatro Pindaúna, da Cia. Sacana, pareceu uma decisão acertada. "A gente continua apresentando para as pessoas o que é a Diego Gama, que tem peças que são para o dia a dia e para vestir, mas meu trabalho nunca foi só sobre isso e não quero que ele seja", diz o estilista.

De todas as peças, apenas duas não são feitas completamente de silicone, principal instrumento de trabalho do designer. As digitais de que tanto gosta aparecem como folhas de uma árvore e foram aplicadas em uma segunda pele de malha, em um look que demorou um mês para ser feito.

O figurino que simula a planta espada de Iansã e, teoricamente, trata-se apenas de um vestido, foi composto por 56 folhas esculpidas, pintadas e bordadas manualmente em silicone. Os macacões de espinhos, por sua vez, foram esculpidos em argila no corpo dos dançarinos e criados no material plástico.

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Criar para contar histórias nunca foi desafio para Gama, mas parece que ele acabou se encontrando no ritmo de trabalho de criação de um figurino. Foram precisos quase cinco meses para finalizar a produção, tempo que não é exatamente o de uma coleção de moda normal – e tudo bem. Apesar de ter um direcionamento claro, o estilista explica que as referências da diretora Micall Yago não eram concretas, então conseguiu usar um filtro pessoal na hora de criar essas roupas.

A autonomia seria chave para o sucesso. "Tive a liberdade de entender como quero representar essas personagens", diz. E para quem sempre achou a roupa de Gama difícil, complicada de usar no dia-a-dia, a apresentação da peça desmente os boatos.

"Sinto como se o trabalho precisasse ser ainda mais completo, porque os atores precisam se jogar no chão, pular, abrir as pernas e os braços. Esse trabalho me desafiou enquanto estilista mesmo. Sempre surgiu muito essa questão de que meus materiais que não são usáveis, mas aqui a gente prova que são, sim. É o resultado gratificante de uma pesquisa que acontece há anos."

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A peça Pindaúna, narrada pela vereadora Erika Hilton, ficou em cartaz por dois meses, entre os meses de maio e junho. Quem quiser conferir o espetáculo, haverá uma apresentação especial ao fim deste terceiro dia de Casa de Criadores.

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