Moda

Distanciamento coletivo

Às vésperas de seu primeiro desfile virtual, o estilista Célio Dias, da marca LED, conta como o isolamento serviu de gatilho para uma série de colaborações criativas.

Foto: Mot Santos | 3D e Animação: Pedro Bazani | Styling: Thiago Ferraz | Beleza: Helder Rodrigues | Modelo: Thiago Zampiere
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Como quase todo mundo, o estilista Célio Dias teve parte de sua vida interrompida quando a quarentena foi decretada em São Paulo. Parece que faz anos, mas foi em março mesmo – mês de lançamentos e tantas outras atividades e eventos essenciais ao mercado de moda. "Pelo menos tive mais tempo para pensar na próxima coleção", desabafa ele, fundador e diretor criativo da marca LED. Essa nova coleção será apresentada amanhã (20.08), data na qual as peças estarão disponível no e-commerce da label, no marketplace 2Collab e na loja Goiaba Urbana, em São Paulo.

Será a primeira apresentação virtual da marca. Há dois anos acostumado às passarelas do São Paulo Fashion Week e Minas Trend, Célio conta que a pandemia o fez repensar absolutamente tudo sobre seu negócio. "É interessante pensar como algumas limitações servem como fagulhas criativas", diz.

O distanciamento – dos amigos, da família e dos profissionais com quem sempre trabalhou – trouxe toda uma nova perspectiva sobre sua maneira de criar e se expressar através das roupas. "O isolamento nos forçou a olhar para dentro e lidar com o interior", conta o estilista. Interior, no caso, não é apenas no sentido de introspecção, mas também geográfico.

Foto: Antenor Neto | Styling: Leandro Porto | Beleza: Helder Rodrigues | Modelo: Shirley Pita

Foto: Naelson de Castro

Célio é mineiro e, apesar de viver em São Paulo, seu ateliê continua em Belo Horizonte. "Tivemos que adaptar todos os processos para acontecerem remotamente", conta ele. O ponto principal do seu trabalho na LED é o crochê. "O crochê depende muito do manual e eu sou muito do toque. Por sorte, trabalho com um mesmo artesão há três anos, o Émerson Rodrigues, e isso facilitou muito nossa comunicação e entendimento."

A distância teve ainda implicações práticas. Com equipe reduzida, a confecção em grandes quantidades ficou inviável. A solução foi a implementação da criação sob demanda. "O crochê leva tempo para ser feito e, para tornar as peças especiais, precisamos respeitar o tempo da produção manual", explica o estilista. O formato vem sendo apontado como um dos principais caminhos para criação e produção de moda atualmente.

Foto: Mot Santos | Ilustração: Zangada akaThereza Nardelli | Styling: Thiago Ferraz | Beleza: Helder Rodrigues | Modelo: Vitor Zuim

Foto e direção de arte: Fred Othero | Styling: Thiago Ferraz | Beleza Helder Rodrigues | Modelo: Bruno Amaral

Célio é mineiro e, apesar de viver em São Paulo, seu ateliê continua em Belo Horizonte. "Tivemos que adaptar todos os processos para acontecerem remotamente", conta ele. O ponto principal do seu trabalho na LED é o crochê. "O crochê depende muito do manual e eu sou muito do toque. Por sorte, trabalho com um mesmo artesão há três anos, o Émerson Rodrigues, e isso facilitou muito nossa comunicação e entendimento."

A distância teve ainda implicações práticas. Com equipe reduzida, a confecção em grandes quantidades ficou inviável. A solução foi a implementação da criação sob demanda." O crochê leva tempo para ser feito e, para tornar as peças especiais, precisamos respeitar o tempo da produção manual", explica o estilista. O formato vem sendo apontado como um dos principais caminhos para criação e produção de moda atualmente.

Foto: Gee Galvão | Styling: Thiago Ferraz | Beleza: Helder Rodrigues | Modelo: Shirley Pita

Foto: Leo Faria

A impossibilidade de viajar a sua cidade despertou também outro sentimento: a saudade. Surgem daí algumas referências à vida no interior e desdobramentos dela na construção estética masculina. Desde que lançou sua label, Célio trabalha com temáticas LGBTQ+, principalmente voltada à representação do homem. Questões sobre masculinidade frágil e tóxica são centrais na nova leva de peças.

Vem desse viés político e social alguma das estampas mais famosas da LED. "Bicha Power" é o melhor exemplo delas. Nesta coleção, as palavras foram bordadas numa parceria com o artista Pedro Luis. Os dois, diga-se de passagem, são amigos e amizade é outro ponto importante no atual momento criativo de Célio.

Foto e Pintura: Pablo Saborido | Styling: Thiago Ferraz | Beleza: Helder Rodrigues | Modelo: Uni Correa

Colagem e Foto: Hudson Rennam | Styling Thiago Ferraz | Beleza: Helder Rodrigues | Modelo: Vitor Zuim | Trilha: Max Blum

"Sempre trabalhei de maneira muito colaborativa, mas agora me pareceu ainda mais importante estar próximo de quem a gente gosta", conta. Outras colaborações da coleção são as pinturas sobre saudade, da tatuadora e ilustradora Zangada (aka Thereza Nardelli), e as estampas sobre masculinidade frágil com pegada rocker, do designer e ilustrador Paulo Marcelo.

O desfile virtual, bem como as fotos de lookbook, também foram realizados com um time reduzido de profissionais amigos. O styling ficou por conta de Thiago Ferraz, a beleza é do Helder Rodrigues, a produção executiva de Iris Zabaleta, Roberta Guzzardi e Robson Munhoz e a direção geral e casting, de Bill Macintyre. Partiu dele, aliás, a ideia de expandir a rede de colaboração para além da própria roupa.Ao lado de Célio, Bill selecionou um grupo de dez artistas e criadores para interpretarem visualmente a nova coleção da LED. "Foi a maneira que encontramos para fomentar o mercado e estimular a criatividade num momento tão complicado", diz o diretor. O resultado disso tudo, você confere em primeira mão nesta matéria.


Foto: Raquel Espírito Santo | Video: Carma Duo | Graphic Designer: Naya Nakamura | Styling: Thiago Ferraz | Beleza: Helder Rodrigues | Modelos: Mandela (Caio dos Santos)| Mano Felps (Felipe Souza) | Juju (Juliana Andrade)

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