Moda

Zerando A Internet

Igor Dadona usa as redes sociais a seu favor com open castings, coleções virtuais, frases repostáveis e a criação de uma comunidade unida e atuante.

Foto Cortesia/Igor Dadona
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Marcas pequenas e independentes sempre encontraram na internet sua principal ferramenta de venda e expansão. É a plataforma ideal para estreitar laços, conversar com clientes, entender suas vontades e necessidades. A pandemia do novo coronavírus, contudo, fez com que as redes sociais tivessem papel fundamental – e, muitas vezes, exclusivo – no aquecimento do mercado durante a crise que se estende desde março. Há quem esteja aproveitando essa oportunidade de forma óbvia (mas não menos relevante), com promoções e preços baixos para manter o fluxo de caixa, e há quem está indo além.

Igor Dadona é um deles. Trancafiado em casa desde meados de março, sem sair nem para ir ao mercado ou aos correios, o estilista paulistano se destacou por ideias inovadoras. Desde antes da quarentena, Dadona já estava repensando a agenda de lançamentos de sua marca masculina para adequá-la aos desejos de sua clientela fiel. Juntando essa ideia com o tempo disponível por causa da pandemia e pelo medo de se contaminar, decidiu lançar coleções cápsulas de peças feitas sob demanda, produzidas e enviadas direto dos ateliês de seus fornecedores.


Sintonizado com o zeitgeist de um momento delicado e desesperador como o atual, seu primeiro lançamento foi um suéter em que lia-se "I Really Need to Fuck" ("Eu Preciso Muito Transar", em tradução livre), que pode ser encomendado em combinações diferentes de cores e é confeccionado e enviado diretamente do Estúdio Artii. O segundo será uma coleção de camisas amplas, feitas com sobras de tecidos, a ser lançado em breve nas redes sociais do etilista. "Já estava estudando a ideia de desfilar apenas uma vez por ano e lançar coleções menores. Para minha marca e meus clientes, é complicado lançar uma coleção a cada seis meses. É mais interessante, tanto financeiramente quanto para a imagem, focar em drops menores", explica.

Para a próxima edição da Casa de Criadores, que será inteiramente virtual, Dadona realizou um sonho antigo – e que sempre considerou impossível: convidou um de seus modelos favoritos, atualmente radicado na França, para criar um curta-metragem à distância. "Com tudo que está acontecendo, a internet acabou aproximando muita gente. Vou conseguir trabalhar com o modelo que sempre quis", conta, sem revelar muitos detalhes para não estragar a surpresa. Na semana de moda independente, os estilistas e as marcas foram convidados a criar desfiles virtuais, filmes de moda, entrevistas ou editoriais para mostrar suas coleções em tempos de distanciamento social.

KIDS OF THE INTERNET

Para além dos lançamentos de peças e drops de coleções-cápsula, Dadona também é um exemplo de como usar a internet e as redes sociais a seu favor. No último mês, ele propôs um casting online, em que os seguidores se inscreveram para serem modelos – para participar, era só comentar um coração em um de seus posts do Instagram. Após analisar cada perfil, escolheu 30 pessoas de gêneros, raças e corpos diferentes para enviarem uma foto de corpo inteiro para o estilista que, então, irá desenhar um look em cima da imagem. A coleção, cujo tema foi escolhido com a ajuda de seus seguidores, será toda virtual. Apenas duas peças serão produzidas de fato – mas toda a movimentação em seu perfil, ao lado do exercício de criatividade e desprendimento do estilista, são um grande exemplo de como engajar seus público.

Imagem de cliente de Igor Dadona enviada ao estilista para criação de uma coleção colaborativa e virtual.Foto Cortesia/Igor Dadona

"Converso muito com meus clientes, como se fôssemos todos amigos mesmo. A resposta de tudo é muito rápida e direta. Eles adoraram participar das decisões dessa coleção", conta. Essa proximidade com quem compra e usa suas roupas é uma das grandes diferenças das marcas que nasceram e se mantém na internet. No caso de Dadona, apesar da vontade de criar um site próprio com e-commerce, o Instagram continua seu grande aliado. "Como muitas das peças são sob demanda, para mim esse contato direto funciona muito bem", comenta.

ALÉM-ROUPA

Além de vendas e números, Igor Dadona acredita na criação de uma comunidade forte e unida. "A pandemia só fez com que a gente percebesse que não dá pra fazer nada sozinho mais", explica. Pensando nisso, decidiu criar uma série chamada MEET em seu Instagram. Lá, apresenta amigos e profissionais que admira para sua rede. De donos de marcas a drag queens, passando por influenciadores, artistas, maquiadores e diretores criativos, as apresentações seguem a nova identidade visual da label e são acompanhadas por um texto escrito pelos próprios convidados. "Às vezes, essas pessoas, mesmo que famosas, só acessam públicos específicos. Quis abrir meu espaço para meus amigos, talentos da nova geração e também pessoas queridas que estão em busca de novas oportunidades."

Frase criada por Igor Dadona e comparilhada em sua rede social.Foto Cortesia/Igor Dadona

Outro artifício importante, tanto para seu público quanto para seu pensamento criativo, é a criação digital de frases, colagens e pinturas que se conectam ao lado emocional do estilista. "A gente que sofre muito acaba sempre tendo repertório e as pessoas se identificam", brinca Dadona. As frases, criadas por ele mesmo, vêm junto de um design interessante e são altamente compartilháveis, principalmente em momentos de agonia coletiva. Não muito adepto às tecnologias na hora de criar, Igor conta que começou a explorar uma ferramenta parecida com o Photoshop para conceber essas imagens. "Sempre dependia de terceiros para fazer minhas estampas e colagens. Agora sinto que, sozinho, criei a identidade visual que eu sempre quis", finaliza.




Será que a pandemia diminuiu o encantamento pela vida das influenciadoras tradicionais? Nos últimos meses, abriram-se as alas para especialistas que criam e compartilham conteúdos confiáveis — e que hoje parecem representar melhor o significado da palavra influenciador.

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