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A última coleção que Gefferson Vila Nova fez antes da pandemia foi a de verão 2019, apresentada no início daquele ano. Depois disso, ele sumiu. Quer dizer, ficou quieto, em reclusão. Estava pensando em desistir da carreira de estilista. "Fiz a Xuxa e disse: 'não existe moda para mim no Brasil'", diz sobre sua reação a uma série de decepções profissionais e outras questões pessoais.

O mood durou até meados de 2020, quando uma amiga professora telefonou com um pedido: desenvolver um macacão para a irmã, chefe de uma UTI em um hospital baiano. Em meio à pandemia de Covid-19, Gefferson aceitou a proposta e, quando se deu conta, estava ganhando algum dinheiro com a confecção de roupas clínicas feitas de plásticos e TNT (o estilista sempre teve grande aptidão por trabalhar com tecidos poucos usuais).

"Mas era isso, não queria voltar a ser designer", fala ele, de Salvador, onde vive atualmente. Tanto que as roupas que criou durante os meses de isolamento foram para uso estritamente pessoal. Nas passarelas, o foco de Gefferson sempre foi a moda feminina. Vez ou outra, apareciam alguns modelos masculinos, quase como exceção ou bônus. Acontece que a novidade foi tomando gosto e forma.

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Modelo com look do estilista Gefferson Vila Nova.


Alguns amigos mais próximos passaram a insistir na expansão do segmento e, animado com o convite para vender numa marca da capital baiana, o estilista decidiu não desistir da carreira nem da moda brasileira. Juntou os tecidos que tinha disponível no ateliê e começou a criar. Quando o estoque acabou, cortou coisas antigas, reaproveitou peças de coleções passadas e mergulhou de cabeça no upcycling.

A prática, contudo, não é uma novidade para Gefferson. Desde sua estreia, o baiano natural de Buracica trabalha com todo tipo de material que encontra pela frente. Sua estreia na Casa de Criadores, em 2013, tinha roupas feitas de tecidos antichamas e forros de carros. Agora, além do estoque e itens de acervo, tem ainda tecidos de almofadas vintage, enviados por uma amiga figurinista de Nova York. Os poucos materiais novos são limitados e todas as peças, produzidas sob demanda.

A nova leva, que logo virou coleção, começou focada no masculino. "Fui adaptando peças femininas que já havia feito, explorando essa dualidade e combinação entre os gêneros", explica o estilista. "O que eu gosto mesmo é de construir, tipo engenheiro e alfaiate, transformar qualquer matéria-prima em algo vestível".



Dessa paixão, surgiram também looks femininos pautados pela mesma vontade e dedicação de aprimorar o upcycling da marca. Com a ajuda de uma amiga, ele criou um site novo com uma pequena operação de e-commerce para lançar as peças novas. "Mas é uma lojinha mesmo. Sou uma pessoa humilde e não ia gastar uma fortuna em plena crise", afirma.

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Humildade à parte, Gefferson é também bem estratégico e não entregaria o ouro de mão beijada nem de uma só vez. As peças atualmente à venda no e-commerce próprio são só as femininas, quase como um esquenta do que estar por vir. Em maio, o estilista retorna à Casa de Criadores e, a partir daí, a coleção masculina e novos itens mais elaborados passam a ficar disponíveis para compra.




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