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Pétalas delicadas, cores e texturas de um coral marinho, formas minuciosas típicas da natureza. Quem observa as peças da designer japonesa Mariko Kusumoto pode facilmente confundi-las com imagens presentes em um livro de biologia. A artista concebe colares, pulseiras e broches a partir de fibras e tecidos retorcidos, criando composições detalhadas e acessórios únicos. Parte de sua produção, que já chamou atenção de Jean Paul Gaultier e esteve em mostras nos Estados Unidos, Portugal e Alemanha, estará em exibição a partir desta terça (5.4) até 12 de junho na exposição [ím]pares, na Japan House. na Av. Paulista, em São Paulo.

“É um trabalho com um impacto visual muito grande, que desperta curiosidade a respeito da técnica e seduz pela riqueza de detalhes", diz Natasha Barzaghi Geenen, diretora cultural da Japan House e curadora da mostra. Natasha conta que ficou fascinada ao conhecer o trabalho de Mariko em 2018 e, desde então, começou a planejar uma exposição com a artista. Nesse meio tempo, no entanto, a curadora percebeu que realizar uma coletiva com outras designers poderia valorizar ainda mais o trabalho das mulheres japonesas, de distintas gerações e técnicas. E assim foi feito.

Fibras e tecidos retorcidos viram joias delicadas e únicas pelas mãos de Mariko Kusumoto. Foto: Wagner Romano

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Aos trabalhos de Mariko, somam-se peças de outras quatro designers contemporâneas japonesas, cada uma com um estilo característico. São elas: Emiko Suo, Miki Asai, Naho Okamoto e Nahoko Fujimoto. “O título da exposição, [ím]pares, surge de uma brincadeira, pois essas designers são pares apenas no gênero e na profissão, mas únicas em todo o resto”, conta Geenen. Ao todo, são apresentados 75 acessórios, entre anéis, colares, brincos, pingentes, pulseiras e broches – 15 de cada artista.

Corais e outros elementos da vida marinha inspiram as peças de Mariko.Foto: Wagner Romano

De peças únicas a exemplares produzidos em uma escala quase industrial, os trabalhos das designers exibem seu valor não necessariamente pelo uso de pedras preciosas ou metais nobres, mas no apuro da técnica, com a qual constroem verdadeiras obras de arte com materiais aparentemente banais.

A exposição é permeada também pela ideia do acessório como elemento fundamental no ato de vestir-se, apesar da conotação secundária da palavra. “Os acessórios são parte importante de uma construção identitária. Funcionam como códigos de pertencimento, em que estilos são construídos e há uma vontade de transmitir mensagens sobre a personalidade ou o estado de espírito de quem os usa”, escreve a curadora no texto de apresentação da mostra.

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Brincos de Naho Okamoto,.Foto: Wagner Romano

Inaugurando o percurso pela exposição, estão os acessórios de Naho Okamoto, dona da SIRI SIRI, importante joalheria do Japão, que desenvolve seu trabalho a partir da interlocução com artesãos locais, traduzindo métodos tradicionais em uma estética contemporânea. Destaque para um par de brincos em vidro, de desenho elegante e técnica ímpar – fazendo jus ao nome da exposição. Em seguida, Emiko Suo apresenta duas séries em metal. O domínio da metalurgia, aprendida com seu pai na infância, permite que a artista trance finíssimos fios de ouro e metal, criando tecidos luminosos ou em furta-cor.

Fios finíssimos criam tramas com efeito furta-cor nas peças de Emiko Suo.Foto: Wagner Romano

Já Nahoko Fujimoto inspira-se em elementos da natureza e na técnica do origami para criar estruturas móveis, a partir de metais, papéis e ímãs.

Nahoko Fujjimoto aplica técnicas de origami em sua joalheria.Foto: Wagner Romano

É na cultura milenar de seu país que Miki Asai também busca inspiração: a filosofia wabi sabi – no qual o belo está na imperfeição – se traduz em peças produzidas a partir de elementos diversos, como casca de ovo, lacas e conchas, tudo perfeitamente arranjado em delicados mosaicos. Para finalizar o percurso, estão as obras de Mariko Kusumoto, que surpreendem não apenas pelos detalhes, mas pelo volume.

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Pedacinhos de casca de ovo e conchas formam intrincados mosaicos que celebram a beleza do imperfeito nas peças de Miki Asai.Foto: Wagner Romano

Assinada pelo escritório Metro Arquitetos, a expografia encara o desafio de dar destaque a peças delicadas. “Quando pensamos na disposição do espaço, fizemos questão de valorizar cada uma das designers de maneira individual, evitando formas mais tradicionais de expor joias, como mesas com veludo vermelho. As peças de cada artista estarão expostas em uma estrutura que se assemelha a uma árvore que brota do chão. Nos ramos, encontram-se superfícies planas onde as peças são dispostas. Tudo isso protegido por uma pirâmide de vidro. A sensação é de que os trabalhos estão flutuando no espaço”, descreve a curadora.

Com a missão de difundir a cultura japonesa no Brasil, a Japan House cria diálogos entre a produção contemporânea dos dois países. Apesar dos acessórios exibidos não terem relação direta com a joalheria brasileira, Geenen vê movimentos semelhantes nos dois territórios: “No Brasil, também vemos um resgate de técnicas e estéticas tradicionais, reinterpretadas de forma contemporânea. Tenho a impressão de que a seleção de peças irá agradar ao gosto brasileiro.” Se isso se concretizar, é torcer para que as artistas ganhem representação comercial no Brasil. Por enquanto, as criações são só para serem vistas.

[ím]pares
De 5 de abril a 12 de junho de 2022, na Japan House São Paulo. Av. Paulista, 52 (térreo). De terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, das 9h às 19h; domingos e feriados, das 9h às 18h.Reserva online antecipada (opcional): agendamento.japanhousesp.com.br.
Visitação gratuita. A exposição conta com recursos de acessibilidade.

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