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A semana de moda de Londres chegou ao fim em formato híbrido, ou seja, misturando apresentações físicas e digitais. Dentre os designers que optaram por não voltar às passarelas apesar da abertura, está Jonathan Anderson, da JW Anderson (além de diretor criativo da Loewe).

Desde o início da pandemia, o estilista se esforçou para desbravar novos formatos que não necessariamente passassem pelo filme fashion ou abrissem completamente mão do mundo real.

Criou, assim, o Show In a Box, uma espécie de telegrama enviado a casa das pessoas, um presente tátil que ia para a casa das celebridades, editores de moda e compradores da marca. Foram pôsteres e livrinhos, cartas e cartões, todo tipo de criação impressa.

Para a coleção de verão 2022, ele fez o seu último "desfile de caixinha". A escolha da vez foi um calendário, algo bastante apropriado para um mundo cheio de desejo por um ciclo novo, o despertar para um futuro mais tranquilo.

Colaborador de longa data de Anderson, o celebrado fotógrafo Juergen Teller foi convidado para clicar a coleção. O alemão contribuiu com a sua característica imagem crua, sem filtro, mas não só! Apareceu também semi-nu, em alguns autorretratos, vestindo apenas uma micro sunga.

Além dele, as modelos Mona Tougaard (ela também serviu como inspiração para a coleção, segundo o designer) e Abby Champion posaram em uma loja de pneus, em Londres. A escolha do espaço é porque as oficinas de automóveis são bem conhecidas por pendurar calendários estampando garotas nas paredes. Fora isso, há uma brincadeira clara com o tradicional calendário Pirelli, que há pelo menos 50 anos junta glamour e pneus em suas folhinhas.

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Foto: Juergen Teller


Teller, como muitos sabem, é dono de uma fotografia superexposta, cheia de ruídos, que revela uma imagem tão crua a ponto dele ser mais conhecido por seus nus. O fotógrafo tem por tradição retratar a si e outros colegas da indústria da moda completamente sem roupa.

A característica pode ser considerada inusitada para um fotógrafo de moda, mas essa linguagem sem filtro casou perfeitamente com a filosofia de Anderson nessa temporada: nada de excesso.

O foco da coleção está na materialidade e nos tecidos com texturas, tal qual o tricô, o vinil, o couro e a rede. As modelagens experimentais ainda estão presentes, como nas saias e tops assimétricos, mas é o vestido reto e de alcinha que ganha nossa atenção. Às vezes, ele tem babados irregulares nas barras, e um detalhe interessante é que a estrutura da costura não é muito clara. Em alguns momentos apenas um cinto de cordas de plástico reciclado segura tudo.

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Destaque também para os acessórios, o que muita gente identifica ser o ponto forte do estilista. As sandálias e bolsas de mão lembram bóias e, tanto no design quanto na cor, eles trazem o fator surpresa, a irreverência e o bom-humor. Um exemplo é a bota-mule, coberta por uma malharia tye dye na região do calcanhar. O estilista é do tipo que não se leva a sério, ainda que não opte pelo escracho. O resultado é verdadeiramente descontraído.

Sem exageros, com um número reduzido de peças, Anderson mostra que é um dos poucos designers sem muito interesse em voltar ao jeito de se produzir e de se apresentar pré-pandêmico. O reset que tantos esperavam da moda ele deu, pelo menos, no perfil de sua marca no Instagram. E, por mais que tenha afirmado voltar às apresentações físicas no ano que vem, ao que tudo indica, seu olhar estará atento a janeiro de 2022 e não janeiro de 2020.

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