LVMH e Kering atualizam diretrizes conjuntas de segurança para modelos
Quase dez anos após assinarem uma carta histórica, os conglomerados de luxo concorrentes LVMH e Kering atualizam práticas de segurança envolvendo modelos.
Em 2017, os grupos de marcas de luxo LVMH e Kering se uniram de forma inédita para assinar um código de conduta sobre as condições de trabalho das modelos. Nesta quinta-feira (08.10), as duas holdings francesas anunciaram atualizações nesses compromissos. O foco é seguir o combate à violência de gênero e sexual, além de ampliar a proteção aos mais jovens.
A partir da próxima semana de moda de Paris, em janeiro de 2027, menores de 18 anos estarão proibidos de participar de desfiles e ensaios fotográficos voltados ao público adulto de grifes da LVMH (como Louis Vuitton, Dior e Celine) e da Kering (como Balenciaga, Gucci e Saint Laurent). A Kering já adotava tal política desde 2019, mas a LVMH ainda mantinha o limite de 16 anos estabelecido no acordo original.
As empresas também prometeram implementar novos mecanismos contra assédio, abuso e violência. O plano inclui treinamentos de conscientização para as equipes responsáveis pelas contratações nas marcas dos conglomerados. Os canais de denúncia serão reforçados, garantindo o anonimato e a proteção de testemunhas, e os locais de trabalho passarão a receber auditorias surpresa. As regras para situações de nudez ou seminudez também ficaram mais rígidas. Agora, esses momentos exigem um acordo formal prévio e um espaço exclusivo.
“Em 2017, queríamos ajudar a mudar a indústria, estabelecendo juntos novos requisitos para a proteção e o bem-estar das modelos. Quase dez anos depois, é nossa responsabilidade ir além”, afirma Marie-Claire Daveu, diretora de sustentabilidade da Kering, no texto. Antoine Arnault, diretor de imagem e meio ambiente da LVMH, diz: “Com esta iniciativa, reafirmamos que a proteção das modelos não é uma ação isolada, mas um compromisso compartilhado por todos os intervenientes do setor – marcas, agências, diretores de casting e as próprias profissionais.”
A primeira aliança entre as gigantes do luxo foi motivada pelo debate sobre a extrema magreza nas passarelas. Na época, denúncias de assédio também ganhavam força na mídia. Naquele momento, as exigências estipuladas eram muito básicas: incluíam o veto a modelos excessivamente magras e a garantia de que elas fossem, no mínimo, alimentadas durante as sessões de fotos.
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