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Francesco Risso, diretor criativo da Marni, foi um dos estilistas que mais sentiu o lockdown, deixando claro sua frustração de não poder se apresentar presencialmente, desde o início da pandemia de Covid-19. A quarentena, inclusive, intensificou a sua relação com a roupa. O designer já tinha o toque, a presença, o ato de vestir alguém como fatores fundamentais de seu trabalho, mas quando tudo isso lhe foi negado, passou a explorar ainda mais o trabalho com tecidos existentes em estoque, explorando a customização com as próprias mãos e tingindo peças na banheira da própria casa. Para mostrar tudo isso, chamou amigos para vesti-los em happenings que então foram filmados e divulgados no lugar dos desfiles.

Eis que o desejado retorno à passarela chegou. Na nota para a imprensa, o designer chamou a coleção de Wear We Are e a definiu como uma produção exatamente voltada ao ato de se vestir para ficar junto. Para esse momento de maior união, um projeto grandioso foi colocado em prática. Dias antes da apresentação acontecer, a equipe da Marni fez prova de roupa em 400 convidados.

Sim, cada um ganhou um conjunto próprio para usar no dia da apresentação, com calça e camiseta de algodão reciclado, pintado manualmente e numerado. O uniforme-pijama vinha com as seguintes palavras costuradas: "Marniphernalia: uma miscelânia de tesouros pintados à mão". O próprio estilista apareceu descalço, usando um xale com calças largas que ele fez para a apresentação.

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A locação ficava entre um espaço circense e um teatro de arena – todo o cenário foi construído com madeira reciclada. Os convidados ficaram dispostos em um círculo, bem como a banda que tocou ao vivo a trilha coordenada pelo produtor musical Dev Hynes. Os modelos entravam e desfilavam num tablado em espiral, enquanto alguns artistas se apresentavam, como a performer Mykki Blanco e a cantora Zsela. Babak Radboy, conhecido por seu trabalho com Telfar Clemens, foi quem codirigiu o show.


Nas roupas, a primeira parte da coleção mostrou uma preferência pelo uso de listras. Em alguns momentos, essas listras foram recortadas bem no encontro das cores, de forma que a pele das modelos ficava à mostra.

Há uma abertura para o sexy, ainda que de um jeito Marni de ser. Ele é despojado, como se não houvesse vontade de usar coberturas complicadas nesse momento. Os tops, shorts e vestidos cheios de buracos foram usados com blazers grandes e suéteres confortáveis, sugerindo uma ideia de despertar.

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Como a maioria dos estilistas desta temporada, Risso também aproveitou para explorar texturas, um jeito de valorizar o fato da roupa agora poder ser vista de perto e os olhos estarem famintos por informação nova. Isso foi feito com tricôs e patchwork.

Já a segunda metade da coleção foi tomada por flores, principalmente margaridas. Elas apareceram bordadas, enfeitadas com brilhos e pintadas à mão em vestidos longos.

Outro destaque foi o uso de modelos diversos. Alguns podem dizer que essa não é mais do que uma obrigação em pleno 2021, mas dentro da temporada de Milão é, sim, um grande statement. Acontece que, diferente das semanas de moda de Nova York e Londres, a capital italiana está bem aquém no uso de corpos variados. As marcas europeias sempre foram mais reticentes a levar o mundo real para as suas apresentações, mas isso tem criado um sentimento ainda maior de frustração após a pandemia e os vários levantes raciais dos últimos dois anos.

Em função disso, ver gente parecida com a gente, toda reunida e festejando no final de toda essa apresentação fez do desfile da Marni um dos episódios mais emocionantes da temporada internacional até agora. Não vencemos a batalha, mas, ao menos, temos uns aos outros.

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