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"Estou praticamente uma esponja", diz Tom Martins ao telefone, dias antes de sua apresentação na SPFW. "Tenho gostado de trabalhar com vários de temas de uma vez só", continua. Dessa vez, esses temas são: a estética kinderwhore, a obra de Henri Matisse, o filme Laranja Mecânica, gatos e a série Euphoria. Parece maluquice, mas existe algum método ou, pelo menos, denominador comum nesse liquidficadoido de referências.

Vamos por partes. O visual kinderwhore, popularizado por Courtney Love, nos anos 1990, consiste numa série de elementos infantis subvertidos. Pense em uniformes escolares, naquelas roupas bem comportadinhas, porém com uma atitude punk e bastante sexualizada. Plataformas, meia arrastão, maquiagem carregada, tudo meio desconstruído, meio bagunçado. A base desses looks não é muito diferente das roupas usadas por Alex, protagonista de Laranja Mecânica. Aliás, é emblemático no figurino do longa a ideia de constrição, correção e conformidade por meio das roupas. E quando isso dá errado também. Tudo é estético, tudo aparece, é visual. Mas e os gatos e Matisse? Bom, assim como os outros temas, eles conectam a uma ideia de inocência ou inocência que, depois, é subvertida, corrompida, reprimida. Ah, Euphoria, como era de se esperar aparece no make, claro. Já todo o resto, em formas, modelagens, cores e, principalmente, estampas.

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Para além das elucubrações conceituais, esta nova coleção da Martins traz algumas novidades para o repertório da marca. Para começo de conversa, vale prestar atenção nos comprimentos mais curtos. As formas e modelagens também ficam menos over e estruturadas. Isso se deve em muito ao uso de tecidos mais leves e fluidos. Rola até umas transparências, vez ou outra, reforçando uma sensualidade aflorada e, até então, inédita. De comum, temos os jeans e sarjas tingidos artesanalmente, as flanelas, os xadrezes e a profusão de acessórios, já uma assinatura de Tom.

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