Melissa e Estúdio Campana celebram mais de 20 anos de parceria com a coleção Laguna

Há mais de 20 anos, Melissa e Estúdio Campana transformam o trivial em design colecionável. Nesta temporada, a parceria ganha um novo capítulo com Laguna.


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Fotos: Ivan Nishitani (still).



CONTEÚDO APRESENTADO POR MELISSA

Objetos cotidianos e até pouco valorizados, como cordas, bichos de pelúcia, borracha e papelão, foram transformados, nas mãos do  Estúdio Campana, em algumas das obras mais relevantes do design brasileiro e mundial. A tradução do banal e ordinário em mobiliário e arte define a trajetória do ateliê, fundado em 1984 e consagrado internacionalmente em premiações, galerias e museus.

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Foto: Gui Gomes (retrato).


Fez todo o sentido, então, quando há 22 anos os irmãos Humberto e Fernando Campana (1961-2022) firmaram sua parceria com a Melissa: a marca, também brasileira, nasceu com a premissa de transformar o plástico em objeto de desejo, com calçados que fugiam da convencionalidade do couro, uma das matérias-primas mais abundantes da categoria.

“Design de produto e moda estão conectados, fazem parte de um mesmo universo”, reflete Humberto. “Logo de início, houve um entendimento de que o segredo era sair da zona de conforto”, relembra.

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Sendo assim, para o début da colaboração, em 2004, os designers desafiaram os limites da injeção plástica, com tramas e recortes complexos, na silhueta ZigZag, que apresenta um inconfundível visual de linhas entrelaçadas de PVC.

As experimentações viraram regra nos anos seguintes e fizeram-se notáveis, entre outros exemplos, nos emaranhados da coleção Papel, que imitam a textura de um papelão ondulado, e na mistura inesperada de influências romanas com símbolos da tropicalidade brasileira, que nortearam a linha Barroca.

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Em 2019, a parceria saiu do universo da moda e migrou para a escultura. Durante a Semana de Design de Milão, a grife de calçados e o Estúdio Campana apresentaram no bairro de Brera uma instalação interativa de mais de dois metros de altura, revestida de crochê – no caso, um crochê confeccionado com fios de PVC reciclado, derivados de sandálias e outros produtos Melissa, e tecido à mão por mais de 20 coletivos, entre eles, a ONG Projeto Arrastão.

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Sala da coleção Barroca na Galeria Melissa, em Londres (2015).

O sucesso numérico explica, em parte, a amplitude e a longevidade da colaboração, afinal, mais de oito milhões de pares de sapatos foram vendidos ao longo dos dez lançamentos promovidos. O gerente de marca da Melissa Paulo Pedó, no entanto, defende uma razão maior: “Existe uma simbiose poética, tecnológica e ética”, comenta ele. “A Melissa nunca tentou enquadrar os Campana em uma fórmula comercial rígida, e o Estúdio Campana jamais tratou a Melissa como uma mera licença de marca”, pondera.

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Instalação de crochê na Milan Design Week (2019).

E, como complementa Humberto, foi essa liberdade de criação que favoreceu a união. Dos dois lados, existe um cuidado minucioso em renovar histórias e não cair na repetição. Por isso, desenhos inéditos são introduzidos a cada novo capítulo da parceria.

É o caso da Laguna, que chega às lojas em outubro deste ano. Inspirada nas paisagens aquáticas brasileiras e, em especial, nos Lençóis Maranhenses, a novidade apresenta um modelo de sapatilha que incorpora elementos desse cenário natural, como as curvas das dunas e a refração da luz do sol na água cristalina, em seu acabamento – atenção especial aos vazados circulares, que deixam os pés em evidência.

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“As linhas orgânicas e a pureza daquele lugar são impressionantes. Quis trazer a fluidez e a transparência para esta coleção”, afirma o designer. A peça é a primeira de toda a história da collab que não foi inspirada nos mobiliários preexistentes do Estúdio, partindo de um conceito exclusivo para celebrar os mais de 20 anos da parceria – que, tudo indica, não tem ponto final à vista.

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“A Melissa nos permitiu extrapolar possibilidades em escala industrial e democratizar o acesso ao design”, reflete Humberto. “Hoje, vejo pessoas usando nossas sapatilhas no país todo, e no exterior também. Isso me dá orgulho. É como se eu fizesse parte do cotidiano delas de alguma forma”, comemora o designer.

“Provamos que o plástico original da Melissa não se curva a modismos e tendências passageiras. Ele guia o tempo e constrói um vínculo afetivo que passa de geração em geração”, resume Paulo Pedó.

 

Créditos:
Assistente de foto (retrato): Márcio Carrasco
Assistente de foto (still): Gabriel Bassani

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