Rodrigo Evangelista leva moda visceral ao Museu Oscar Niemeyer
Divulgação
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Quando desenhou sua primeira coleção o estilista Rodrigo Evangelista não queria fazer apenas calças, camisas ou qualquer objeto que se propusesse apenas a cobrir um corpo. Ele queria aproximar aqueles pedaços de tecido costurados com a arte, torná-los esculturas vestíveis que revelassem novos contextos para quem usasse.

Evoluiu a ideia e sua última coleção, batizada Supernova, acabou apresentada numa galeria, a Olhão, em São Paulo. Estava posto, tanto para ele quanto para quem viu o desfile, que seus looks não se sustentavam apenas na passarela, porque precisavam respirar outros cosmos para fazer sentido.

Agora ele é um dos 23 artistas convidados para a mostra coletiva Ópera Citoplasmática, em cartaz no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba (PR), onde quase 70 obras ocupam o espaço expositivo do prédio em formato de olho, projetado pelo arquiteto que lhe dá nome, e é símbolo da arquitetura moderna brasileira.

Peças de Rodrigo Evangelista no espaço da mostra Ópera Citoplasmática, no Museu Oscar Niemeyer.Divulgação

Curada por Diego Mauro e Laura Fortes, a exposição atravessa diferentes expressões artísticas, da pintura ao texto, do som à escultura, e, claro, a moda de Evangelista, para traçar paralelos com o conceito de enxergar o núcleo das coisas e a própria estrutura dos olhos.

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O estilista de Campina Grande (PB) embarcou na ideia por meio do curador adjunto João GG, que havia trabalhado com ele ainda no primeiro desfile, intitulado Feral, que já pincelava a relação indissociável para Evangelista entre os ofícios de artista e designer de moda.

“Não há como separar as duas coisas no meu processo. Quando escolho o tema da coleção, tenho de partir de alguma coisa, algo que para mim seja uma forma de expressão valorizada no espaço. Acredito que todo estilista é artista, porque transforma uma ideia em algo palpável. Bem, talvez não quem se preocupa apenas em fazer roupas para o dia dia, mas não é o meu caso”, afirma.

Quatro peças foram selecionadas para a mostra e flutuam no espaço do museu. A primeira, Copacabana, relembra A Noite dos Leopardos, um espetáculo dos anos 1980 que tomava a Galeria Alaska, no Rio, e foi seminal na luta por direitos da população LGBTQIA+ no país.

Peças La Flor (à esq.) e Hemácia, no espaço expositivo do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba (PR).Divulgação

Também foram selecionadas as peças Hemácia e La Flor, da coleção Casa Rosa, que fazem alusão aos preconceitos sobre a latinidade e remetem ao outro sobrenome do estilista, que é Rosa. Volumes, ondas e estrutura convergem para formar esculturas viscerais.

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Por fim, da coleção Supernova, ele emprestou Gênesis, peça que faz referência à explosão gigantesca na formação das galáxias e, assim como as outras roupas, atravessam a ideia de célula matriz da criação de algo, seja tátil, seja abstrato.

Vestido Gênesis da coleção Supernova, de Rodrigo Evangelista, na mostra Ópera Citoplasmática.Divulgação

A aproximação dos museus com a moda não é exatamente nova no Brasil, mas é inconstante, com poucos exemplos recentes de curadorias que coloquem o objeto de vestuário dentro da caixa de expressão artística e, dessa forma, consigam promover diálogos como os que a exposição sugere.

Evangelista se entusiasmou nas duas vezes em que visitou o espaço e viu de perto o interesse das pessoas por suas obras.

“A ideia foi bem recebida e adorei como os visitantes interagiram com as obras, olhando por trás da roupa, vendo dentro da peça para entendê-la. Há, sim, pessoas no meio da arte que não enxergam a moda como expressão, mas há muitas outras que sim. Isso oferece uma nova visão a um público que ainda não está acostumado a ver roupas em museus”, diz Evangelista.

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Ópera Citoplasmática fica em cartaz até novembro deste ano no Museu Oscar Niemeyer e, além das peças do estilista, contempla obras de artistas como Boto, Gabriel Pessoto, Juan Parada, Miguel Bakun, Maya Weishof, Ilê Sartuzi e Mariana Manhães.

Vista externa do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba (PR).Divulgação

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