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O vídeo é simples. Para apresentar a nova coleção de sua NotEqual, o mineiro Fábio Costa usou apenas uma modelo, um estúdio branco e nada muito além disso, a não ser, claro, suas roupas. Trata-se de um bom caminho se levarmos em conta que, em um evento digital, não são raros os designers que caem na armadilha audiovisual e deixam a moda de lado.

Mas, aqui, ela é o objeto central. O clipe começa com pedaços de papel kraft recortados em formatos geométricos e pendurados por linhas. A depender do ângulo, essas partes de papel se sobrepõem e é possível enxergar uma camiseta e uma calça. No design, essa é a chamada perspectiva explodida, que dá nome à coleção e consiste no ato de assimilar o todo a partir dos componentes de uma montagem distribuídos no espaço.

De acordo com essa perspectiva, tem-se uma maior ou uma menor informação sobre o objeto, mas, ao final, chega-se à imagem figurativa. A ideia por trás dessa provocação, de acordo com o texto divulgado pelo estilista, é de que às vezes basta nos deslocarmos do lugar em que estamos para olharmos algo sob uma perspectiva diferente, ainda que não em sua totalidade.

Pesquisas à parte, o jogo funciona porque lembra o processo da construção de uma roupa. O papel marrom é recortado de um jeito que, à primeira vista, soa irreconhecível, mas é a base da técnica de modelagem plana que, depois, serve de molde para o corte do tecido cuja função é dar corpo a uma manga, a frente de uma calça ou o capuz de um casaco.

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Por meio desse jogo matemático, o filme deixa claro ser um convite para acompanharmos o processo de fabricação das roupas. Ele aparece, por exemplo, no ato de alinhavar o tecido, no entra e sai da agulha que pode formar a costura mais simples. Simples, mas poderosa em sua função de juntar panos e produzir uma ampla variedade de looks engenhosos.

Se o primeiro camisetão do clipe tem o formato descomplicado de um quadrado, os vestidos que dão sequência à coleção encontram as formas do corpo da modelo e revelam construções rebuscadas. Um moulage ao vivo, ainda que gravado.

A estrutura da roupa também é reforçada no uso de acessórios metálicos, objetos de vestir desenhados pelo joalheiro, também mineiro, Carlos Penna. E com a mesma técnica do ponto simples, a marca explora bordados-rabiscos, frases de formato naïf que completam os detalhes do look.

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O vídeo tem, sim, um contorno de simplicidade, mas justifica a fascinação do estilista sobre como alguns pedacinhos de pano podem ser transformados em roupas. E as dele criam uma imagem bem conectada ao processo, em que tecidos sutilmente arrematados mostram sua potência quando cobrem o corpo.

Foto: Leca Novo

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