O comeback das shoulder bags é real

Elas dominaram a moda do fim dos anos 1990 até o início dos anos 2000 e, agora, parecem se tornar as favoritas novamente.


CCWhxk42 origin 562



“É uma Baguette!”, gritou Carrie Bradshaw, em um dos episódios mais memoráveis de Sex and the City, após ser assaltada e ter a sua recém-comprada bolsa Fendi levada. A personagem, interpretada por Sarah Jessica Parker, foi um nome essencial para a popularização da peça. Com figurino assinado por Patricia Field, a protagonista marcou a moda dos anos 1990, tornou-se um fenômeno cultural e lançou algumas das maiores tendências daquela época. Entre elas, as shoulder bags, que, depois de bons anos deixada de lado, retorna triunfal.

O retorno, no entanto, não foi marcado pela icônica bolsa de uma marca italiana ou por alguma versão de outra conceituada casa de moda. Quem protagonizou o início desse novo momento, na verdade, foi a opção apresentada pela By Far. Em apenas quatro anos, a marca búlgara, liderada por três mulheres ー as irmãs gêmeas Sabrina e Valentina Gyosheva, e sua melhor amiga Denitsa Bumbarova ー, conquistou celebridades como Kaia Gerber, Kendall Jenner e Bella Hadid. E o motivo do sucesso foi uma shoulder bag chamada Rachel.

Bella Hadid usando bolsa By Far.

Bella Hadid usando bolsa By Far.Getty Images

O item é prático e descomplicado, daqueles que combinam com absolutamente tudo, sendo estes alguns dos fatores responsáveis pelo hit. Porém, ainda há um outro motivo que chama a atenção. Enquanto as grandes casas demoraram para emplacar a volta das shoulder bags, a By Far, fora do radar tradicional, foi capaz de se conectar com o público de forma quase instantânea. Esse, aliás, tem sido um movimento frequente. Só as peças mais simples, sem logos e de marcas ainda não tão conhecidas, como foi o caso da bolsa Rachel, são cool o suficiente a ponto de conquistar aquelas que desejam usar antes de todo mundo.

Os anos 1990 estão de volta…

O reinado das shoulder bags se deu entre o fim dos anos 1990 e início dos 2000. Para além de Carrie Bradshaw, outras tantas personagens e personalidades também se tornaram referência de estilo e, claro, estavam sempre carregando a bolsa pendurada nos ombros (daí seu nome). Foi o caso, por exemplo, de Lorelai (Lauren Graham), de Gilmore Girls, Jenna (Jennifer Garner), de De Repente 30, e até de Paris Hilton, aqui em seu papel na vida real. Naquela época, entre um grande choque de tendências, era difícil definir o que era moda. Ainda assim, era evidente como aquele modelo clamava por atenção especial, quase como um ícone cultural.

“A bolsa Baguette quebrou as regras do minimalismo dos anos 1990. Era como um distração que dava um toque de brilho e diversão para a moda. Ela quebrou o uniforme que todos nós tínhamos”, comunicou a Fendi, no aniversário de vinte anos de seu acessório mais famoso. A marca italiana ainda aproveitou a data para lançar versões atualizadas do clássico, com novas texturas e cores. Quem estrelou a campanha, aliás, foi Sarah Jessica Parker. A atriz protagonizou uma variação da icônica cena de Sex and the City e mais uma vez repetiu: “This is not a bag. It’s a Baguette”.

Engana-se, porém, quem pensa que a Fendi foi a única a relançar suas shoulder bags de décadas atrás. Apesar das marcas novas e pequenas terem saído na frente, não demorou para que as grandes casas começassem a correr atrás e tiveram um papel fundamental nesse revival.

Prada Cleo

Prada CleoGetty Images

A Prada, por exemplo, além de suas tão reconhecíveis opções de nylon, escolheu relançar também a Cleo, bolsa de construção arredondada hit nos anos 1990. A Jackie, da Gucci, é outra. De cara nova, a versão proposta por Alessandro Michele está disponível em três tamanhos diferentes e tem sido presença confirmada em todo desfile da marca italiana. Essa lista é extensa e inclui relançamentos da Celine, Louis Vuitton, Burberry, Dior, Coach e por aí vai.

…e os brechós também

Apesar dos novos modelos, não podemos negar que esse momento nostálgico é também a oportunidade perfeita para garimpar uma boa bolsa vintage. Em uma rápida passagem pelo feed de diferentes brechós, você irá encontrar uma infinidade de shoulder bags. É o caso do SEFF, brechó online especializado em itens de luxo. “Criei o meu brechó em 2016 e sinto que, desde lá, as pessoas se abriram muito para esse mercado”, comenta o fundador Leon Seff. “Antes, existia sim preconceito. Batiam na tecla de que seriam itens de pessoas mortas ou que as peças já estariam estragadas. Hoje, já existe uma outra consciência”, afirma.

Leon não nega que, nos últimos tempos, a procura por shoulder bags disparou e, para ele e seus clientes, adquirir uma opção vintage tem um gostinho especial: “Quem coleciona e é, de fato, apaixonado por moda, prefere os modelos mais diferentes, exclusivos e únicos. Em um brechó, você encontra exatamente isso”. O paulista ainda chama atenção para o investimento: “No mercado de usados, o vintage muitas vezes vale mais, principalmente se for de uma edição limitada ou um modelo muito raro. Elas são imbatíveis”.

A curiosidade é que a peça aparece logo depois de uma tendência quase oposta. “A gente estava naquela febre de microbolsas, que não cabiam nada, e eu as vendia como água. Mas, agora, com as shoulder bags, você não precisa carregar nada na mão. Colocar no ombro é muito mais fácil”, opina Leon. E é mesmo. Para muitos, o tamanho parece perfeito 一 não tão grande, a ponto da bolsa se tornar um buraco negro e engolir tudo que você carrega, nem tão pequena.

E para quem duvida, Lauryn Hill já tinha nos provado isso lá em 1998, no clipe de Everything is Everything. A cantora aparece correndo livremente pelas ruas, com a sua bolsa debaixo do ombro, sem se importar com mais nada. Em tempos de quarentena, o gatilho é real, e a vontade de poder fazer o mesmo só aumenta.

Para ler conteúdos exclusivos e multimídia, assine a ELLE View, nossa revista digital mensal para assinantes