Cadastre-se em nossa newsletter para ler este e outros artigos.

Doses semanais de moda, beleza, cultura e lifestyle, além, é claro, de todas os lançamentos da ELLE!
Inscreva-se gratuitamente.

  • ASSINE NOSSA NEWSLETTER
  • O melhor da ELLE direto no seu inbox! Inscreva-se gratuitamente.
  • INSCREVA-SE AQUI
Fotos: Getty Images
PUBLICIDADE

Em fevereiro passado, durante os desfiles para o inverno 2021, as campanhas de vacinação estavam apenas começando. Era a luz no fim do túnel após mais de um ano de confinamentos, distanciamento social e perdas inestimáveis. Nas passarelas, tal sentimento se traduziu de maneira quase eufórica, com muito brilho, babados, volumes, excessos e glamour sem limites. Era a completa antítese do look de ficar em casa, do moletom, camiseta, chinelo e tudo mais extremamente confortável.

Quase seis meses depois, sabemos que a realidade não é como foi desenhada. Os números de mortes e infecções caíram de fato, mas veio a variante delta, a palhaçadinha sem fundamento dos antivacinas e a mais um tanto de incertezas sanitárias, econômicas e, em partes do mundo, políticas. Tudo isso fez com que os exageros estéticos da temporada passada parecessem mais egoístas do que hedonistas. Ou no mínimo um pouco desconectados da realidade.

Vem daí uma outra interpretação do vestir pós-vacina que prefere a formalidade no lugar da exuberância. Mas calma, não estamos falando de uma formalidade estrita, sisuda. Trata-se de um tipo de roupa formal que acompanha os sentimentos do momento: preza pelo conforto, cria a sensação de segurança e até de algum tipo de estabilidade em meio ao caos. E um dos melhores exemplos disso pode ser visto no verão 2022 da Proenza Schouler.

PUBLICIDADE

Apresentada no recém-inaugurado parque Little Island, às margens do rio Hudson, em Nova York, a coleção tem espírito praiano e veranil, principalmente pelo uso de cores intensas (quase sempre primárias) e elementos vindos de uniformes de mergulho e surf. É que, logo após receberem as duas doses da vacina, os estilistas Lazaro Hernandez e Jack McCollough viajaram para uma ilha no Havaí, uma espécie de refúgio ou retiro recorrente para a dupla.


A mensagem principal, porém, vem com a alfaiataria. Quase um choque de realidade em meios aos delírios veranis e às vontades escapistas. Blazers, trench-coats e calças de barras encurtadas e levemente abertas reforçam uma silhueta de linhas puras e bastante prática, há tempos trabalhada pela marca. Tem um quê meio Céline, na época em que o nome ainda tinha acento e Phoebe Philo na direção criativa. Ainda assim, existe uma vibe mais cosmopolita nessa imagem, bem como alguns exageros típicos de uma cena e estilo bem específicos de Nova York.

O desenho é sempre alongado, com franjas e comprimentos mídi reforçando a verticalidade. De novidade, aparecem os volumes no quadril - algo recorrente nos primeiros desfiles da NYFW. Com tecidos estruturados, eles combinam de maneira bem interessante a ideia de proteção, feminilidade e conforto. O mesmo vale para os ternos e jaquetas desta coleção.

PUBLICIDADE

É aí que a ideia de formalidade, mencionada acima, começa a fazer sentido. Não se trata de uma roupa confortável para ficar em casa – ainda que isso seja perfeitamente possível. É um look que imprime cuidado, arrumação, mas de uma maneira considerada e suave. Revela o desejo por uma moda mais elaborada, sem esquecer da realidade e de seus efeitos sobre nós.

E aí dá até para fazer uma leitura interessante de olho nos sapatos de solado pesado e sem salto. Em boa parte dos looks, eles se destacam bastante. Com as linhas verticais e alongadas das roupas, é como se houvesse uma força gravitacional puxando tudo para baixo. Pés no chão, mas cabeça nem tanto. Afinal, ninguém aguenta mais não aguentar mais. Daí a necessidade (ou vontade) de uma roupa que nos faça sonhar ou sentir coisas diferentes, sem nos deixar completamente vulneráveis ou alienados.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos
ASSINE A ELLE