Foto Cortesia | Savage x Fenty
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No ano passado, foi durante a semana de moda de Nova York, e diante de uma plateia presencial que a Rihanna revolucionou o mercado de underwear ao substituir a hipersexualização plástica e objetificada dos desfiles da Vicotria's Secret por uma verdadeira celebração de todos os tipos de corpos. Era a segunda apresentação da sua marca de lingerie, a Savage x Fenty, com direito a transmissão ao vivo pela plataforma de streaming Amazon Prime. Agora, enquanto toda a indústria da moda se questiona sobre a melhor maneira de apresentar uma coleção, seus próprios valores e o que significa fazer moda, Rihanna faz tudo. De novo. E bem no meio da semana de moda de Paris.

Na madrugada desta sexta-feira, 02/10, a Amazon Prime disponibilizou o terceiro desfile da Savage x Fenty. Desta vez, devido à Covid-19, não teve plateia, mas isso não diminuiu em nada a grandiosidade e potência do evento. Pelo contrário. Ao longo de alguns dias, o chamado Vol. 2 foi gravado num centro de convenções vazio em Los Angeles, com uma lista de personalidades ainda mais icônica do que a versão de 2019. Respira fundo e vem com a gente: as modelos Cara Delevingne, Bella Hadid e Soo Joo Park; as cantoras Rosalía, Lizzo e Normani; as drag queens Shea Couleé, Jaida Essence Hall e Gigi Goode; as atrizes Demi Moore, Indya Moore e Laura Harrier. E esses são apenas alguns dos nomes que aparecem na mega produção.

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Teve ainda a participação dos rappers Bad Bunny, Miguel e Christian Combs (filho de Sean 'Diddy' Combs) performando e modelando os primeiros modelos masculinos de robes e calções de seda da Savage x Fenty.



Mais uma vez, Rihanna honra o lugar que ocupa como uma das pessoas mais poderosas da atualidade, e este poder está intimamente ligado aos seu princípios. Uma das principais novidades nesta terceira coleção e segunda apresentação via streaming foram os inserts meio behind the scenes. Neles pudemos não só observar mais de perto o processo criativo de RiRi, mas também mergulhar mais afundo em seu universo criativo.

"Inspiração pode vir de qualquer coisa. O que a torna única é sua interpretação daquela mensagem, as cores que você escolhe, as texturas", disse a cantora. Rihanna diz ainda nunca havia imaginado que poderia gerar tanta comoção. Seu único desejo era incluir todo mundo: "inclusao sempre foi foi algo tão natural, não algo que eu tenha que pensar" diz a rainha em um trecho do filme.

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"Contar a história é a última parte da jornada, há a experiência e há o sentimento ligado a tudo isso." Rihanna coloca em cena o "feeling" que nos atravessa profundamente por meio de movimentos precisos e fortes dos dançarinos, de uma pluralidade e diversidade vivida e sentida através da música, da beleza, da moda e do casting poderosíssimo. Trata-se da verdadeira essência do que significa Savage x Fenty. Poder! Esse poder é sentido através da pele, toque, sentimento e muita selvageria. É uma proposta, mais uma vez, de mudança radical no mercado, na maneira como se faz, se apresenta e se pensa moda. Principalmente aquela íntima, em contato direto com nossos corpos.


Parris Goebel.Foto Cortesia | Savage x Fenty


Normani.Foto Cortesia | Savage x Fenty


Logo na abertura somos surpreendidos por Parris Goebel, coreógrafa do show, abrindo o desfile frente a frente com a musa RiRi e ao fundo o texto: "uma selvagem, uma leoa, ela não pode ser domada"! Pouco tempo depois, surge Normani de noiva, mas sem vestido, só vel, top, hot pant, cinta liga e uma meia-calça de látex branco. Na trilha, N.E.R.D canta She Wants To Move. O simbolismo não podia ser mais literal: a noiva, que tradicionalmente fecha os desfiles de alta-costura, agora está aqui abrindo caminhos. E livre. Com movimento, sensualidade e poder. Tudo próprio.

Rihanna e seu casting de colaboradoras falam muito sobre sexualidade. O que parece óbvio quando se fala de um desfile de lingerie, mas aqui é diferente. O discurso fala sobre a importância e dificuldade do processo de aceitação e empoderamento da própria sexualidade, dos próprios desejos. É um olhar de dentro para fora, independente de contextos, de olhos e vontades alheios. A mensagem ganha vida com Lizzo se sentindo – e sendo – maravilhosa frente a um espelho, seguida de uma espécie de jardins das delícias libertário e empoderador. Na trilha, Frank Ocean canta Self Control antes da performance de Miguel.


Lizzo.Foto Cortesia | Savage x Fenty


Tem ainda uma Demi Moore deslumbrante e poderosíssima. Aos 56 anos, ela foi uma das pioneiras da indústria cinematográfica a exigir tratamento e pagamento igual a seus colegas masculinos de cenas.

Inspiração, humor, comunidade e sexualidade são o fio condutor do show. É sobre confiança, transformação e a possibilidade de ser muitas em uma só. "Acho muito inspirador como você pode usar cores tinta maquiagem e texturas para incorporar o que você quiser. Vejo drag queens fazendo isso ao desenhar os lábios e, de repente, se transforma completamente. Todos temos múltiplas personalidades, existem várias partes diferentes de nós que estão colidindo e se entrelaçando. Isso é poderoso", narra a dona da p#@%& toda durante o vídeo.

Savage x Fenty, convida a indústria a ampliar suas noções de comunidade ao abrir o processo para o público mostrando que pensar comunidade não é abrir mão de quem você é, mas, sim, valorizar quem você é. Mais uma vez coloca pra jogo que a beleza não é sobre o olhar do outro para nós, e sim, sobre o nosso olhar para nós mesmas e quanto isso é poderoso.

Como bem disse Soo Joo Park, o desfile da Savage x Fenty poderia ser resumido em uma frase: "foda-se e seja você mesma!"


Contamos tudo sobre o desembarque da marca por aqui e aproveitamos para relembrar o que faz deste projeto de Rihanna ser considerado uma das inovações mais importantes do mercado de beleza dos últimos anos.



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