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Moda

Rina Sawayama sobre moda, Pabllo Vittar e a parte mais essencial do seu estilo

Parte da nova campanha da Calvin Klein, Blank Canvas, que celebra criadores visionários, a cantora nipo-britânica Rina Sawayama fala em entrevista à ELLE Brasil por que não abre mão de ter controle sobre seu trabalho e sua narrativa.

Foto: Mario Sorrenti
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Em 2017, Rina Sawayama estava começando a aparecer no mainstream com seu primeiro EP, RINA. Ela chamou atenção por seu talento, claro, mas também por ser uma das primeiras mulheres de origem japonesa a cantar pop no ocidente, mais especificamente no Reino Unido, onde mora desde os cinco anos. Nessa época, ela chegou a participar de um vídeo para a i-D em que falava sobre a indústria musical não ter muitas referências para lidar com o início do seu sucesso: "As pessoas normalmente falam: 'essa é a nova Adele ou essa é a nova Janet Jackson' e, quando me viam, ficavam, 'você é a nova…?'". Na maioria das vezes, ela relembra que as agências não sabiam muito bem o que fazer com "alguém como ela".

Não demorou muito para que ela conquistasse um espaço próprio, que não dependia de comparações. Sua música e seu estilo a levaram a alcançar mais de 100 milhões de streams nas plataformas e muito interesse de marcas de moda em associar seus lançamentos às experimentações visuais de Rina. A mais recente é a Calvin Klein, que, por sua vez, decidiu buscar o lado mais fundamental da cantora. "Eu diria que na minha vida não popstar eu sou uma pessoa bastante minimalista. Eu não compro muitas coisas e meu estilo é bem simples: preto e branco. Busco coisas divertidas e confortáveis, diferentemente de quando estou no palco e performando", diz ela em entrevista à ELLE.

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E foi essa faceta que ela mostrou nas imagens de Mario Sorrenti e no vídeo de Terence Nance. Ao lado de nomes como Megan Thee Stallion e Jacob Elordi, Blank Canvas fala sobre minimalismo e encontrar o que há de mais essencial na sua personalidade, algo que Rina já vem mostrando há algum tempo com seu trabalho.

Com referências musicais que envolvem algumas estrelas japonesas, como Hikaru Utada e Crystal Kay, mas principalmente Britney Spears e Avril Lavigne, em RINA, ela fala de questões comuns aos jovens que estão constantemente na internet, como ansiedade e vício em redes sociais. Para criar o EP, ela usou como base sua formação em política, sociologia e psicologia e apresentou essas angústias embaladas por referências de R&B dos anos 2000. "Eu diria que escrever músicas é a parte mais desafiadora porque você precisa trabalhar com estrutura, mas também ser experimental, vulnerável e segura de você mesma", diz ela sobre o processo de escrita – raro para estrelas do pop, mas do qual ela não abre mão. Vale citar que seu EP de lançamento foi um dos mais aclamados de 2017. Entrou no top 20 do Pitchfork e, para o crítico de música Anthony Fantano, foi o melhor EP do ano.

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Rina Sawayama faz parte da campanha Blank Canvas, da Calvin Klein.Foto: Mario Sorrenti

Rina Sawayama faz parte da campanha Blank Canvas, da Calvin Klein.

Seu estilo também sempre chamou atenção ao lado de suas músicas. Colorido e extravagante, ela mistura elementos de streetwear, das ruas de Tóquio e de Londres, e dos anos 2000. "A moda é muito importante para mim porque ela faz com que cada show e cada performance sejam estimulantes. Ela é uma expressão artística, assim como a coreografia é no palco. Eu realmente acredito que é possível engrandecer uma ideia tendo roupas, cabelo e maquiagem incríveis", aponta sobre sua relação com moda e beleza. Quando o assunto é maquiagem, ela vai ainda mais fundo, trazendo referências do universo drag e apostando em delineados dos mais diversos tipos. "Eu sempre amei maquiagem, existe uma foto minha de quando eu tinha 12 anos em que eu simplesmente raspei minha sobrancelha porque senti que deveria fazer isso. Sempre gostei de experimentar com as características do meu rosto. Tenho muita sorte de trabalhar com maquiadores incríveis e estou sempre pegando dicas e assistindo o que eles estão fazendo, o que é bem divertido. Durante o lockdown, fiquei um pouco entediada e a maquiagem foi algo que eu podia trocar rapidamente e me divertir."

Após ganhar o mundo com seus hits e clipes vibrantes, um álbum completo passou a ser muito aguardado, e ele veio em abril do ano passado, com o nome SAWAYAMA. Desta vez, ela focou ainda mais em suas experiências sendo uma mulher com raízes japonesas no ocidente, completando o ciclo que havia iniciado com RINA. "Como artista, eu tenho que interpretar as músicas tantas vezes no palco que, se não for autêntico, não vai parecer certo continuar performando. Eu também sinto que posso me conectar mais com os fãs por causa dos tópicos das músicas", diz ela sobre por que foi tão importante abordar histórias pessoais tanto no EP quanto no álbum. O disco agradou ainda mais os fãs brasileiros quando a música "Comme des Garçons (Like the Boys)" ganhou um remix com Pabllo Vittar. "Nós não nos conhecemos pessoalmente, mas eu a seguia no Instagram porque amei a música que ela fez com a Charlie XCX. Eu amo o que ela representa e o remix é definitivamente um dos meus favoritos."

"Como artista, eu tenho que interpretar as músicas tantas vezes no palco que, se não for autêntico, não vai parecer certo continuar performando." - Rina Sawayama

Com o lançamento do disco, Rina acabou conquistando um outro grande feito: a cantora e seus fãs conseguiram mudar uma regra do BRIT Awards, o prêmio musical anual do Reino Unido. Apesar de morar na Inglaterra há muitos anos, Rina não era considerada apta a concorrer na premiação por ter nascido no Japão. O fato intensificou o debate sobre imigração e ganhou as redes sociais. Por lá, a pressão virou ação e a premiação alterou o regulamento, indicando-a à categoria de Rising Star. "Eu me sinto incrível por isso. Agora, outros artistas também passaram a ser elegíveis aos BRITs, não apenas eu, então estou muito grata aos meus fãs por terem se envolvido e falado sobre", diz ela. O evento acontece em maio e nós, por aqui, estaremos torcendo por ela. "Tenho muitos fãs brasileiros e mal posso esperar para ir até aí e performar", finaliza Rina.

Rina Sawayama faz parte da campanha Blank Canvas, da Calvin Klein.Foto: Mario Sorrenti

Embora o início e a expansão do K-pop estejam relacionados a artistas e grupos masculinos, as mulheres têm um papel fundamental nessa história, que começou muitos anos antes do que se imagina.


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