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A última coleção que Samuel Cirnansck havia apresentado na semana de moda paulista foi em 2018. Ele desfilava há quase 20 anos ininterruptamente, quando percebeu que precisava de uma pausa. As férias, no entanto, coincidiram com a pandemia e o estilista, que já estava animado para voltar e comemorar as suas duas décadas de passarela, teve que esperar por mais um tempo.

Nesta temporada, com um pouco mais de fôlego, ele entendeu que voltar a fazer parte da SPFW não é só uma realização pessoal, é muito mais. "Pensei na necessidade de fazer tudo se movimentar. Com a pandemia, está bem difícil. Mas uma coleção, mesmo que enxuta, faz com que bordadeiras e costureiras trabalhem, modelos sejam contratadas. Acredito que é também o nosso papel fazer com que este cenário continue a existir", ele afirma.

A volta, porém, acontece de um jeito diferente do que ele estava acostumado. Trata-se de sua primeira apresentação no formato digital, por meio de um filme fashion. "Decidi por algo simples, pequeno, mas que funcionasse como um start nesse novo mundo para mim", conta. Filmado no Teatro FAAP, o curta reproduz a ideia de um backstage, como uma sessão de fotos que está prestes a acontecer, com modelos se arrumando para entrar numa passarela que se abrirá em instantes. "Tem uma ideia de making of", diz. E os seus looks, dados ao glamour, funcionam bem na luz dramática do palco.

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A coleção é cápsula, mas cheia de detalhes. Os sete vestidos trazem o que Samuel chama de estudo de moda. "Um recurso que uso há muito tempo é o corset, mas, dessa vez, decidi manter a estrutura dele e tirar todo o tecido. A ideia era criar uma base, como na arquitetura e, então, construir em cima."

Este estudo aparece principalmente no trabalho de preenchimento com bordados. Os cristais foram colocados diretamente nas barbatanas da peça de tal maneira que, de longe, passa a ideia de tecido, mas, de perto, revela uma trama feita de canutilhos. "Como tenho o ateliê, consigo transitar por essa roupa mais aspiracional, de passarela, que passa uma intenção de cor, textura", afirma.


Divulgação


"Esta coleção é pequena, em função das limitações, mas representa uma vontade de estar junto, de mostrar uma roupa", explica o estilista. Com uma marca que produz especificamente looks noturnos, de festas, ou seja, tudo aquilo que foi interrompido pela pandemia de Covid-19, esse desejo é mais do que latente. "No início, achei que o mundo ia acabar. Foi um tsunami para todo mundo, e eu só pensava por quanto tempo a minha empresa ficaria fechada. Foi e está sendo difícil, porque o mercado segue travado."

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Aos poucos, Samuel consegue voltar a atender noivas virtualmente para casamentos pequenos, o que tem feito a esperança aumentar. "Tivemos muitas mortes. [A pandemia] tem sido ruim para todos os brasileiros. Mas preciso acreditar que tudo passa. Parece ruim falar disso agora, em meio a tanta coisa triste acontecendo, mas espero que a gente volte a festejar mais uma vez. É possível criar camadas em cima das feridas. Até pensei que haveria uma queda na vontade de extravagância, de ser festivo, mas já percebi que as minhas clientes querem voltar ao brilho, ao volume e deixar o moletom só para quando estiverem em casa, mesmo."

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