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CONTEÚDO APRESENTADO POR SOU DE ALGODÃO

"Como mulher negra, não encontrava nada na moda que representasse a gente", diz Monica Sampaio. Os tamanhos eram reduzidos e limitados e, segundo a carioca, faltavam cores e estampas. A solução foi fazer ela mesma as próprias roupas. "Fiquei conhecida por elas na universidade. Sempre me perguntavam de onde eram."

A faculdade, no caso, era de engenharia, profissão que exerceu por duas décadas e com bastante sucesso. Monica foi uma das primeiras engenheiras eletricistas da Varig, passou por algumas multinacionais e pelo Exército brasileiro. "Em todos esses lugares acontecia a mesma coisa: chegava lá com a boca pintada de vermelho, salto, vestidos longos e vários conjuntos, tudo sempre muito colorido, e logo vinham perguntar de onde vinham aquelas roupas", relembra.

Foto: Victor Vieira

A moda apareceu na sua vida meio por acaso (para não falar destino). Foi resultado de uma equação entre fatores pouco prováveis, porém com excelente produto. Seu pai era físico nuclear, daí a aptidão pelas ciências exatas, e sua mãe, mais chegada às artes e à criatividade. Deu no que deu, ainda que tenha levado um tempinho.

No início dos anos 2010, Monica deu início a sua última empreitada na engenharia, dessa vez por conta própria. "Mas durou apenas três anos, porque o mercado da área começou a ruir", conta. Foi quando começou a vislumbrar outras oportunidades. "Não queria sair do Rio de Janeiro, minha família toda estava aqui, não via muita opção. Decidi, então, apostar no que gostava."

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Nascia assim, em 2015, a Santa Resistência, marca que não demorou muito para ficar conhecida pelas túnicas de seda estampada e vestidos longos. "Foi um boom", fala Monica, com entusiasmo, sobre suas peças-chave focadas em elementos, belezas e culturas africanas. No plural mesmo, "afinal, a África é um continente imenso!", nas palavras da própria.

São roupas vibrantes, comunicam energia, alegria, leveza e praticidade de maneiras bem peculiares. São fáceis, confortáveis, mas carregadas de significados e, em momento algum, banais. E para isso, a engenheira feita estilista tem uma explicação: "São peças feitas com alma". E também num tempo próprio, livre das demandas e pressões dos calendários tradicionais de lançamento. "Sai no tempo dela, quando tiver de sair, quando estiverem prontas", diz.

Fotos: Victor Vieira. Modelo: Sara Dominique. Maquiagem: @tubiasmakeup

Se existe melhor e mais preciso significado para a expressão slow fashion, desconhecemos. "Minhas peças são limitadas, produzidas com gasto mínimo de tecido. E ainda fazemos recolhimento e doações de resíduos", relata. Quando a marca dava seus primeiros passos, boa parte das coleções eram compostas de tecidos sintéticos, porém com o tempo, as fibras naturais se tornam dominantes. Entre elas, destacam-se o linho e o algodão. "São mais duráveis, adequadas ao clima do nosso país e dão uma aparência mais elegante às roupas."

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Os esforços, de modo algum, se limitam aos bastidores. Existe toda uma força tarefa na comunicação para explicar e conscientizar as consumidoras das marcas sobre as vantagens de consumir tecidos de origem natural, respeitando todos os processos da cadeia produtiva de forma responsável ambiental e socialmente.

Fotos: Victor Vieira. Modelo: Sara Dominique. Maquiagem: @tubiasmakeup

Seis anos atrás, para se firmar e fazer conhecida no mercado, a Santa Resistência apostou nas feiras de moda como as do Lavradio, Praças Tiradentes e do circuito Lapa. "Nunca estudei moda, só tinha paixão e muita vontade de empreender", comenta. Coragem e talento também, se nos permite. Falta só oportunidade.

A primeira delas apareceu em 2017, com o projeto Sebrae Moda Afro. Junto a outros 40 profissionais negros, Monica foi selecionada para receber mentoriais de empreendedorismo. A partir de lá, parte do grupo criou o primeiro coletivo de moda negra do Rio de Janeiro, o Afrocriadores (hoje FabrikAfro), com uma loja compartilhada em Ipanema.

A segunda e mais recente, veio a convite do projeto Sankofa. A Santa Resistência foi uma das oito marcas selecionadas para participarem da próxima edição da São Paulo Fashion Week, receber apoio profissional variado (serão psicólogos, advogados, contadores), além do amadrinhamento de uma etiqueta já integrante da semana de moda (a madrinha de Mônica é a caboverdiana Angela Brito).

Fotos: Victor Vieira. Modelo: Sara Dominique. Maquiagem: @tubiasmakeup

"É uma iniciativa importantíssima para mostrar que pessoas negras também criam e atuam além dos bastidores", diz a estilista sobre o Sankofa. Para sua estreia na fashion week, ela está trabalhando numa coleção em homenagem a Elizabeth de Toro, uma princesa de Uganda, nascida na década de 1930, que virou modelo nos anos 1960 e uma das primeiras mulheres negras a ingressar no curso de direito na Universidade de Cambridge, ministra das relações exteriores de seu país e embaixadora da ONU.

Mais do que isso, só no filme de moda que Monica está produzindo para a ocasião.

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