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Reciclagem de resíduos, upcycling e transmutação têxtil são nomes semelhantes para a prática de fazer roupas a partir de peças já existentes, retalhos e resíduos usados ou descartados na confecção. No quarto dia de Casa de Criadores, marcas que apostam nessa maneira de fazer moda deram o tom à noite de apresentações. Outro tema recorrente é o da coletividade. Só ontem, Vicenta Perrotta, Ateliê Criativa Vou Assim e Vivão criaram suas peças à muitas mãos.

Começando por Vicenta Perrotta, umas principais vozes discursando sobre coletividade e transmutação têxtil, técnica que usa, ensina e passa para frente sempre que possível. Nesta edição, ela reuniu as ideias de quatro das marcas mais maduras fomentadas pelo Ateliê TransMorasDulce Mel Modas, Vista Vaskes, Coletivo Cabeças e Transcooper – para criar uma coleção que busca retratar os looks usados por travestis ao sair de casa para trabalhar e viver uma vida normal. Na passarela, isso se traduz em conjuntinhos coloridos de plush, vestidos curtos em A e tops feitos apenas de gravatas vintage.

Na Ateliê Criativa Vou Assim, uma plataforma de apoio à arte de corpos dissidentes e pessoas trans, o que une as coleções apresentadas é o uso de retalhos, resíduos e até lixo para criar. Atualmente, o grupo é composto por A Pimentel, Amangelo Prateado, Mira Visuais, Luä Ayo Ayana e Japhette Lant. Cada um à sua maneira, as marcas construíram peças com tecidos de descarte que são encontrados desde o Brás, em São Paulo, até o sertão da Bahia.

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Foto: Agência Fotosite

Vicenta Perrotta.


Quem também uniu forças criativas para apresentar uma narrativa interessante foi a Vivão. Com seu trabalho que flerta com o metaverso, o estilista brinca com códigos que, na nossa cabeça, são virtuais – apesar de reais –, como os chips aplicados em papetes e as asas cyberpunk que abrem o desfile. As pinturas à mão, código que também faz parte de seu DNA, aparecem nas costas de jaquetas e em calças de couro.

Mas quem realmente mostrou uma coleção bem resolvida em termos de upcycling foi Leandro Castro. Era sua estreia presencial na Casa de Criadores, então ele decidiu apresentar peças pretas, com foco nas técnicas de superfície como plissados, amarrações, franzidos e toda uma sorte de texturas diferentes. Antes da apresentação, o estilista contou que usou kimonos originais de judô e até tapetes de carro em seu processo criativo e de confecção. A imagem é fresca e mostra a pesquisa árdua de Castro por detalhes surpreendentes.

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Outra boa “segunda” estreia foi a de Filipe Freire, que já havia desfilado antes na CdC anos atrás, com suas peças que envolvem o corpo. Sua marca é especializada em joias corporais feitas a partir de correntes, e, nesta temporada, ele conta que quis suavizar essa imagem, sempre muito associada a temas mais pesados. Na passarela, tops, shortinhos, vestidos, bermudas, blusas e até um “crochê” são os destaques. Para abrir o casting de mulheres – todas negras – reais, o estilista convidou Thelma, ex-BBB, para ser sua musa.

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