Valentina Herszage e Breno Ferreira celebram a arte de viajar e escrever memórias

A convite da Montblanc, que comemora um século de expertise na criação de artigos de couro, os atores Valentina Herszage e Breno Ferreira refletem sobre as suas trajetórias, memórias e a arte da escrita para preservar momentos.


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Fotos: Hudson Rennan



CONTEÚDO APRESENTADO POR MONTBLANC

Há um século, a Montblanc começou a criar itens de couro para guardar as suas famosas canetas-tinteiro. Com o tempo, os estojos evoluíram para pastas, mochilas e uma variedade de bolsas. A linha se consolidou como uma companheira de viagens.

Afinal, os instrumentos de escrita deixaram de ficar somente nas mesas dos escritórios para acompanhar desbravadores pelo mundo. Eles serviam para registrar cada detalhe dessas trajetórias, escrever cartas aos que ficavam para trás e anotar ideias e sonhos futuros, que atravessariam muitos outros embarques.

Para coroar esse centenário, que celebra a conexão entre a escrita à mão como uma jornada de conhecimento e descoberta, Valentina Herszage e Breno Ferreira, expoentes da dramaturgia nacional, relatam a convite da Montblanc suas experiências com a palavra enquanto descobrem o mundo e constroem suas carreiras.

Valentina Herszage

Carioca de 28 anos, Valentina Herszage é filha de um agente de viagens e uma psicanalista. Durante a infância, viajava muito devido à profissão do pai. “Em todas as férias, nós íamos a Teresópolis e ficávamos naquele período com o pé na grama”, conta ela. “E percorríamos o mundo conhecendo destinos alternativos. Herdei o olhar curioso para aquilo que não é óbvio.”

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Jaqueta e calça, Balmain. Blusa, Mondepars. Brincos, acervo ELLE. Pasta, Montblanc. Sapatos, Louis Vuitton. Foto: Hudson Rennan

Os pais também a ensinaram a gostar de cinema e musicais. “Sempre fui expressiva. Sabe aquelas crianças que cobram ingresso da família para assistir à própria peça? Fui uma delas.” Na escola, fez dança, sapateado, canto, teatro e circo. A estreia profissional aconteceu aos 11 anos, com o curta-metragem Direita é a mão que você escreve (2009). Em 2015, aos 17, ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival do Rio pelo longa Mate-me, por favor, lançado naquele mesmo ano no Festival de Veneza.

Desde então, Valentina acumula participações em séries e novelas. Mas ganhou destaque especial nas telonas, em obras que resgatam períodos importantes da história do país, a exemplo de O mensageiro (2023) e A batalha da rua Maria Antônia (2023). Nada se compara, porém, com o sucesso de Ainda estou aqui (2024), vencedor do Oscar de 2025 como Melhor Filme Internacional. Na trama, a artista dá vida a Veroca, uma das filhas de Eunice e Rubens Paiva, ex-político sequestrado e morto pela ditadura militar brasileira.

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Top, H&M Studio. Calça, Mondepars. Brincos, Yar. Bolsa, Montblanc. Foto: Hudson Rennan

“De alguma forma, os trabalhos mais importantes na minha carreira são sobre a memória. Eu gosto muito de atuar neles pela questão histórica e política”, conta. “O cinema brasileiro é impecável e vive um momento de maior visibilidade. Nas artes, sabemos abraçar o nosso patrimônio cultural, nossa própria identidade”, opina.

Atualmente, ela integra o elenco da série Emergência 53 (2026), do Globoplay. E diz, brincando, que os novos projetos são mais leves. Acaba de gravar Pedro e Nina, filme dos Estúdios Globo, no qual vive uma grande amiga da protagonista interpretada pela cantora Anitta.

Não importa a intensidade da história, o refúgio da atriz é sempre o trabalho manual. Valentina borda, crocheta, produz tapetes e, mais recentemente, passou a construir folhas e flores de miçangas. “Montei um ateliê em casa. Faço flores o tempo todo, quando estou feliz, animada, ou desanimada e triste.”

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Blusa e calça, Francesca. Bracelete, Yar. Bolsa, Montblanc. Sapatos, Santa Lolla. Foto: Hudson Rennan

Essa mesma dedicação cuidadosa transbordou para o papel. Nos últimos dois anos, a escrita virou outro ofício manual obstinado. Há um roteiro em desenvolvimento feito com a amiga Dora Freind, escritora e dramaturga. “Começamos uma orientação com a (diretora de cinema) Mariana Bastos e estamos escrevendo uma trama que fala de duas atrizes. É um filme dentro de um filme. As duas personagens não são protagonistas, e falamos de como elas lidam com as suas vaidades, desejos e sonhos”, explica.

“Eu tenho essa inquietude de não ser só atriz, de apenas esperar o próximo projeto chegar. Quero dirigir e escrever histórias.” Ela planeja futuramente narrar a vida das avós: a materna, uma filha de um almirante da Marinha que se opôs ao golpe de 1964 e foi preso na Ditadura, e a paterna, uma irreverente crítica de cinema que amava bijuterias. “Todo mundo tem grandes relatos para contar”, finaliza, reafirmando que a escrita é a maneira mais bonita de eternizar pessoas.

Breno Ferreira

O carioca Breno Ferreira, 28 anos, divide a rotina dos sets de filmagem com a escrita, uma relação íntima e analógica que nasceu graças à música. Aos 6 anos, o filho de um militar e de uma comerciante se mudou com a família do Rio de Janeiro. “Meu pai é da capital baiana e minha mãe de Xique-Xique. Por causa do trabalho dele, fomos todos para Salvador. Lembro de ter me tornado indivíduo na cidade, de entender quem eu era, meus anseios. É um lugar não só de carinho, mas onde eu sinto que pertenço”, diz ele.

Como a região respira ritmos, ele foi profundamente influenciado a colocar seus sentimentos no papel. “A música sempre foi forte em mim. Você escuta a todo momento carros de som tocando rock, reggae, samba–reggae. E a escrita tem esse lugar de colocar para fora, mas ela permite documentar aquilo. Isso tem um poder enorme”, reflete sobre o hábito. “Desde os meus 13 anos, eu escrevo letras para amores, amigos, gente de quem gosto muito. As pessoas me ajudam a compor essas histórias.”

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Jaqueta e camisa, Carnan. Calça, Riachuelo. Óculos e bolsa, Montblanc. Anel, Guerreiro. Botas, acervo pessoal. Foto: Hudson Rennan

Durante a adolescência, Breno virou jogador de futebol. Ele chegou a atuar profissionalmente nos times Bahia e Vitória, além do Clube de Regatas Brasil, de Maceió. “Modéstia à parte, eu era um bom goleiro. Mas, com o tempo, entendi que aquilo não iria me fazer feliz.”

Aos 16 anos, ele retornou ao Rio de Janeiro e começou a estudar teatro influenciado pelo irmão mais velho, o também ator Dan Ferreira. “A gente sempre curtiu cinema, ir à locadora e ver filmes com o nosso pai. E ver o meu irmão abrindo o caminho, principalmente como um cara preto, me fez entender que era possível. Ele tem uma parcela enorme na minha escolha e continuidade na profissão”, reconhece.

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Jaqueta, Balmain. Camisa Handred. Calça e sapatos, Ferragamo. Anel, Guerreiro. Bolsa, Montblanc. Meias, Calzedonia. Foto: Hudson Rennan

Breno estreou profissionalmente em 2020, na segunda temporada da série Coisa mais linda, da Netflix. Depois, engatou uma sequência ininterrupta de projetos. Gravou Manhãs de setembro (2021), O presidente (2022) e De volta aos 15 (2023) e atuou em sua primeira novela no horário nobre no ano passado, no remake de Vale tudo, da TV Globo.

Hoje, integra o elenco de outro folhetim: Quem ama cuida. Paralelamente, atraiu a atenção da crítica pela performance na série A grande jogada de risco (2026), do Globoplay, na qual vive o jogador de futebol gay Geraldo. “É importante que essas pessoas sejam retratadas. Não deveríamos tratar a homofobia como algo normal no esporte ou em qualquer outro lugar”, conta o ator.

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Blazer, calça e sapatos, tudo Louis Vuitton. Pasta, Montblanc. Na página ao lado, top, H&M Studio. Calça, Mondepars. Brincos, Yar. Bolsa, Montblanc. Foto: Hudson Rennan

Para o futuro, ele quer transformar a sua velha aliada, a escrita, em narrativas audiovisuais pautadas em maior representatividade. “Agora escrevo pensamentos, ideias, mas quero chegar ao ponto de dirigir roteiros próprios”, projeta.

Entre os desejos, está documentar a jornada da mãe, que deixou o sertão nordestino aos 9 anos para trabalhar em fazendas e, adulta, virou dona de uma loja de moda. “Não se trata de romantizar a dureza que ela passou, mas valorizar esse ser humano. É o que eu acho mais incrível do texto: eternizar pessoas e situações que merecem ser lembradas”, conclui.

 

Créditos:

Fotos: Hudson Renna
Edição de moda: Gustavo Souza e Thiago Torres

Set Design : Anderson Rodriguez
Produção de Arte: Cassio Onohara
Produção de Moda: Amanda Souza
Produção executiva: Isabela de Paula (Cítrica) e Izabela Ribeiro

Assistente de moda: Amanda Cordeiro
Assistente de beleza: Joyce Oliveira
Assistentes de produção executiva: Amanda Bomfim e Beatriz Santos (cítrica)
Assistente de arte: Karen José
Camareira: Karina Berca
Manicure: Thayna Dandara

Tratamento de Imagem: Vetro Retoughing

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