“Você lembra o que estava fazendo quando isso aconteceu?” é o tipo de pergunta reservada a grandes acontecimentos: 11 de setembro, Beyoncé lançando um álbum visual de surpresa, a morte de alguma pessoa querida ou muito famosa. Poucas reportagens alcançam esse tipo de consagração. Na minha memória, tirando as que tratam de vazamentos políticos, apenas duas.
A primeira é a matéria de 2017 do Chico Felitti sobre Ricardo Corrêa da Silva (“Fofão da Augusta”). Ela saiu numa sexta-feira à noite e, assim como outros amigos, me atrasei para a festa que íamos porque estava devorando o texto. A segunda é “How Millennials Became the Burnout Generation”, da jornalista estadunidense Anne Helen Petersen, que no ano seguinte deu origem ao livro Não aguento mais não aguentar mais. Essa saiu num sábado, mas esperei alguns dias para ler, já imaginando que teria uma experiência agridoce por fazer parte da amostra retratada. Ambas alcançaram milhões de leitores e, curiosamente, foram publicadas pelo BuzzFeed, talvez o veículo de comunicação mais essencialmente millennial já criado. Claro que, como a segunda era direcionada a uma demografia específica (e, no Brasil, que lia em inglês), seu reconhecimento foi mais nichado.
De certa forma, o que o artigo de Anne fez foi dar legitimidade ao mal-estar de uma geração que chegou à vida adulta junto com a ascensão das redes sociais e passou anos lendo, compartilhando e comentando explicações sobre si mesma.
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