Elisa* tem 38 anos e passou os últimos 16 entre empregos CLT duradouros. Tem orgulho de ostentar uma carteira de trabalho com passagens por empresas grandes, importantes e nas quais entrou como assistente e saiu como gerente ou líder de área. Sua primeira e última demissão veio em 2024, depois de sete anos em um trabalho que lhe rendeu uma rescisão não só bem paga como abastecida de horas extras acertadas com juros. Elisa é o retrato de uma millennial (nascidos entre 1981 e 1996) que bebeu da estrutura e das benesses de carreira que a geração X (nascidos entre 1965 e 1980) usufruiu. Não se pode, infelizmente, dizer isso de todo millennial. O grupo ficou marcado por ser aquele que não deu continuidade às “facilidades” que seus pais tiveram, seja no mercado de trabalho ou no acúmulo de capital. No Brasil, millennials estudaram e foram à universidade, mas encontram dificuldades substanciais ao crescer e se consolidar na profissão, o que fez com que não tivessem o mesmo patrimônio de seus antecessores.
Um estudo do Insper divulgado em junho deste ano, feito com microdados do IBGE pelos economistas Daniel Duque, Michael França e Fillipi Nascimento, comparou as duas gerações exatamente nessa idade: quem nasceu no fim dos anos 1960 e fez 30 no fim dos 1990, e quem nasceu no início dos 1990 e fez 30 entre 2022 e 2024. Em relação à geração X, o crescimento da renda dos millennials aos 30 anos não passou de 2% ao ano em todas as faixas, e quase nada entre os 10% mais ricos, quando seriam necessários cerca de 3% ao ano para que uma geração de fato subisse de vida em relação à anterior. Trocando em miúdos: foi a geração que mais estudou na história do país e a que menos colheu por isso.
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