Um espetáculo chocante é repetido a cada verão no litoral atlântico do Maine, ao nordeste dos Estados Unidos. Dezenas de milhares de pessoas assistem às embarcações dos pescadores de lagostas atracando nos molhes para descarregar crustáceos recém-pescados, transferidos até tanques transparentes imensos, dispostos ao redor do panelão do Festival da Lagosta.

Na “maior panela para lagostas do mundo” é possível cozinhar mais de 100 de uma só vez. Os animais são despejados vivos no tacho com água fervente e se movimentam como se tentassem se segurar nas bordas, como uma pessoa pendurada em um telhado tentando não cair. Quando a lagosta fica imersa, debate-se energicamente a ponto de fazer com que os espectadores escutem suas garras rangendo a tampa da panela, como se sentisse dores terríveis. 

 

ética alimentar

Manifestação da PETA no dia da abertura do 78º Festival Anual da Lagosta do Maine, protestando contra o cozimento a vapor de lagostas, considerado tortura. Foto: Stan Grossfeld/The Boston Globe/Getty Images

Esse relato de David Foster Wallace, que compara a cena a um circo romano ou a um festival de tortura medieval, pertence a um de seus ensaios mais brilhantes.

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