A ficção científica previu muitos dos avanços tecnológicos do último século, e uma família específica parece ter antecipado os manequins do futuro: os Jetsons. No episódio Propriedade privada, de 1963, Jane Jetson precisa escolher um vestido para ir ao teatro. Judy, a filha, traz um projetor para a sala. Jane espera diante da lente enquanto uma tela verde surge do teto e cobre seu corpo. Com a máquina ligada, os looks aparecem perfeitamente proporcionais à mãe, e ela os prova digitalmente – incluindo um lindo Christian “Di-Orbit” preto e branco. Um vislumbre da inteligência artificial na moda.

Ver uma peça no cabide ou parada em uma foto still, afinal, é bem diferente de vê-la no próprio corpo. Os Jetsons sabiam disso, assim como a Hering, que incluiu um provador virtual em seu site em setembro de 2025. Baseada na tecnologia Google Try On – que usa seu modelo de inteligência artificial voltado à geração e edição de imagens, o Nano Banana –, a ferramenta utiliza uma foto de corpo inteiro para criar um avatar. Em segundos, um dublê digital aparece vestindo o look escolhido, com direito a acessórios, sapatos e ajustes de caimento. A reportagem testou, e o resultado impressiona.
Além do provador virtual, a Hering também conta com um chat para recomendações personalizadas. As indicações são promissoras, reduzem o tempo gasto no catálogo e garantem compras mais assertivas. Em comunicado enviado à ELLE, a marca apontou três frentes de melhoria: maior integração entre dados de produto e comportamento, desenvolvimento de experiências mais naturais e expansão da tecnologia para atender mais categorias.

Porém, a velocidade das mudanças é tamanha que até a Sra. Jetson corre o risco de ficar passé. Provadores virtuais em 3D e avatares em vídeo, desenvolvidos por startups e laboratórios digitais, em breve dobrarão a esquina. Entre os fashionistas, cresce a expectativa de que a facilidade para testar coisas diversas (imagine provar o New Look de Christian Dior) traga inspiração e diversão, e não apenas boletos.
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Até porque a moda, como se sabe, é um negócio multibilionário. E devido ao rápido desenvolvimento de ferramentas de IA generativa, há muito investimento em hiperpersonalizar seu consumo online, que já é enorme. Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do Serviço de Proteção ao Crédito, divulgada em agosto de 2025, apontou que 7 a cada 10 brasileiros fazem ao menos uma compra online por mês – principalmente de roupas, sapatos e acessórios.
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