Para uma artista, especialmente dentro da música pop, o cabelo é uma entidade poderosa. É ele que risca o ar nas coreografias, ajuda a transformar a persona a cada novo disco e enquadra o rosto que o público aprende a reconhecer como símbolo. Não à toa, Luísa Sonza passou por cada uma das eras de sua carreira transformando os fios – do loiro ondulado no seu álbum de estreia, Pandora (2019), passando pelo platinado dramático em Doce 22 (2021), até o longo iluminado em Escândalo íntimo (2023).
Agora, em uma fase mais madura, surge o desejo de se reconectar consigo mesma sob uma nova perspectiva. Esse movimento vem acompanhado de um visual mais próximo do natural – o que também significa permitir que o aplique, seu fiel escudeiro ao longo de toda a carreira, descanse. “Por muito tempo, senti que precisava de mega hair ou de algum artifício para ter volume e presença nas fotos… e até na vida”, revela à ELLE, confessando que já nem sabia mais como era o próprio cabelo.
Foi esse o convite que Eudora Siàge fez à cantora: ser fotografada para uma capa de revista, pela primeira vez, com os fios naturais, sem extensões. Para sustentar essa escolha, entra em cena Volume Imediato, nova linha de Siàge, que entrega densidade e corpo desde o primeiro uso – a sensação de 44 mil fios a mais, com leveza e movimento.
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O resultado desse encontro você confere aqui, nas fotos e no bate-papo a seguir, em que a artista fala sobre sua relação sensível com o cabelo, a decisão difícil de se mostrar sem artifícios e compartilha um pouco da Luísa Sonza que existe longe dos palcos.

Jaqueta, Gloria Coelho. Pulseira, acervo pessoal. Foto: Guilherme Nabhan
“Desde o começo, usei o cabelo como linguagem – cor, corte, textura… cada fase tinha um visual.”
Luísa Sonza
Como foi a decisão de fazer sua primeira capa sem aplique?
Este momento é muito simbólico para mim, porque por muito tempo eu senti que precisava de mega hair ou de algum artifício para ter volume e presença nas fotos… e até na vida. Por isso, admito, estava muito nervosa de aparecer sem o aplique. Na verdade, eu nem sabia mais como meu cabelo era sem ele, não tinha coragem de olhar – e isso diz muito! Por isso, antes de aceitar a campanha, eu falei: “Eu preciso testar os produtos e ver como meu cabelo fica”.
Me conta um pouco sobre essa experiência com o produto?
Meu cabelo é naturalmente muito fino, fica muito baixinho, sem volume. Eu também tive muito afinamento e quebra por causa de química, calor e tudo que a gente faz no fio… Quando comecei a usar o produto, vi o cabelo criando camadas, ganhando corpo e densidade, ficando mais forte e com mais movimento. Eu falei: “Gente… acho que eu tô pronta pra essa capa”. (risos) Era uma coisa que eu jamais imaginava fazer sem aplique.
O volume muda o que para você?
Muda tudo! Quando falaram que um dos produtos era uma mousse, eu pensei: “Isso não vai funcionar no meu cabelo”, porque normalmente pesa e deixa murcho. Mas esse não! Ele deixa o cabelo sequinho, com movimento. Eu posso mexer, virar, fazer show, botar vento, que ele continua com textura e volume. Isso é muito novo para mim. Usar sempre faz você se apaixonar pelo seu cabelo sem mega hair. Hoje eu já quase não tenho vontade de colocar.

Blazer, Mugler. Meia calça, Calzedonia. Sandálias, René Caovilla. Foto: Guilherme Nabhan
O cabelo sempre foi um assunto sensível na sua vida?
Sempre. Minha avó é cabeleireira, então cabelo era coisa séria lá em casa. Se ela me visse com o cabelo quebrado, era um drama. (risos) Ela falava que as filhas e netas tinham que ter o melhor cabelo. Quando vim pra São Paulo, fiquei longe dela e destruí meu cabelo. A minha avó ficou decepcionada comigo. Então, antes mesmo de existir a Luísa artista, o cabelo já era um assunto muito importante para mim.
E quando a gente fala sobre volume, literal e metaforicamente, falamos também sobre confiança, sobre se mostrar para o mundo sem medo. O que isso significa para você?
Eu amo essa leitura, porque, para mim, o volume hoje é muito sobre ocupar o meu espaço sendo quem eu sou de verdade. Assim como no cabelo, que hoje tem corpo porque está saudável, tratado e íntegro, na vida também. Eu me sinto mais forte, mais segura, mais inteira. Então esse volume não é só estético, ele é emocional. É presença. E, para mim, o cabelo representa força. É a primeira coisa que a gente mostra quando chega. No palco, faz toda a diferença – eu praticamente só faço show de cabelo solto, porque ele faz parte da performance.
E o que ele representa na sua identidade artística?
Eu gosto muito de trabalhar com eras. Desde o começo, usei o cabelo como linguagem – cor, corte, textura… cada fase tinha um visual. E isso ajudou a contar as histórias, a construir álbuns com narrativas. Mas chegou uma hora que meu cabelo falou: “Já deu”. E eu precisei ouvir. Resolvi deixar na cor natural, deixar ele descansar. Agora eu mudo mais em corte, coisas que não detonam tanto. Percebi que precisava olhar pra saúde do fio, não só para a estética. Hoje eu entendo que identidade artística também é ter um cabelo forte, com movimento, com volume real. Isso virou parte da narrativa tanto quanto a mudança de cor. É uma beleza mais minha, menos construída.

Jaqueta, Gloria Coelho. Pulseira, acervo pessoal. Foto: Guilherme Nabhan
Isso parece conversar também com o seu momento atual de vida.
Sim! E foi um processo emocional também, sabia? Comecei a cuidar mais de mim por inteiro, da minha saúde, da minha rotina, e o cabelo veio junto nesse processo. Hoje eu estou 100% natural, e isso conversa muito com o meu momento.
Na última vez que te entrevistei, há um mês, você estava de cara lavada, chapeuzinho de crochê, cabelo natural… Quem é a Luísa quando ninguém está olhando?
É exatamente essa. Eu amo essa versão mais confortável, mais real. A Luísa fora do palco é bem isso: leve e descomplicada. Eu sou basicamente uma criança. (risos) Jogo videogame, como as comidinhas que eu gosto, fico o dia inteiro brincando com os meus animais – são dez, então é quase uma creche. Eles ficam sempre comigo. Onde eles não podem entrar, eu também não entro. Eu amo essa vida mais caseira, simples.

Blazer, Mugler. Meia calça, Calzedonia. Sandálias, René Caovilla. Foto: Guilherme Nabhan
Como é um dia perfeito de folga?
Eu acordo, tomo café, jogo videogame por horas ou assisto live de gameplay. Brinco muito com meus bichos. Às vezes chamo amigos para conversar, tomar alguma coisa. Hoje em dia eu treino também, porque o joelho não aguenta mais as coreografias. (risos) Mas meu dia perfeito é esse: casa, bicho, videogame.
Qual é a primeira coisa que você faz quando acorda?
A Gisele [cachorrinha pinscher] dorme comigo. Ela sempre me dá bom dia. Esse é o meu ritual. Depois eu pego o celular, vejo as mensagens. Eu namoro à distância, porque meu namorado mora na Alemanha, então quando ele acorda eu estou quase indo dormir. Sempre tem um bom dia atravessando o fuso horário.

Body, Iorane. Colar, Or Atelier. Foto: Guilherme Nabhan
O que ninguém imagina sobre a sua rotina?
Que eu como um repolho inteiro por dia. (risos) Eu pico em pedaços médios, coloco azeite, vinagre de maçã e sal. Dez minutinhos no fogo e está pronto. É uma das minhas comidas favoritas.
O que você faz para se sentir mais confiante em dias difíceis?
Confesso que tenho uma autoestima boa. Como eu digo na minha música, “até feia eu sou bonita”. (risos) Mas tem dia que você tem que fingir. Fingir que está se achando maravilhosa até acreditar. Se arrumar ajuda muito: passar uma maquiagem, arrumar o cabelo, colocar uma roupa que você ama e sair para a vida.
Depois dessa capa e desse momento mais natural, vem aí uma fase sem mega hair?
Acho que sim. Eu estou me sentindo muito bem assim. É libertador. Acho que vem aí, sim!
Créditos:
Fotos: Guilherme Nabhan
Editor de moda: Lucas Boccalão
Beleza: Daniel Hernandez
Produção de moda: Thiago Torres
Cenografia: Ricardo Ishihama
Produção executiva: Izabela Ribeiro
Assistente de foto: Nicole Riotto e Jonas Araujo
Assistentes de beleza: Ju Gonçalves e Camilinha dos Anjos
Manicure: Thayna Dandara
Assistente de cenografia: Clayton Bezerra
Assistente de produção: Bruna Bombarda
Tratamento de imagem: Angelica Marinacci