Se a sua bolha algorítmica é minimamente parecida com a nossa, provavelmente você já se deparou com o mais novo réu no banco de acusados da moda: o poliéster. A fibra mais usada no mundo virou personagem frequente de vídeos nas redes sociais que a apontam como símbolo máximo de tudo o que há de errado na vida contemporânea – microplásticos, combustíveis fósseis, consumo excessivo, ultra-fast fashion e até possíveis riscos à saúde.
Produzido a partir de derivados do petróleo, é um tecido barato, versátil, resistente e pode assumir inúmeras formas. Justamente por isso, está, literalmente, por toda a parte. “Além de múltiplas possibilidades na moda, onde pode ser combinado a outras fibras, é usado em artigos de decoração e até isolamento de parede, tanto térmico quanto acústico”, explica a engenheira têxtil Priscila Faiad. Hoje, ele representa 59% de toda a produção mundial de fibras têxteis e, sozinho, responde por 43% das emissões de gases de efeito estufa nessa indústria.
“Em um contexto de emergência climática, isso é extremamente relevante”, fala Marina de Luca, coordenadora de mobilização do Fashion Revolution Brasil e pesquisadora na Universidade Federal da Bahia (UFBA). “Segundo o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima), principal órgão científico internacional sobre mudanças climáticas, a redução rápida do uso de combustíveis fósseis é essencial para limitarmos o aquecimento global e evitarmos impactos cada vez mais graves”.
A grande questão é como.
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