Como em quase todo movimento político, existe uma disputa histórica sobre a definição universal do que seria “ser feminista”. O termo foi usado pela primeira vez em 1837 por um homem, o filósofo francês Charles Fourier, retratando já à época a situação de invisibilidade da mulher – não que não houvesse muitas de nós lutando da maneira que podiam por equidade, elas eram apenas silenciadas. Desde então, o feminismo já significou muita coisa, incluindo e excluindo mulheres por motivos que iam da raça à crença, da orientação sexual ao poder econômico. Sem falar na série de apropriações inadequadas do termo por ideologias de todos os tipos, que dariam por si só uma tese de doutorado. 

E num Brasil que registra recorde de feminicídio, uma nova terminologia começa a ganhar corpo, mesmo que ainda não tenha uma escola de pensamento ou teoria, e desperte um incômodo em certas áreas da academia (ou da militância): o chamado feminismo conciliatório. Na prática, ele amplia o campo de conversa, fala com mulheres que não se identificam com ideias feministas e convoca homens como aliados na luta contra a violência, reduzindo a polarização discursiva sem suavizar a denúncia.

“Feminista é o homem ou a mulher que diz: ‘Sim, existe um problema de gênero ainda hoje e temos que resolvê-lo’.”
Chimamanda Ngozi Adichie

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