Lagostins, trufas, enguias, codornas, coelhos e pombos foram entregues no castelo de campo da família Rothschild, uma das dinastias financeiras mais influentes da história moderna, diretamente dos mercados mais importantes de Paris. Naquela noite de 6 de julho de 1829, Antonin Carême estava incumbido do preparo de um jantar formal no pátio das laranjeiras, pelo qual receberia 8 mil francos – um trabalhador comum, na época, ganhava de 2 a 4 francos por dia, entre 700 e 1.200 ao ano.  Era o chef mais cobiçado pela aristocracia europeia no século 19. Depois de ter sido abandonado por seu pai ainda criança nas ruas da Paris pós-Revolução Francesa, ergueu-se como ajudante de confeiteiro até ficar conhecido como o rei dos cozinheiros e o cozinheiro do reis. Trabalhou para Napoleão, para czares da Rússia e para o habilidoso (e controverso) diplomata Talleyrand, quando a gastronomia passou a operar como estratégia de poder. 

O hábito dos super-ricos de ter profissionais de excelência no comando de suas cozinhas domésticas atravessou o tempo e os continentes. Aqui, no Brasil,

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